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Patricia Lages
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Relato de uma sobrevivente de Canoas: “não deixem isso ser esquecido”

Gaúcha revela como família deixou casa: “desesperados, saímos com água pela cintura até sermos resgatados por pescadores”

Patricia Lages|Do R7

Sobrevoo sobre áreas afetadas de Canoas - RS (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

O relato abaixo é da gaúcha Katiluci Araújo, moradora de Canoas, uma das cidades mais atingidas pelas enchentes no Rio Grande do Sul que, contrariada com o que vem sendo noticiado por parte da imprensa, resolveu contar o que viu e viveu.

“Sou gaúcha de Canoas (que teve dois terços da população atingida) e posso contar o que VI e VIVI nesses dias de pavor que passamos. O prefeito [Jairo Jorge, PSD] apenas fez o alerta de evacuação no município, mas não tivemos apoio do Exército, como seria o correto) para nos deslocarmos com segurança. Minha família e eu fomos para um abrigo (que pensávamos que era seguro), mas a água começou a subir. Todos estavam contando com um socorro que não chegou. Desesperados, saímos com água pela cintura e conseguimos abrigo em um sobrado de três andares até sermos resgatados por pescadores. Os militares estavam nos aguardando na zona de apoio apenas, ou seja, na área SECA, e nos levaram para os abrigos. Quem está nos ajudando são os empresários e civis. Os barqueiros estão arriscando a própria vida na água, sendo espancados e tendo os barcos roubados. Fora muitas outras coisas terríveis que vêm acontecendo, inclusive nos abrigos (só para um breve entendimento, condenados de regime fechado foram soltos), prefiro não mencionar aqui, mas basta acompanhar em outras redes sociais. Querem fazer o mundo acreditar que todas as críticas feitas sobre o governo são fake news, mas não são. Se não fosse a união do próprio povo haveria muito mais mortes. Não deixem isso ser esquecido.”

Embora o relato fale por si só e já deixe muitas questões para refletirmos, gostaria de destacar alguns pensamentos que me ocorrem diante desse e de tantos outros relatos.

Se vivêssemos em um país sério, nossos políticos enalteceriam a ajuda de empresários e civis que, como verdadeiros heróis, estão fazendo o que o poder público não está tendo competência para fazer. Seria um momento mais do que propício para unir forças e deixar a polarização política de lado.

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Se vivêssemos em um país sério, nossos políticos arregaçariam as mangas, sairiam de seus gabinetes e aprenderiam, na prática, como lidar com uma tragédia dessa magnitude.

Se vivêssemos em um país sério, nossos políticos estariam preocupados com as pessoas em vez de investirem seus esforços em criar narrativas para calar quem está expondo sua incompetência. As pessoas estão testemunhando a atuação do governo e são elas que votarão daqui alguns meses. Logo, será que dirão nas campanhas o contrário do que os eleitores estão vendo e vivendo?

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Se vivêssemos em um país sério, nossos políticos assumiriam que não há políticas públicas de prevenção a tragédias e que essa cultura de apenas remediar o mal instalado tem de mudar imediatamente. Assumir um erro é o primeiro passo para corrigi-lo e, com certeza, a população apoiaria e veria com muito bons olhos.

Se vivêssemos em um país sério, nossos políticos estariam trabalhando para unir o povo em vez de apenas tentar nos separar cada vez mais.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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