Gabriel García Márquez morre aos 87 anos

Após internação, escritor se recuperava ao lado de familiares em casa

Gabriel García Márquez morre aos 87 anos

García Márquez morre aos 87 anos

García Márquez morre aos 87 anos

Mario Guzman/EFE

Morreu nesta quinta-feira (17), no México, aos 87 anos, o jornalista e escritor Gabriel García Márquez, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura 1982. As informações foram divulgadas pelo jornal espanhol El País e pela imprensa colombiana.

Recentemente, o escritor ficou oito dias internado em um hospital da Cidade do México, em função de uma infecção pulmonar e nas vias urinárias. Ele teve alta médica na última terça-feira (8) e se recuperava junto de familiares em sua casa.

Nesta semana, o jornal mexicano El Universal publicou, citando fontes anônimas, que García Márquez, na verdade, sofria de câncer no pulmão, nos gânglios e no fígado. Em 1999, ele havia superado um câncer linfático. 

O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, confirmou a morte do escritor e se pronunciou via redes sociais. Em seu perfil no Twitter, ele escreveu:

— Mil anos de solidão e tristeza pela morte do maior colombiano de todos os tempos! Solidariedade e condolências à família.

Apelidado carinhosamente de “Gabo” pelos íntimos, o escritor completou 87 anos recentemente, no dia 6 de março. García Márquez sofria de demência senil, embora ainda mantivesse o humor e entusiasmo pela vida.

Em 2009, o escritor declarou aposentadoria e disse que não pretendia escrever mais livros. A informação foi confirmada quando, três anos depois, seu irmão, Jaime García Márquez, noticiou que, embora estivesse saudável, perdeu a memória e não voltará a escrever.

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García Marquez chegou ao México em 1961 e vivia no exclusivo bairro de Jardins do Pedregal com sua mulher, Mercedes Barcha, e era conhecido por ser recluso e frequentar poucas atividades culturais e sociais. Ele deixa dois filhos, Rodrigo García e Gonzalo Barcha.

Especialista em observar o comportamento humano, Gabo é responsável pela criação de personagens com extrema sensibilidade e características humanas inseridas em um realismo fantástico que inspirou escritores como o brasileiro Dias Gomes, morto em 1999.

Gabo por Gabo

Nascido 1927, em Aracataca, na Colômbia, o jornalista e escritor Gabriel José García Márquez, recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1982 pela publicação do romance Cem Anos de Solidão. Lançado em 1967, o livro é considerado sua obra-prima, foi traduzido em 35 idiomas e é reconhecido internacionalmente como um dos textos mais habilidosos escritos em língua espanhola.

No clássico Memórias de Minhas Putas Tristes, Gabo se aventura na ficção, e deixa a dúvida: o velho, em busca de um grande amor, de bordel em bordel, era um personagem, ou o seu retrato fiel de si mesmo? Ninguém escreve ao coronel, Má hora e Amor nos tempos do cólera — que ganhou versão nos cinemas — são outros romances conhecidos de autoria do escritor.

Apaixonado pela prática jornalística, certa vez, o escritor afirmou que “quem não viveu a palpitação sobrenatural da notícia, o orgasmo do furo, a demolição moral do fracasso, não pode sequer conceber o que são”. Entre os anos 1949 e 1960, Gabo trabalhou para diversas publicações colombianas, entre eles, o El Espectador, onde foi repórter e crítico.

Borboletas amarelas

Ao completar 87 anos, no dia 6 de março deste ano, o Nobel de literatura saiu ao meio-dia para saudar os repórteres na porta de sua casa, sorridente e usando um terno cinza oxford e camisa azul claro.

Ele escutou as Mañanitas, tradicional canção de aniversário mexicana, e recebeu um ramo de rosas amarelas, sua cor favorita.

Aos fãs e repórteres no local, sua secretária distribuiu borboletas amarelas de papel, fazendo alusão ao personagem Maurício Babilônia, de Cem Anos de Solidão, que soltava os insetos por onde passava.

Em 87 anos de vida, García Márquez concedeu a seus fãs e admiradores um universo sensível, de imaginação e misticismo. O escritor, que acreditava no “despertar da alma” de cada um, morreu velho, mas não na solidão.