Por que tanta gente tem acesso à informação, mas continua errando com dinheiro?
Comportamento, hábitos e falta de clareza explicam por que saber o que é certo não significa fazer o certo

Começar a investir costuma ser visto como um desafio técnico: escolher produtos, entender taxas, comparar rentabilidades. Isso, por si só, já é suficiente para afastar a maioria dos brasileiros de cuidar do próprio dinheiro. No entanto, o livro Ticket Dourado, de Luciano Claudino (Ed. LC Books), parte de uma premissa diferente e acertada: antes de investir dinheiro, é preciso organizar a mente.
A obra não promete enriquecimento rápido nem atalhos milagrosos. Ao contrário, assume desde o início que a maior dificuldade do brasileiro médio não está em escolher um investimento específico, mas em manter constância, disciplina e coerência financeira ao longo do tempo. Nesse sentido, obra se posiciona mais como um livro de educação financeira comportamental do que como um manual técnico de investimentos.
Um dos pontos altos do livro é justamente a ênfase na relação emocional com o dinheiro. O autor explora como decisões financeiras são frequentemente guiadas por medo, ansiedade, comparação social e impulsividade, fatores que sabotam resultados mesmo quando a pessoa tem acesso a boas informações. Ao tratar desses aspectos, Claudino ajuda o leitor a entender por que tantos planos financeiros fracassam antes mesmo de começar.
Três passos práticos para melhorar sua relação com o dinheiro
Para começar a melhorar a relação com o bolso, independentemente da renda ou do nível de conhecimento financeiro, os três passos a seguir, extraídos da obra podem ajudar.
Passo 1: Desenvolver clareza – Antes de pensar em investir, é fundamental entender para onde o dinheiro está indo, quais são as prioridades reais e quais gastos não estão alinhados com seus objetivos. Isso reduz a ansiedade e diminui as chances de tomar decisões impulsivas.
Passo 2: Construir constância – Pequenas escolhas corretas feitas de forma repetida produzem resultados mais sólidos do que tentativas esporádicas de “acertar em cheio”. Organizar o orçamento, poupar regularmente e respeitar limites é mais eficaz do que buscar oportunidades extraordinárias – e acabar sendo vítima de promessas irreais ou golpes).
Passo 3: Alinhar comportamento e intenção – Saber o que é certo não garante fazer o que é certo. É preciso ajustar hábitos, lidar com emoções ligadas ao dinheiro e aceitar que escolhas conscientes exigem renúncias no presente em favor de objetivos futuros.















