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Maria do Caos
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Alô? É do bombeiro? É que eu tive um probleminha...

Sair de casa depois de comer ovos com bacon, feliz da vida para assinar a carteira em um novo emprego, parece um dia perfeito, não? Não mesmo! Especialmente para a Maria de hoje. Que bagunça, minhas amigas!

Maria do Caos|Do R7 e Mônica Simões

Virei notícia depois que comi bacon e ovos no café da manhã
Virei notícia depois que comi bacon e ovos no café da manhã Virei notícia depois que comi bacon e ovos no café da manhã

E aí, Marias!

Que delícia falar com vocês neste último dia do mês. Novembro promete ser incrível, fenomenal, cheio de novidades e boas surpresas, mas não se esqueçam: quando as sete maravilhas chegam até nós, claro que o caos vem junto.

Portanto, segurem-se e apertem os cintos porque as gargalhadas vão chegar como um furacão, arrastando tudo e deixando todas vocês com dores na barriga de tanto rir.

Estava pensando aqui com meus botões: como seria um dia perfeito? Para mim, seria aquele em que acordaria descansada, em um resort à beira-mar, all inclusive, ou seja, comidas e bebidas no pacote e aquele sol in-crí-vel do Caribe. Aí, eu acordei, né, Marias!?! Sonhando alto e bom som por aqui.

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Mas por que fiz essa pergunta? Bem, a Maria de hoje enviou uma história que aconteceu nos anos 1990, naquela época em que o mais moderno era um bip. Lembram-se disso? As pessoas recebiam mensagem em um aparelho quadrado e usavam um telefone fixo para fazer as ligações.

Essa Maria, que mora em São Paulo, me contou o dia perfeito dela. 

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Bom, se a história está neste blog é porque não teve NA-DI-NHA de perfeição! E o mais engraçado é que a nossa Maria se empolgou e enviou praticamente um roteiro para mim, com sugestão de sons e tudo mais. Assim que eu gosto! Bora interagir.

Minhas Marias do coração, parece filmehollywoodiano, sério! 

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Ela virou notícia depois de uma tensa (relaxante também, né!?!) dor de barriga. Isso mesmo!

Para resumir, sabe quando a vida começa a dar certo? Depois de anos, ela conseguiu finalmente a tão sonhada liberdade. Foi à luta, sozinha.

Se você acha que a história do sapo da semana passada foi muito doida, espere para ler esta daqui.

Bora viajar no tempo comigo?

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O ano era 1991, tive uma semana daquelas! Calma, não errei o ano, não. Sou uma jovem senhora cheia de histórias guardadas, mas essa... Ahhh... essa me marcou para sempre! E, acredite se quiser, é a primeira vez que compartilho com tantas pessoas.

Sempre tive o sonho de trabalhar fora, mas meu falecido marido nunca tinha deixado, até porque logo vieram os filhos, e ele falava para mim que a prioridade sempre seria a família. Sim, concordo, masss... Ficou aquela vontade meio que contida, sabe?

Aí, fui morar com um filho, depois com outro. Meus filhos sempre foram muito preocupados comigo, sabe como é, né? Mas eu queria mesmo ter minha própria liberdade, trabalhar, ter meu dinheirinho, comprar minhas coisinhas, sem dar satisfações. Estou pedindo muito, Marias?

Um belo dia, recebi a ligação de uma amiga dizendo que tinha uma vaga na empresa onde ela trabalhava; a vaga era para secretária. Eu sempre fui muito organizada e gostava demais de conversar, falar ao telefone, resolver os pepinos. Gerenciei minha vida de casada por 23 anos. Em paralelo, organizei também as dos meus filhos, era PhD em solucionar problemas familiares.

Conversei com meus filhotes, e finalmente teria a oportunidade de fazer algo por mim e só para mim. Precisava, apenas, regularizar minha carteira de trabalho no sindicato. Marquei de levar meus documentos em uma sexta-feira.

Ahhhh, Marias! Acordei daquele jeito! Cheia de disposição! Finalmente, realizaria meu sonho!

É... Mas, calma aí. Quando pensamos que tudo vai bem, parece que vem alguma coisa e joga um desafio para você para ver se é aquilo mesmo que você quer. Caos que fala?

Empolgada com as novas possibilidades, fui até a cozinha e quis fazer o melhor café da manhã para mim. Afinal, eu merecia! Não tive dúvidas: ovos com bacon... hummm.

Aquele cheirinho dos ovos mexidos com aqueles pedacinhos de gordura do bacon... Quem salivou por aí?

Saboreei cada pedacinho do meu banquete. Depois, tomei meu banho, escovei os dentes e fui escolher minha roupa. Tive medo de que nada servisse, já que fazia anos que só usava roupas de ficar em casa e aquelas que servem para jantares, mas nada de especial para o trabalho. Provei a calça e estava meio apertadinha... Ufa, entrou!

