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Adega do Déco
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Vinho caro que provocou engano em amigos foi trazido ao Brasil por Pedro Álvares Cabral: conheça o Pêra-Manca

Caso bombou na internet nos últimos dias

Adega do Déco|André RossiOpens in new window


Vinho Pêra-Manca é um dos mais famosos de Portugal Reprodução/Instagram/@terradovinho1

Nos últimos dias, a web viu um vídeo de dois casais que saíram para jantar em Salvador e, ao pedirem a conta, se depararam com um valor estratosférico, completamente fora do que esperavam. Ao ver a conta, levaram um susto quando notaram que o vinho branco que haviam pedido custava R$ 1.650,00 e não R$ 165,00 como imaginavam.

A conta total, que incluía pratos como burrata, ceviche, camarões e carnes, além de águas e serviço, ficou em R$ 4.512,00, ou seja, R$ 1.128,00 por pessoa. Além de ser o caso de procurarem um oftalmologista, vale aqui falar um pouco sobre esse que é um dos vinhos portugueses mais emblemáticos da Terrinha.

O Vinho Pêra-Manca é produzido na região do Alentejo, mais especificamente em Évora, pela tradicional Fundação Eugénio de Almeida. O nome vem de muito tempo atrás, mais especificamente do século XV, quando frades das ordens de São Jerônimo e do Convento do Espinheiro cultivavam vinhas em solos que tinham muitas pedras soltas, ou, como eles diziam, pedras que mancavam, e por isso o nome Pêra-Manca.

E ainda reza a lenda que foi este o vinho que Pero Vaz de Caminha relatou em uma de suas cartas como o vinho que Pedro Álvares Cabral brindou com os indígenas. Sorte deles!

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Já no século XIX, o vinho era produzido pela Casa Agrícola José Soares, mas em 1920 ele parou de ser produzido com a morte do proprietário e a praga da filoxera, que arrasou muitos vinhedos na Europa. Finalmente, em 1963, foi criada a instituição filantrópica Eugénio de Almeida, e José Antonio de Oliveira Soares, herdeiro da antiga casa, concedeu a marca “Pêra-Manca” de presente em 1987 à fundação, e o vinho voltou a ser produzido em 1990.

O vinho possui as versões branco e tinto, sendo o tinto um vinho de produção bem limitada, cujas uvas utilizadas são normalmente Trincadeira e Aragonez, normalmente provenientes de vinhedos antigos. A sua vinificação é tradicional, passando por um estágio médio de 18 meses em barricas de carvalho e mais 48 meses em garrafa antes de sair ao mercado.

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É um vinho bastante encorpado e que mostra sua melhor forma depois de muitos anos em garrafa. Por ter produção muito limitada, geralmente menos de 50.000 garrafas, seus preços atingem valores muito altos. No Brasil, dificilmente veremos uma garrafa dele por menos de R$ 4.000,00, podendo chegar a valores bem mais altos, dependendo da qualidade da safra e da produção de um ano específico.

Já o Pêra-Manca branco, que foi o astro da noite dos amigos, é produzido a partir das castas Antão Vaz e Arinto e tem produção maior, por isso seu preço é bem inferior ao tinto, mas longe de ser um vinho barato.

Sua vinificação é cuidadosa, passando 12 meses em barricas de carvalho francês novo e depois mais 12 meses em garrafa. O resultado é um vinho encorpado, com a madeira bem marcada e que envelhece bem em garrafa por muitos anos.

Apesar de ser uma produção maior, o preço de, em média, R$ 800,00 mostra que é um vinho especial e que muitos não podem pagar. No caso dos amigos, que tiveram que arcar com o prejuízo, ainda contaram com a margem de lucro do restaurante.

Olhando o copo meio cheio, eles puderam provar um dos vinhos mais icônicos de lá e, gentilmente, ganharam do restaurante outro jantar de cortesia! Certamente uma história para ficar na memória e no bolso!

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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