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Termo 'narco milícia evangélica' gera comoção e debates

Por que citação de crença só é feita quando se trata da fé evangélica, já que religião de criminosos é fator irrelevante?

Patricia Lages|Do R7 e Patricia Lages

Gilmar Mendes, ministro, STF
Gilmar Mendes, ministro, STF Gilmar Mendes, ministro, STF (Giovanna Inoue/R7 - 21/11/23)

“Traficante praticante do candomblé é preso no Rio”

“Pai de santo que dava consultas para casais mata esposa”

“Eletricista católico mata filho a facadas”

As manchetes acima não são reais, já que ninguém jamais leu ou ouviu qualquer coisa parecida nos noticiários brasileiros. Isso porque a religião de um criminoso é um fator irrelevante em uma reportagem, a não ser que o crime esteja relacionado diretamente ao assunto, como em casos de intolerância religiosa ou crimes de ódio motivados pela fé da vítima.

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Mas, há um tratamento completamente diferente quando se aventa qualquer ligação — ainda que remota ou apenas suposta — com a fé evangélica, como mostram as manchetes abaixo, estas sim, reais:

“Cantor gospel mata a facadas a própria esposa e o filho dela”

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“Pastor evangélico que matou esposa dava dicas sobre família tradicional”

“Como traficantes evangélicos atuam no Rio de Janeiro”

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Na última terça-feira (12), em entrevista ao canal Globo News, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), citou a suposta existência de uma rede “evangélica” de traficantes e milicianos atuando no Rio de Janeiro. O assunto teria entrado em pauta em uma reunião presidida pelo também ministro do STF, Luís Roberto Barroso, na qual se utilizou o termo “narco milícia evangélica”.

“Recentemente, o ministro Luís Roberto Barroso presidiu uma reunião extremamente técnica sobre essa questão, e um dos oradores falou de algo que é raro ouvir: uma narco milícia evangélica, aparentemente no Rio de Janeiro, onde já se tem um acordo entre narcotraficantes e milicianos pertencentes ou integrados a uma rede evangélica. É algo muito sofisticado”, disse o ministro durante a entrevista.

A fala — repercutida amplamente por vários veículos de imprensa como se a possibilidade correspondesse à verdade absoluta — gerou uma nota pública por parte de outro ministro do STF, André Mendonça.

Entre os três pontos levantados por Mendonça, o primeiro é a declaração de que, em conversa com Gilmar Mendes, o ministro reafirmou seu “respeito à comunidade evangélica”, que “de sua parte não houve qualquer intenção de constranger seus membros” e que “estaria à disposição da liderança da Igreja para conversar e esclarecer o assunto”.

A nota segue destacando que a generalidade do orador é uma “fala grave, discriminatória e preconceituosa” por ter se referido a uma “comunidade religiosa em geral”.

“Posso afirmar, com muita segurança, que se há uma rede evangélica nesse país, ela é composta por mais de 1/3 da população, a qual se dedica sistematicamente a prevenir a entrada ou retirar pessoas do mundo do crime, em especial aqueles relacionados ao tráfico e uso de drogas, que tanto sofrimento causam às famílias brasileiras”, escreveu Mendonça.

Por fim, o ministro declara: “se pessoas que se dizem ou se fazem passar por evangélicas estão envolvidas nesse tipo de conduta criminosa, afirmo, com total segurança, que o segmento evangélico é o maior interessado na apuração desses fatos”. E acrescenta: “que condutas ilícitas dessa natureza sejam objeto de responsabilização independente da religião professada de forma hipócrita, falsa e oportunista por quem quer que seja”.

Destaque para suposições, nenhuma palavra sobre fatos

Embora as igrejas evangélicas tenham recuperado e reinserido à sociedade milhões de traficantes, dependentes químicos, alcoólicos e toda sorte de criminosos, de norte a sul do país, e que realize ações sociais de peso 365 dias por ano, dificilmente qualquer veículo de imprensa secular destaca a importância e relevância desses fatos.

Somente em 2023, a Igreja Universal realizou mais de 590 mil ações sociais, com mais de 635 mil voluntários que, organizados em cerca de 16 grupos, prestaram gratuitamente atendimento espiritual, jurídico, educacional e de assistência social a mais de 15 milhões de beneficiados em 120 países.

De crianças a idosos, passando por pessoas com necessidades especiais, detentos e jovens apreendidos, refugiados de guerra, agentes das forças policiais, vítimas de violência doméstica, homens e mulheres que sobrevivem da prostituição, pessoas em situação de rua, vícios e vulnerabilidades diversas, a Igreja tem se desdobrado para estender a mão àqueles que têm sido negligenciados por parte da sociedade e, principalmente, pelo poder público.

Apesar de os evangélicos encabeçarem voluntariamente inúmeras ações que economizam bilhões de reais dos cofres públicos todos os anos, tanto a imprensa quanto diversos representantes do Estado, governo e Justiça não têm dado a devida importância aos serviços prestados. Ao contrário, se utilizam de casos pontuais — mesmo que não comprovados — para desmerecer uma comunidade inteira.

Já passou da hora de os brasileiros entenderem quem, de fato, lhes estende a mão em momentos de necessidade e quem apenas lhes faz promessas em época de eleição.

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