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Patricia Lages
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Condenado a mais de 400 anos de prisão, Sérgio Cabral samba na cara da sociedade

Escola de samba União Cruzmaltina homenageará o não inocentado ex-governador do RJ no Carnaval 2024

Patricia Lages|Do R7

Sérgio Cabral na quadra da escola de samba União Cruzmaltina
Sérgio Cabral na quadra da escola de samba União Cruzmaltina Sérgio Cabral na quadra da escola de samba União Cruzmaltina

"De degrau em degrau a descoberta de um novo Cabral." É com esse título que a escola de samba carioca União Cruzmaltina escreve mais uma página vergonhosa da história recente deste país que não se cansa de nos surpreender. Seu samba-enredo de 2024 vai homenagear o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral, condenado a 425 anos e 20 dias de prisão — e que jamais foi inocentado.

O ex-governador foi condenado em 23 processos, alguns deles por instituir como regra o pagamento de 5% de propina sobre os contratos da Secretarial Estadual de Obras, além da "taxa de oxigênio", que lhe rendia mais 1% sobre os valores recebidos pelas empreiteiras.

Na última condenação, em maio de 2007, Cabral recebeu mais de R$ 78 milhões em propinas da Odebrecht pelo beneficiamento em obras como o PAC das Favelas, a construção do Arco Metropolitano e da Linha 4 do Metrô e a reforma do Maracanã para a Copa de 2014. De 2006 a 2017, só a operação "Fatura Exposta", da qual o ex-governador confessou ter feito parte, desviou cerca de R$ 300 milhões.

Mas, independentemente de tudo isso, suas prisões foram revogadas (inclusive a domiciliar) por causa do "excesso de prazo nas prisões preventivas" e porque o réu "não oferece risco à ordem pública".

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Outra decisão que ajudou a soltura de Cabral veio do Superior Tribunal Federal (STF), em 2021, com a anulação da condenação dada pelo juiz Marcelo Bretas a mais de 14 anos de prisão por corrupção na área da saúde. Na ocasião, o STF decidiu que Bretas não tinha competência para julgar o processo.

Desde então, o ex-governador milionário pode circular livremente com sua tornozeleira eletrônica, o que inclui ser homenageado pela União Cruzmaltina com muita folia e bebida alcoólica, como mostram as fotos do evento realizado no último domingo (23).

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Cabral samba na cara da sociedade enquanto parte da imprensa se limita a noticiar com manchetes ridículas ao destacar que o descondenado festejou com "samba no pé" e "muito beijo na boca".

E é assim que este país desce — não apenas de degrau em degrau, mas em alta velocidade — rumo a um futuro sombrio, em que uma sociedade hipócrita e cheia de idiotas úteis insiste em gritar aos quatro ventos que, por aqui, o crime compensa.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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