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Canetas emagrecedoras e flacidez: o efeito colateral que ninguém posta

Emagrecimento acelerado cria uma nova geração de pacientes na cirurgia plástica

Meu Umbigo|Thais AngelucciOpens in new window

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imagem gerada por IA / Gemini

Vamos combinar uma coisa? Quando inventaram as canetas emagrecedoras, esqueceram de avisar um detalhe importante: a gordura sai correndo, mas a pele fica olhando, confusa, sem saber se vai junto ou não.

Perdi 10 quilos com uma das canetas e fazendo o acompanhamento direitinho com uma endócrino. Ao todo foi mais de um ano de tratamento e já faz 2 anos que isso aconteceu e o peso ainda mantenho. A balança me aplaudiu. Minha barriga? Resolveu fazer um protesto silencioso. Meu pescoço? Entrou na conversa sem ser chamado.


E não, isso não é um drama pessoal meu. É praticamente um movimento nacional. E olha que já tenho meus 40 e todos e tá por isso nem reclamo.

As famosas canetas — Ozempic, Wegovy, Mounjaro e afins — estão criando uma nova geração de corpos: mais leves, sim, mas também mais… caídos. E isso não é falta de gratidão. É anatomia mesmo.


O corpo emagreceu. A pele pediu arrego

Segundo a cirurgiã plástica Dra. Chreichi L. Oliveira, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, o consultório virou ponto de encontro de pessoas que emagreceram rápido demais e agora tentam entender por que o corpo não “acompanha o sucesso”.

A gordura some num piscar de olhos. A pele não. Ela fica lá “balangando”.


O resultado? Abdômen flácido, braços com sobra, coxas molinhas, seios esvaziados e aquele rosto com cara de “passei por coisa demais em pouco tempo”. O famigerado Ozempic face, que não vem com filtro nem aviso prévio.

É um corpo magro, mas desalinhado com a própria expectativa.


Nasceu um novo tipo de paciente (e não foi do spa)

Antes, cirurgia plástica era pós-gravidez, envelhecimento ou bariátrica. Agora é pós-caneta.

Abdominoplastia, lifting de braços e coxas, mastopexia, lipo corretiva… tudo para tentar dar estrutura a um corpo que emagreceu mais rápido do que conseguiu se sustentar.

A Dra. Chreichi é direta: isso é uma nova fase da cirurgia plástica, criada pela revolução farmacológica do emagrecimento. Não é moda. É consequência.

Spoiler amargo: a caneta não resolve tudo

Aqui entra a parte que ninguém gosta de ouvir no meio da euforia: caneta sozinha não constrói corpo saudável.

Sem nutrição, exercício e acompanhamento, o que se perde não é só gordura. Vai embora músculo, vai embora sustentação, vai embora firmeza. E o corpo vira um antes e depois meio decepcionante.

Pior: o risco de reganho de peso aumenta. Porque corpo frágil não sustenta resultado por muito tempo, mas depende de você.

Emagrecer rápido é fácil. Manter — física e emocionalmente — é outra história.

Eu faço musculação regularmente e vou falar também do pró: a pele está mais flácida, mas em compensação hoje meus músculos estão aparecendo.

O prato importa (mais do que o hype)

O nutrólogo Dr. Sandro Ferraz explica algo básico que virou quase revolucionário: comida importa.

Durante o uso das canetas, o corpo entra num déficit calórico agressivo. Se você não come direito, perde músculo junto com gordura. E músculo é o que segura tudo no lugar — inclusive o rosto.

O que deveria ser obrigatório (mas muita gente ignora):

  • proteínas de verdade: ovos, peixes, carnes magras, whey
  • gorduras boas: azeite, abacate, castanhas
  • colágeno e seus amigos: caldo de ossos, frutas ricas em vitamina C, vegetais verde-escuros

A recomendação gira em torno de 1,6 a 2,2 g de proteína por quilo de peso corporal por dia. Dieta pobre em proteína = flacidez garantida. No corpo e na cara.

Emagreci. Agora preciso me remontar

Depois que o peso chega, começa a parte menos glamourosa: reconstruir o estrago.

Entram em cena:

  • vitamina C
  • zinco
  • magnésio
  • cobre
  • silício
  • água (sim, água. Aquela coisa básica que a gente ignora)

Tudo isso ajuda a pele a tentar se recuperar da velocidade com que foi abandonada.

E suplemento? Calma

Ajuda? Ajuda.

Resolve? Não.

Colágeno com vitamina C, zinco, silício, ômega 3, creatina… tudo isso pode ser aliado. Mas suplemento não substitui prato, nem músculo, nem processo bem-feito.

Não existe cápsula que desfaça decisões apressadas.

Moral da história (com um pouco de ranço)

As canetas funcionam. Ninguém discute isso. Mas vender emagrecimento rápido como solução completa é, no mínimo, desonesto.

O corpo não gosta de atalhos. A pele cobra. O músculo sente. E o espelho não mente.

Cirurgia plástica pode ajudar, sim. Como complemento. Não como remendo de um emagrecimento feito sem cuidado.

E se você emagreceu, comemorou e depois pensou “ué, cadê a firmeza?”… respira. Você não falhou. Só entrou numa conversa que ninguém te contou inteira.

Por isso hoje incluí na minha dieta a gelatina zero açúcar e também fiz aplicações de bioestimulador porque o rosto deu uma derretidinha básica.

A revolução é real. Mas a gravidade continua vencendo, então, a melhor alternativa para evitar efeito sanfona e flacidez é alimentação balanceada e exercícios.

Compartilha com a coleguinha louca da caneta e até o próximo texto.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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