Corpo saudável sem pressa: como lidar com a pressão estética
Especialistas dão dicas para construir hábitos saudáveis, valorizar o corpo e preservar a saúde mental
Nunca se falou tanto sobre corpo, estética e emagrecimento como nos últimos anos. Em 2026, oito em cada dez brasileiros afirmam ter a intenção de fazer algo para melhorar a aparência física, segundo pesquisa do Instituto Locomotiva em parceria com a QuestionPro. Entre redes sociais, padrões de beleza em constante mudança e soluções rápidas de emagrecimento, cresce também a pressão por resultados imediatos.
“A busca pelo corpo ideal se intensificou nos últimos anos devido à cultura da dieta e culto aos padrões de beleza, que passaram a agir de forma constante no nosso dia a dia. Isso acontece tanto por meio das redes sociais quanto pela maneira como nos relacionamos com o próprio corpo e com a comida, que passou a girar em torno de regras, proibições e culpa”, explica Andressa Alves Oliveira, profissional da área de psicologia do AmorSaúde.
A profissional alerta: “As redes sociais, em grande parte, nos ensinaram a odiar nossos corpos. Antes disso, já existia o uso excessivo de Photoshop para apagar as chamadas ‘imperfeições’. Hoje, vemos padrões repetidos — bocas grandes, olhos arregalados, sobrancelhas arqueadas. Quando foi que parecer com todo mundo virou o ideal? Por que precisamos gostar dessa falsa ideia de nós mesmos, construída para agradar um padrão que não nos representa?”
O impacto vai além da estética: a comparação constante com imagens irreais pode gerar insatisfação, ansiedade e baixa autoestima, criando uma relação adoecida com o próprio corpo.

O fascínio das soluções rápidas
A psicóloga Andressa explica por que métodos de emagrecimento rápidos são tão atraentes: “Eles funcionam como um miojo pronto em cinco minutos: são práticos, mas será que realmente nos fazem bem? Do ponto de vista psicológico, oferecem uma mudança imediata e ilusória. A pessoa emagrece rápido, se vê diferente no espelho e cria uma imagem temporária de si mesma, elevando a autoestima por um curto período. Mas essa sensação é frágil e passageira, porque não se sustenta em cuidados reais com o corpo e a mente”.
Alguns sinais de alerta são claros: evitar alimentos que dão prazer por culpa, aderir a dietas extremas ou se comparar constantemente com corpos da internet. “Um sinal ainda mais preocupante surge quando comparamos nossa aparência real com a versão filtrada de nós mesmos e deixamos de nos reconhecer. É nesse conflito que nasce a distorção da imagem corporal”, explica a psicóloga.
A busca por resultados imediatos também contribui para ansiedade e frustração: “Se não estamos bem mentalmente, não estamos bem com nossos corpos. Resultados imediatos criam uma falsa sensação de controle, que pode desaparecer repentinamente, trazendo frustração e ansiedade. Perdemos a capacidade de valorizar pequenos passos e passamos a exigir mudanças rápidas o tempo todo”.
Autocuidado x obsessão estética
“O autocuidado nasce dos pequenos hábitos cotidianos: escrever para começar a semana, tomar um banho relaxante após um dia exaustivo ou simplesmente permitir-se não fazer nada. Quando esses gestos nos ajudam a olhar para nós mesmos com mais carinho, estamos falando de autocuidado”, exemplifica Andressa Oliveira.
Já a obsessão estética, “se manifesta como cobrança extrema: olhar no espelho e não se reconhecer, comparar-se constantemente com padrões irreais e exigir mudanças rápidas. Ela surge quando deixamos de respeitar o próprio corpo e quando aquilo que deveria ser prazeroso se torna cruel”, alerta a especialista.
Construir uma rotina saudável não precisa ser sinônimo de sacrifício ou pressão estética. “Cuidar do corpo é cuidar da mente. O objetivo é sentir-se bem consigo mesmo, e não perseguir uma aparência idealizada”, explica a nutricionista e especialista em saúde integrativa, Mariana Silva. A especialista listou estas dicas para uma rotina saudável e sem pressão:
- Movimente-se com prazer – Escolha atividades que você goste, seja caminhar no parque, dançar ou praticar yoga. O objetivo é bem-estar, não queimar calorias rapidamente.
- Alimente-se com atenção e sem culpa – Priorize alimentos que nutram seu corpo e também tragam prazer. Comer de forma consciente fortalece a relação saudável com a comida.
- Durma bem – O sono é fundamental para a saúde física e mental. Estabeleça uma rotina de sono consistente.
- Inclua momentos de pausa – Permita-se relaxar e desacelerar, seja lendo, meditando ou apenas descansando. Pequenas pausas ajudam a reduzir ansiedade e estresse.
- Estabeleça metas realistas – Foque em hábitos consistentes, não em resultados rápidos ou padrões estéticos irreais. Pequenas mudanças duradouras fazem diferença na saúde geral.
- Valorize o corpo pelo que ele faz, não apenas por como ele parece – Aprecie a força, a mobilidade e a energia do seu corpo todos os dias.
Construindo uma relação mais saudável com o corpo
Para uma relação mais leve, a psicóloga sugere: “Começar pelo autoconhecimento. É entender quais movimentos fazem sentido para você, encontrar prazer em uma caminhada no fim da tarde ou comer um pedaço de bolo no domingo sem culpa”.
Cuidar do corpo é, necessariamente, cuidar da mente. Em um mundo marcado pelo imediatismo, talvez o maior ato de saúde seja desacelerar, escutar o próprio corpo e escolher caminhos que promovam bem-estar real — e não apenas resultados rápidos.
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