Césio-137: quem é a menina que inspirou a Celeste da série
Saiba a história real da menina Neide das Neves, que inspirou a personagem de Celeste
Bebê Mamãe|Do R7

Com a estreia da série Emergência Radioativa, a história das vítimas do Césio-137 em Goiânia, Goiás, voltou a ser bastante comentada. E uma das histórias dessas vítimas que mais comoveu é a de uma menina de 6 anos que foi contaminada.
Na série, a personagem contaminada se chama Celeste. Mas, na vida real, o seu nome era Leide das Neves Ferreira. A menina foi uma das pessoas que acabaram morrendo em decorrência da contaminação por Césio-137.
A menina Leide das Neves morreu no dia 23 de outubro de 1987 no Hospital Naval do Rio de Janeiro. Ela foi uma das quatro pessoas que faleceram em decorrência da exposição ao contaminante. Esta substância radioativa foi encontrada por catadores em uma clínica de radiologia abandonada em Goiânia em 1987.
Os catadores de material reciclável Roberto dos Santos Alves e Wagner Mota Pereira venderam a sucata contaminada para o dono do ferro-velho Devair Alves Ferreira. E foi Devair quem abriu a peça e começou a distribuir o Césio-137. Ele ficou encantado com o pó brilhante azul.
Uma das pessoas para quem ele deu o Césio-137 foi o seu irmão, Ivo Alves Ferreira. Ele, por sua vez, levou o Césio-137 para a filha, a menina Leide. A pequena acabou comendo um pão com as mãos sujas de Césio-137 e assim passou a ter contato com uma quantidade muito grande de radiação.
Causa da partida da menina Leide das Neves
A menina Leide das Neves chegou a ser levada ao Hospital Naval do Rio de Janeiro para melhor tratamento, mas infelizmente não resistiu. Na época, o diretor da Divisão de Saúde da Marinha, Almirante Almihay Burlá, falou sobre a morte da criança.
Ele disse como Leide chegou ao hospital e como ficou com o passar dos dias. “Leide ainda era uma menina alegre, que brincava com as várias bonecas que recebeu de presente. Mas seu estado geral foi piorando e, no final, ela estava apática, totalmente desinteressada.”
O Almirante também afirmou que ela morreu em decorrência de uma parada cardíaca e respiratória, porém, ressaltou: “O que matou mesmo foi a radiação”. Além de Leide também morreram a esposa do dono do ferro-velho, Maria Gabriela Ferreira.
Maria Gabriela foi a primeira a morrer, seguida da menina Leide, que partiu horas depois. Ainda em outubro morreram Israel Batista dos Santos, de 20 anos, e Admilson Alves de Souza, de 18, que trabalhavam no ferro-velho.
Já nos anos que se passaram, de acordo com a Associação das Vítimas do Césio 137, mais de cem pessoas morreram devido ao acidente nuclear. Uma das pessoas que morreu foi o dono do ferro-velho, Devair. Ele chegou a sobreviver aos efeitos imediatos da radiação, mas teve depressão, alcoolismo e acabou morrendo em 1994, por cirrose hepática. O pai da menina Leide, Ivo, passou a fumar em excesso e morreu de enfisema pulmonar.
O irmão e a mãe de Leide sobreviveram. Atualmente, aos 52 anos de idade, o irmão de Leide, Lucimar, continua enfrentando problemas de saúde. A mãe de Leide relatou que Lucimar tem problemas de saúde nos dois pulmões e, em 2001, chegou a sofrer três paradas cardíacas.
Infelizmente, até mesmo o enterro de Leide foi difícil. Isto porque, no seu enterro em Goiânia, aconteceu um protesto de milhares de pessoas que afirmaram que o corpo da pequena Leide poderia contaminar o solo. A criança então foi sepultada dias depois em um caixão de chumbo lacrado.


















