Microapartamentos: há um tamanho mínimo para morar e viver bem?
Imóveis compactos são tendência urbana, mas estudos mostram que espaço e privacidade influenciam o bem-estar

O mercado imobiliário esbanja termos modernos nas campanhas de lançamento de microapartamentos: “viva em studio”, “more num compacto”, “renda-se ao smart living”, “o futuro da vida urbana”, “a mobilidade que você precisa”.
A propaganda evita focar na falta de espaço e passa longe de admitir que o preço do metro quadrado é mais alto do que o de imóveis maiores. Em vez disso, a menção a metrópoles como Nova York e Tóquio é praticamente onipresente.
Relatórios do Secovi-SP e dados do índice FipeZap mostram um aumento expressivo da oferta de unidades compactas nas grandes capitais, como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Mas será que 25 m² são suficientes para morar bem, ainda que sozinho?
Metragem mínima para viver bem
A literatura em psicologia ambiental mostra que densidade excessiva (pessoas por m²) afeta o desempenho cognitivo, o humor e as relações familiares. Embora não exista uma metragem universal, há um consenso de que espaço insuficiente aumenta a tensão e prejudica a saúde.
Parâmetros internacionais – como o Eurostat e o Nationally Described Space Standard (NDSS) – consideram, em média, de 20 m² por morador (em ambiente compartilhado) como referência prática de espaço mínimo para viver melhor.
Morar sozinho em 35 m² pode ser funcional e razoável, mas abaixo disso, o armazenamento de roupas, utensílios e itens cotidianos começa a competir com a circulação. Receber visitas e trabalhar em casa podem representar verdadeiros desafios.
Uma área entre 45 e 50 m², pode atender a um casal sem filhos, pois permite separar sala e quarto e ter uma cozinha realmente funcional, o que faz a diferença entre morar e apenas ter um lugar para dormir.
Já para um casal com um filho, menos de 65 m² tende a comprimir a rotina. Enquanto a criança precisa de espaço para brincar, o casal precisa de funcionalidade e privacidade. Um imóvel entre 75 e 85 m² com uma planta bem distribuída permite uma suíte para o casal, um quarto infantil e um cômodo extra que sirva como escritório e área de estudo.
Apartamentos menores para moradia podem, de fato, atender perfis específicos e suprir necessidades – inclusive financeiras – em determinadas fases da vida. Porém, na hora de comprar, principalmente com financiamento, é preciso levar em conta não só o que cabe no bolso, mas a valorização, a perspectiva de venda e, claro, a qualidade de vida.