Me olhei no espelho e me senti a mulher mais poderosa do mundo. A sensação era de que conquistaria tudo o que merecia e desejasse. Estava prestes a virar a chave da minha vida.

Saí de casa. Ahhh, esqueci de falar: quando recebi a notícia do emprego, aluguei um apartamentinho pequenininho para mim e proibi meus filhos de se meterem na minha vida. Claro que eles continuaram opinando, fazem isso até hoje.

Peguei um ônibus e cheguei 20 minutos antes do horário marcado. Fui até a recepção, e uma mocinha bem simpática disse que poderia sentar nas cadeiras na lateral. Fiquei sentada ali, superanimada.

Eu estava apertada para ir ao banheiro, mas tive medo de perder meu agendamento, então, resolvi aguardar me chamarem. 

Finalmente me chamaram.

Estava lá respondendo aos questionários, minha bexiga berrando e minha barriga fazendo vários barulhos indevidos. Já aconteceu isso com vocês? Aquele silêncio na sala e vem sua barriga constranger você na frente de todo mundo.

Do nada, comecei a suar frio, acho que por causa do bacon todo que comi.

Não via a hora de acabar com aquilo para correr para o banheiro.

Depois de meia hora, peguei uns papéis, assinei meu documento e saí correndo pelo corredor procurando um banheiro. Vi que tinha uma placa apontando para a esquerda, mas, quando olhei para a esquerda, não tinha nada, era só escada mesmo. Subi e desci aquelas escadas de madeira. Minha barriga estava berrando! Aí, no fim do corredor, vi uma moça e perguntei:

"Tem banheiro aí?"

Ela acenou com a cabeça. Eu entrei e fiquei por lá por um bom tempo.

Aliviada, me recompus e desci a escadaria do casarão. Percebi que estava tudo vazio.

Comecei a chamar a moça que me atendeu e nada.

Minha cabeça foi ao delírio, e vieram pensamentos estranhos.

"Será que... não, claro que não, Maria! Será que... imagina, Maria! Isso jamais aconteceria. Será que... não, não e não!"

Tentando não me levar pelos pensamentos de que tinha sido esquecida dentro do sindicato em uma sexta-feira, sendo que ele só abriria novamente na segunda. O desespero bateu mesmo quando cheguei à porta de saída e ela estava trancada, com cadeados e tudo mais.

Ai, meu Deus... Nãooooooooooooooooooooooooooooooooooo!!!!

Desesperada, comecei a procurar outra saída, mas nada. Só via janelas, e todas trancadas. Eu sacudi as janelas à espera de um milagre acontecer, mas só fez barulho mesmo. Comecei a atirar tudo o que via nas mesas nas janelas na esperança de alguém me ouvir. Quem olharia para um casarão velho, no centro de São Paulo, em plena sexta-feira? Sim, Marias, ninguém!

Fui até o telefone para tentar pedir ajuda, mas, quando tirei ele do gancho, não tinha linha livre. Ele estava mudo, MUDÃO! Comecei a revirar as gavetas, os armários... Achei uma agendinha, tentei vários códigos, mas nada.

Olhei debaixo das mesas para ver se achava um botão do pânico, mas nada também! 

Horas depois, eu me conformei que passaria a noite no sindicato. No auge do meu cansaço, debrucei numa mesinha e ali, em prantos, olhei para o telefone. Tirei do gancho e milagrosamente... chegou a liberação da linha.

Liguei para o Corpo de Bombeiros.

Para tudo! Já imaginou a minha vergonha explicando para o atendente dos bombeiros o que tinha acontecido? Tentei ser breve, mas ele pedia detalhes.

Me garantiram ajuda. Quinze minutos depois, uma barulheira. Sirenes, vozes, portão sacudindo... Sim, eram os meus salvadores! Imaginei que sairia de lá carregada por um bombeiro fortão, mas não, sai andando mesmo, morrendo de vergonha.

Lá fora, vi luzes. Adivinhem? Eram jornalistas que estavam tirando fotos achando que se tratava de um caso mais grave.

Bem, Marias. Virei notícia por causa de uma dor de barriga na hora errada.

Ahhh... Trabalhei por dez anos na empresa que me contratou e, hoje, estou aposentada e viajando por aí em excursões.

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Mariassssss, incrível essa história! Quem nunca teve uma dor de barriga no pior momento possível? Um imprevisto desses acontece.

Não posso deixar de dizer que estou amando cada história que recebo. Leio todas com muito carinho. E sim, o forninho está cheio de casos beeeem interessantes.

Se você tem uma história muito doida, mande para mim no @monicasimoestv.

Que hoje seja o início de um ciclo maravilhoso para vocês, repleto de novas oportunidades.

Já estou com saudades.

Um beijo, Marias.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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