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Patricia Lages

Usar bem a própria voz vai além da oratória: é identidade, coragem e posicionamento

Dicção e técnica ajudam, mas autenticidade e responsabilidade definem a força da comunicação

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A comunicação oral se tornou uma competência central em ambientes profissionais.
  • O livro "Encontre Sua Voz", de Celina Joppert, aborda a importância de alinhar identidade, emoção e posicionamento na comunicação.
  • A comunicação eficaz envolve técnica, emoção e responsabilidade pelo impacto das palavras.
  • Encontrar a própria voz é uma busca pela identidade, não apenas uma habilidade técnica.

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Quem não consegue se expressar com firmeza perde espaço, autoridade e oportunidades Freepik/@cookie_studio

Em um cenário profissional cada vez mais competitivo e expositivo, a comunicação oral deixou de ser uma habilidade complementar para se tornar competência central. Reuniões, entrevistas, apresentações, redes sociais e vídeos (gravados ou ao vivo) exigem clareza, segurança e capacidade de posicionamento.

Com isso, quem não consegue se expressar com firmeza e de forma a envolver seus interlocutores, perde espaço, autoridade e oportunidades, mesmo sendo um profissional qualificado e competente.


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Falar bem, porém, não é necessariamente encontrar a sua própria voz em meio a tantas outras. E essa é a distinção central do livro Encontre Sua Voz, de Celina Joppert (Ed. Intrínseca). A autora propõe uma reflexão que vai além da dicção e da projeção vocal, segundo a qual comunicar é alinhar identidade, emoção e posicionamento.

A obra parte da ideia de que a voz não é apenas um som emitido pelas cordas vocais, mas um meio que revela segurança ou insegurança, convicção ou hesitação, coerência ou conflito interno.


Muitas vezes, o que enfraquece uma fala não é a falta de técnica, mas a ausência de coerência entre o que se pensa, o que se sente e o que se diz.

As três dimensões da comunicação

A obra divide a comunicação em três partes: técnica, emocional e posicionamento.


A técnica trata de respiração adequada, postura, ritmo, entonação e dicção. Embora a autora não ignore a importância do preparo vocal, ela é clara ao afirmar que técnica é ferramenta, não essência, e que falar “corretamente”, mas sem convicção, torna a comunicação artificial.

A questão emocional passa pelo medo de julgamento, da vergonha e até mesmo da síndrome do impostor, que aparece na forma de bloqueios frequentes. Muitas dificuldades na fala, segundo o livro, não vêm de questões técnicas, mas emocionais. Quando há insegurança, o corpo responde: a respiração encurta, o ritmo da fala acelera e a voz perde firmeza.


Finalmente, o posicionamento consiste em encontrar a própria voz, o que implica assumir responsabilidade pelo impacto da própria comunicação. É aqui que devemos compreender que toda fala constrói reputação e que toda omissão também comunica. Além da clareza, a firmeza e a consistência são pilares para quem deseja transmitir autoridade.

Dicas para encontrar a própria voz

Para quem deseja aplicar esses conceitos no dia a dia, algumas orientações práticas baseadas na obra de Celina Joppert podem servir como ponto de partida:

  1. Revise a coerência: observe se sua fala está alinhada aos seus valores. Incoerência, ou seja, falar sobre algo em que não se acredita, enfraquece a voz.
  2. Trabalhe a respiração e a postura: pequenos ajustes físicos aumentam estabilidade vocal e proporcionam mais segurança.
  3. Reduza a necessidade de agradar: a busca constante por aprovação compromete firmeza e pode dar um tom de artificialidade.
  4. Simplifique a mensagem: clareza fortalece posicionamento, enquanto querer “falar bonito” pode surtir o efeito contrário.
  5. Sustente o que diz ao longo do tempo: consistência constrói credibilidade.

O livro não é um tratado técnico de oratória nem uma obra filosófica aprofundada, mas uma proposta prática e interessante de desenvolvimento pessoal.

Particularmente, a mensagem final me agrada como crítica e como leitora, pois destaca que não basta aprender a falar melhor, mas é preciso sustentar o que se diz. Encontrar a própria voz, portanto, não é apenas um exercício estético, mas uma busca pela própria identidade.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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