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Família Benanti: conheça quem ajudou a colocar o Etna no mapa dos grandes vinhos do mundo

Em visita à vinícola Benanti, conversei com Antonio e Salvatore Benanti, filhos de Giuseppe Benanti, um dos protagonistas centrais da valorização qualitativa e identitária dos vinhos do vulcão siciliano

Na Minha Taça |Cynthia MalacarneOpens in new window

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Vinicola Benanti, Etna, Sicilia - Contrada Rinazzo Divulgaç

Para muitos apreciadores brasileiros, o Etna ainda é uma região pouco conhecida do ponto de vista vitivinícola. E, no entanto, trata-se de um dos territórios mais singulares da Itália. Como definem Antonio e Salvatore Benanti, o Etna é uma prestigiosa região vitivinícola marcada por uma combinação rara entre clima de montanha e latitude mediterrânea - “um Norte no Sul”.

O vulcão, com seus 3.400 metros de altura, garante fortes amplitudes térmicas e ventilação constante, enquanto sua localização na Sicília proporciona excelente insolação. O resultado são vinhos de grande caráter, marcados por frescor, versatilidade e elegância, com uma nítida alma vulcânica. São vinhos de forte identidade territorial, impossíveis de confundir com qualquer outro lugar do mundo.


Foi nesse cenário extremo e, por muito tempo, pouco valorizado, que nasceu a história da Benanti. Durante minha visita à vinícola, tive a oportunidade de conversar com seus proprietários, Antonio Benanti e Salvatore Benanti, filhos de Giuseppe Benanti, figura-chave na história recente do Etna e um dos grandes responsáveis pela construção da reputação qualitativa dos vinhos do vulcão.

Os irmãos Antonio e Salvatore Benanti, proprietários da vinicola. Divulgação

Uma visão que enxergava além do imediato


Giuseppe Benanti iniciou seu projeto por volta dos 40 anos, movido por uma profunda paixão pelo vinho. Em um período em que muitos vinhedos históricos estavam abandonados e o Etna carecia de reconhecimento, ele foi um dos primeiros a investir com seriedade na valorização das uvas e dos vinhos da região.

Segundo seus filhos, o segredo de seu sucesso nunca esteve na busca por resultados comerciais de curto prazo, mas em uma visão de longo alcance. Giuseppe acreditava que a verdadeira grandeza dos vinhos do Etna se revelaria com o tempo, por meio da elegância e da capacidade de envelhecimento. Essa postura, pautada pela seriedade e pela coerência, acabou sendo reconhecida pela crítica enológica internacional. Seu lema permanece atual: “olhar adiante, ver além”.


Vinicola Benanti, Contrada Rinazzo e os irmãos Antonio e Salvotore Benanti ao fundo. Divulgação

Recuperar o patrimônio para devolver identidade ao Etna

Quando Giuseppe Benanti começou seu trabalho, além dos vinhedos abandonados, muitos palmenti (palmentos), estruturas tradicionais de vinificação, encontravam-se em desuso. Para a família, recuperar esse patrimônio agrícola e cultural foi essencial para devolver identidade ao vinho do Etna.


Palmento antigo, que foi restaurado. Divulgação

A vinícola conseguiu resgatar dois vinhedos centenários de valor histórico inestimável, que hoje dão origem a dois vinhos “Etna Rosso Riserva” provenientes exclusivamente desses antigas parcelas. O grande palmento da propriedade, um dos mais imponentes da região, também passou por um longo e minucioso processo de restauração. Mesmo não sendo mais utilizado na vinificação, ele permanece como testemunho vivo da longa tradição vitícola etnea.

Técnica como base da expressão do terroir

Outro pilar fundamental do legado de Giuseppe Benanti foi sua compreensão precoce de que grandes vinhos exigem técnica. Desde o início, ele entendeu que a qualidade começa no vinhedo, com rigoroso controle de rendimentos, e continua na cantina, onde é indispensável contar com instrumentos adequados e equipes altamente qualificadas.

O objetivo sempre foi produzir vinhos de grande limpeza técnica, elegância e precisão. Esse enfoque permite exaltar as características organolépticas das uvas autóctones e levar ao copo uma expressão pura e identitária do Etna. Trata-se de uma verdadeira revolução cultural que, embora difícil nos primeiros anos, mostrou-se decisiva ao longo do tempo, com resultados consistentes e reconhecidos.

Convencer o mercado: um caminho longo e gradual

No início, convencer o mercado italiano e internacional não foi simples. A vinícola ainda não possuía uma longa história empresarial, e embora os vinhos sicilianos fossem relativamente conhecidos, os vinhos do Etna permaneciam uma incógnita.

Além disso, castas como Nerello Mascalese, Nerello Cappuccio e Carricante eram praticamente desconhecidas fora da região, e poucos especialistas conseguiam avaliar seu potencial comercial. Hoje, após quase quarenta safras, a família Benanti afirma ter plena consciência da excelência alcançada por seus vinhos.

Seleção de vinhos da Vinicola Benanti Divulgação

Ciência, pesquisa e hospitalidade

Sob o comando de Antonio e Salvatore, a Benanti segue fiel aos valores herdados do pai, mas com olhar voltado para o futuro. Nos últimos anos, a vinícola investiu fortemente em pesquisa: isolou e patenteou quatro leveduras indígenas do Etna, aprofundou estudos climáticos e está prestes a iniciar um projeto detalhado de análise dos solos de seus cinco vinhedos.

Além disso, a hospitalidade tornou-se parte essencial da estratégia. Todos os dias, visitantes de diversas partes do mundo são recebidos na vinícola, vivenciando de perto o Etna e se tornando embaixadores espontâneos da região.

O Etna e o interesse internacional

O crescente interesse de produtores e investidores estrangeiros pelo Etna é visto com otimismo pelos irmãos Benanti, desde que respeite o território e sua identidade. Para eles, investimentos responsáveis podem fortalecer o “sistema Etna”, trazendo visibilidade, profissionalização e desenvolvimento sustentável, um caminho já trilhado por outras grandes regiões vinícolas do mundo.

Brasil no horizonte

O Brasil ocupa um espaço especial na visão de futuro da Benanti. A vinícola observa um interesse crescente de enófilos brasileiros, que frequentemente visitam a propriedade e demonstram afinidade cultural com os vinhos italianos. A família relata, inclusive, a presença recorrente de sommeliers brasileiros consumindo seus vinhos, muitas vezes adquiridos de forma privada.

A expectativa é encontrar, em breve, um importador no país. Segundo Antonio e Salvatore, o recente acordo estratégico firmado entre União Europeia e Mercosul pode favorecer a exportação do vinho italiano para o mercado brasileiro.

Antonio e Salvatore Benanti Divulgação

Um legado sem atalhos

Para Antonio e Salvatore, a herança deixada por Giuseppe Benanti é inequívoca: não existem atalhos para a qualidade. A qualidade é um modo de viver e de trabalhar. O Etna é uma região excepcional, “condenada” à excelência. Diante de um patrimônio natural tão singular, não há espaço para resultados medianos.

O ensinamento que permanece é claro: trabalhar com paixão, coragem e ambição, sempre olhando adiante, e vendo além.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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