Um mês depois da tragédia que interrompeu a ligação entre Madri e a Andaluzia, circulação de trens é restabelecida na Espanha
Apenas a 40 dias de um dos feriados mais importantes da Espanha, a Semana Santa, a circulação dos trens de alta velocidade volta a funcionar
Hoje marcou oficialmente a retomada da circulação dos trens de alta velocidade entre Madri e a Andaluzia, exatamente um mês após o grave acidente registrado na região de Adamuz, que deixou 46 vítimas mortais e interrompeu uma das principais conexões ferroviárias do país. A administradora Adif autorizou a volta da operação, e a Renfe restabeleceu os serviços nos principais trajetos, devolvendo aos passageiros a possibilidade de viajar às vésperas da Semana Santa com mais previsibilidade.
As linhas Madrid–Sevilha, Madrid–Cádiz, Madrid–Granada e Madrid–Granada–Almería voltaram a operar de forma habitual. O primeiro Madrid–Huelva segue até Córdoba de trem, e o trecho final é feito por ônibus. Já na rota Madrid–Málaga, o percurso entre Antequera e Málaga continua sendo realizado por ônibus temporariamente, devido a obras na infraestrutura.
Retomada gradual
O primeiro trem que cruzou novamente a área de Adamuz prestou homenagem às vítimas, reduzindo a velocidade para 50 km/h e acionando a buzina ao passar pelo local do acidente. Por enquanto, todos os comboios mantêm essa limitação de velocidade no trecho reconstruído, como medida de segurança até a completa estabilização das vias.
Os impactos ainda são percebidos no tempo de viagem. Um trajeto que normalmente durava cerca de duas horas e meia pode registrar atrasos de 40 minutos a uma hora e meia. Ainda assim, a sensação predominante entre os passageiros é de alívio. Muitos chegaram às estações mais cedo, embarcando com cautela, mas confiantes na retomada.
A interrupção de cerca de 30 dias trouxe consequências expressivas para o setor turístico, especialmente na Andaluzia. O governo regional estima perdas de até 1 bilhão de euros. Cancelamentos começaram a surgir justamente antes da Semana Santa e da tradicional Feira de Abril, dois dos períodos mais relevantes para a economia local.
Em Sevilha, taxistas que trabalham na estação de Santa Justa relatam queda brusca no movimento. Muitos profissionais afirmam que a estação ficou praticamente sem passageiros durante semanas. A rotina de centenas de trabalhadores também foi alterada, com a busca por rotas alternativas para deslocamentos diários.
A situação foi agravada pelas condições meteorológicas extremas registradas em 12 de fevereiro. A Agência Estatal de Meteorologia (AEMET) chegou a emitir alerta vermelho em diversas regiões por causa de ventos intensos, temporais costeiros, chuvas fortes e nevadas. Em Barcelona, a estação de Sants foi palco de atrasos sucessivos, cancelamentos e longas filas diante dos balcões de atendimento.
Sou jornalista de turismo e moro na Espanha há quase quatro anos. Nesse período, acompanhei a força da malha ferroviária espanhola e a confiança que moradores e turistas depositam nos trens de alta velocidade. Nunca tinha presenciado uma paralisação tão prolongada nem impactos tão diretos sobre o turismo e a mobilidade interna.
Apenas à 40 dias de um dos feriados mais importantes do país, o cenário começa a ganhar novos contornos. A retomada das operações devolve não apenas a circulação dos trens, mas também a esperança de um período de viagens mais tranquilo. Ainda há cautela, limitações pontuais e atrasos, mas, desta vez, o que ecoa nas plataformas é o som dos trens voltando a partir.
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