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Patricia Lages

Quando o sucesso não parece suficiente: entendendo a síndrome da impostora

Saiba por que mulheres capazes duvidam de si mesmas e como reconstruir a autoconfiança

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Impressão de que nunca é boa o bastante e que não merece estar onde está não é um sentimento individual, mas um fenômeno coletivo

Mesmo com vários diplomas e capacitações, reconhecimento profissional ou conquistas pessoais acima da média, muitas mulheres convivem com uma sensação persistente de não serem suficientes. Se você tem a impressão de que não é boa o bastante, de que “engana” os outros e de que, a qualquer momento, alguém “descobrirá” que você não merece estar onde está, saiba que não se trata de um sentimento individual, mas de um fenômeno coletivo.

O livro Síndrome da impostora (Ed. Nacional), das jornalistas francesas Élisabeth Cadoche e Anne de Montarlot, aprofunda esse tema ao mostrar que a condição não está ligada à falta de competência, mas a uma percepção interna distorcida. O fenômeno pode atingir mulheres de todas as idades, classes sociais, profissões, níveis de escolaridade e origens, sem escolher área, renda ou currículo.


A síndrome da impostora se manifesta quando a mulher atribui suas conquistas à sorte, ao acaso ou à ajuda de terceiros, enquanto interpreta erros ou dificuldades como provas de uma incapacidade pessoal que, na prática, não existe. Mesmo diante de evidências objetivas de sucesso e competência, o sentimento de insuficiência persiste. É importante destacar que essa sensação nada tem a ver com humildade, pois está ligada a uma desconexão entre a realidade e a autovalorização.

As autoras também alertam que a vida não se comporta como um rio de águas sempre calmas. Certos acontecimentos, ainda que comuns, podem abalar profundamente a autoconfiança de qualquer pessoa, como divórcio, luto, doença, demissão, calúnia e até mesmo a maternidade, que muitas vezes vem acompanhada de cobranças internas e sentimentos de culpa. Em momentos de ruptura, a mulher pode passar a questionar não apenas suas decisões, mas o próprio valor, criando um terreno fértil para o avanço da síndrome, mesmo em trajetórias antes sólidas.


Para a atriz, comediante e roteirista americana Amy Poehler, citada na obra, “quanto mais cedo você entender que tudo muda, que as coisas que acontecem com você não te definem, que tudo será diferente o tempo todo e que você não tem tanto controle sobre o futuro, melhor você aprenderá a viver o presente”.

Origens da síndrome da impostora e como superá-la

Segundo Cadoche e Montarlot, uma das origens desse sentimento está na educação e nas expectativas internalizadas ao longo da vida: a busca constante pela perfeição, o medo de errar e a dificuldade de reconhecer os próprios méritos. Com o tempo, esse padrão pode gerar autossabotagem silenciosa, exaustão emocional e a sensação permanente de estar “devendo algo”.


Para superar a síndrome, o primeiro passo é reconhecer o padrão mental que invalida conquistas reais. Em seguida, é preciso aprender a substituir interpretações emocionais por dados concretos. Competência não é ausência de dúvida, mas a capacidade de avançar apesar dela – algo que, aliás, muitos homens fazem com naturalidade.

Entender como nossos sentimentos podem nos pregar peças é, além de um exercício de maturidade emocional, um passo fundamental para ocupar, com consciência e segurança, os espaços que já foram conquistados por competência e mérito.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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