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Lula é acusado de financiar terrorismo, faz discurso antissemita e põe fim à neutralidade diplomática

Presidente chama atos de defesa de Israel de genocídio, compara guerra contra o Hamas ao nazismo, ignora a história e envergonha o Brasil

Patricia Lages|Do R7 e Patricia Lages

Lula ataca Israel em discurso na Etiópia no último domingo (18)
Lula ataca Israel em discurso na Etiópia no último domingo (18) Lula ataca Israel em discurso na Etiópia no último domingo (18) (Ricardo Stuckert/Presidência da República - 17.02.2024)

“O que está acontecendo na Faixa de Gaza e com o povo palestino não existe em nenhum outro momento histórico. Aliás, existiu quando Hitler resolveu matar os judeus”. Essa é uma das frases do presidente Lula em um discurso no último domingo (18), em um evento na Etiópia.

Além do título de “persona non grata” em Israel, as falas de Lula vêm rendendo severas críticas – inclusive de apoiadores e parlamentares da base governista –, um pedido de impedimento fundamentado no Artigo 5º da Lei do Impeachment (1079/50) – “São crimes de responsabilidade contra a existência política da União: cometer ato de hostilidade contra nação estrangeira, expondo a República ao perigo de guerra, ou comprometendo a neutralidade” – e uma notícia crime por anunciar que aumentará doações à UNRWA, agência ligada à Organização das Nações Unidas (ONU) e acusada de manter ligações com o grupo terrorista Hamas, autor dos ataques a Israel.

Entenda quem é a UNRWA

Basicamente, a ONU possui duas agências de assistência a refugiados: a ACNUR, que atende refugiados de todo o mundo (36,4 milhões de pessoas) e a UNRWA, criada para dar assistência exclusivamente aos refugiados palestinos (5,9 milhões).

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A UNRWA sempre esteve cercada de polêmicas, desde a complexidade de entendimento de sua administração, passando pelo orçamento por refugiado bem maior do que o da ACNUR e culminando na denúncia de envolvimento de parte de seus funcionários com o grupo terrorista Hamas nos ataques de 7 de outubro a Israel.

Por conta das acusações, dez dos principais países que financiam a agência suspenderam temporariamente as doações: Alemanha, Austrália, Canadá, Estados Unidos, Finlândia, Holanda, Itália, Japão, Reino Unido e Suíça.

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As denúncias incluem publicações em redes sociais de funcionários da UNRWA comemorando os sequestros, estupros e as mortes de 1.400 israelenses e a acusação de participação ativa de 13 funcionários da agência durante os atentados. Por fim, as Forças de Defesa de Israel descobriram um túnel sob a sede do escritório central da UNRWA, utilizando a rede de energia elétrica da agência para manter o datacenter (sistema de comunicação) do Hamas em funcionamento.

Ao ser questionado sobre o túnel, o comissário geral da UNRWA, Philippe Lazarini, disse desconhecer a existência do datacenter sob a sede da agência e que a descoberta merecia uma “investigação independente”.

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Essa é a agência que Lula afirma que o Brasil continuará financiando. “Olha, se houve algum erro nessa instituição que apura dinheiro, que se apure quem errou. Mas não suspenda a ajuda humanitária a um povo que está há quantas décadas tentando construir o seu Estado”, declarou o presidente.

Desconhecimento histórico ou desinformação?

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Antes de qualquer análise, é preciso lembrar que o Brasil não reconhece oficialmente que as barbáries cometidas pelo Hamas foram ações terroristas. Aliás, são ações terroristas, pois neste momento ainda há pessoas sequestradas. Segundo, o governo brasileiro não reconhece que as ações de Israel são movimentos de defesa a um ataque sofrido dentro de seu próprio território, contra seus próprios cidadãos.

Sob o contexto histórico, Lula erra – seja de propósito ou por ignorância – ao dizer que nunca houve na história acontecimentos como o que está havendo na Faixa de Gaza, a não ser o genocídio de 6 milhões de judeus pelo nazismo. Vamos a alguns fatos que desmentem a fala do presidente:

• Massacre Armênio por parte dos Otomanos, de 1915 a 1923, com a morte de 1,5 milhão de pessoas;

• Genocídio de Stalin, na União Soviética, com 10 milhões de mortes entre 1932 e 1933;

• O Grande Salto, na China, com estimativa de mortes entre 15 e 45 milhões de pessoas pela fome, entre 1958 e 1962;

• Campanha de Extermínio no Camboja, liderado por Pol Pot (Khmer Vermelho), entre 1975 e 1979, com mortes entre 1,7 e 2 milhões de pessoas (cerca de 25% da população da época).

Não é aceitável que um presidente da República continue inventando números e citações – como ele mesmo já admitiu fazer – como se verdade fossem. Ainda que parte da imprensa relativize o discurso de Lula e que ele próprio ache um “exagero” a reação de Israel, esse tipo de fala vai muito além de envergonhar uma nação, pois põe fim à neutralidade diplomática do Brasil e coloca o país em risco.

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