Carnaval 2020 Alessandra Negrini rebate críticas por desfilar pintada de índia

Alessandra Negrini rebate críticas por desfilar pintada de índia

Atriz relembrou polêmica e, ainda, ressaltou a importância de se discutir as violências sofridas pelo povo indígena em balanço publicado nas redes sociais

  • Carnaval 2020 | Do R7

Alessandra Negrini fez um balanço do Carnaval 2020, nesta segunda-feira (2), em publicação nas redes sociais. A atriz, que chegou a ser criticada por desfilar vestida de índia durante o pré-carnaval de São Paulo, relembrou a polêmica e, ainda, ressaltou a importância de se discutir as violências sofridas pelo povo indígena no Brasil. 

A musa do Acadêmicos do Baixo Augusta, um dos blocos mais badalados da capital paulista, escreveu um longo texto no Instagram. A atriz começou exaltando a felicidade com o resultado da folia. “Carnaval é cultura e cultura é resistência. Carnaval é alegria e alegria é resistência. Eu estou especialmente feliz pela experiência que vivi e agradeço àqueles que me ajudaram a furar a bolha, levantando questões”, disse.

Alessandra ressaltou também a necessidade de se questionar os motivos que levaram as críticas por ter desfilado com o corpo pintado. “Trata-se de entender por que o fato de eu ter tido meu corpo pintado por um compatriota indígena e desfilado ao lado de representantes dos nossos povos originários, tenha causado tamanho furor. Entender por que a luta indígena parece ser algo que não nos diz respeito apesar de termos aprendido na escola que somos um povo miscigenado e que nas nossas veias corre sangue indígena”, completou.

Veja a publicação completa na rede social 

Ver essa foto no Instagram

Carnaval é cultura e cultura é resistência. Carnaval é alegria e alegria é resistência. Eu estou especialmente feliz pela experiência que vivi e agradeço àqueles que me ajudaram a furar a bolha, levantando questões. Trata-se de saber quem somos nós diante da nossa brasilidade, até onde somos brancos, negros, indígenas e até onde somos livres e capazes de nos identificarmos uns com os outros para além dos nossos selfs  das redes sociais. Trata-se de entender por que o fato de eu ter tido meu corpo pintado por um compatriota indígena e desfilado ao lado de representantes dos nossos povos originários, tenha causado tamanho furor. Entender por que a luta indígena parece ser algo que não nos diz respeito apesar de termos aprendido na escola que somos um povo miscigenado e que nas nossas veias corre sangue indígena. Estamos vivendo um país onde a disputa ideológica passou a importar mais do que a realidade e as palavras de ordem/ hashtags passaram a ditar o que devemos pensar segundo as bolhas às quais orgulhosamente pertencemos. Como podemos ficar calados quando só em 2019, 138 lideranças indígenas foram assassinadas? Não é o seu lugar de fala? Sinto muito, é o meu. Como discutir apropriação cultural diante de um cenário de extermínio? De novo, a ideologia não pode estar à frente da realidade. Há conceitos importantes que sustentam lutas legitimas, mas que não se aplicam todos os contextos . Temos que ter discernimento.#indionaoéfantasia. Não, não é, mas se nada for feito, o será em breve, porque só vai existir na imaginação dos seus netos. Precisava ir vestida de indígena pra protestar? Não, poderia ter ido ao Xingu, participado de alguma manifestação e postado para alguns amigos da bolha e você nem ia ficar sabendo. Porque estamos perdendo a capacidade de nos identificarmos uns com os outros enquanto brasileiros? De qualquer forma, se o meu gesto carnavalesco moveu algum ar para além de mim, fico satisfeita . Continuo achando que se colocar no lugar do outro significa empatia E, finalmente , continuo desempenhando meu papel de atriz, usando meu corpo como instrumento de trabalho, para que se apropriem dele através de suas tintas, fantasias, medos e paradoxos.

Uma publicação compartilhada por Alessandra Negrini (@alessandranegrini) em

Últimas