Violência faz São Paulo mudar trajetos de blocos no último dia

Trajetos que passavam na avenida Luís Carlos Berrini e rua Henrique Schaumann foram alterados, após casos de violência nestes locais

Apresentação do Bloco da Cantora Anitta na região do Parque do Ibirapuera

Apresentação do Bloco da Cantora Anitta na região do Parque do Ibirapuera

FABRICIO BOMJARDIM/THENEWS2/ESTADÃO CONTEÚDO


A Prefeitura de São Paulo mudou o trajeto de blocos previstos para desfilar neste fim de semana na Avenida Luís Carlos Berrini na zona sul, e na Rua Henrique Schaumann, na zona oeste. Os dois locais tiveram casos de violência, com disparos de arma de fogo, no pré-carnaval e durante a folia da semana passada.

Em nota, a gestão Bruno Covas (PSDB) disse ter reavaliado os trajetos do pós-carnaval em relação a três blocos. A administração municipal disse que a decisão foi tomada em conjunto com a Polícia Militar para “promover melhor segurança e conforto”.

De acordo com a Prefeitura, as reuniões após “os desfiles são de praxe para avaliar o que deu certo e o que precisa de ajuste para os próximos eventos”. A Polícia Militar confirmou que foi uma decisão conjunta “para oferecer melhor estrutura”.

Mudou de local ontem o bloco Kebradeira, previsto para ocorrer na Henrique Schaumann e passou para a Avenida Hélio Pelegrino. Para a mesma avenida foi deslocado para este domingo (10) o bloco Vou de Táxi que antes estava na Berrini. O terceiro bloco a sofrer alteração foi o Kaya na Gandaia, que saiu da Berrini para fazer a folia no sábado (29) na região central da cidade.

Em sua página na internet, o Vou de Táxi comentou a mudança. “O trecho do desfile é curto, porém amplo, arborizado, bonito e aparentemente mais seguro.” Já o Kaya na Gandaia disse que a mudança foi um “desafio gigante” de logística. “Mas estamos encarando essa missão com a mesma garra e fé que caracterizam nosso bloco.”

Problemas

Os trajetos originalmente previstos registraram casos de violência. Um policial civil reagiu, com tiros, a uma tentativa de assalto na Berrini no domingo, dia 16 de fevereiro. Cinco pessoas foram baleadas - incluindo três foliões do local. Na terça-feira passada, um homem e uma jovem (foliã) foram baleados em outra reação a assalto, na Schaumann.

O ferido é o autor da tentativa de furto, que foi socorrido e preso. A outra vítima é uma jovem de 17 anos que curtia o bloco. A Secretaria da Segurança Pública destacou que, durante a Operação Carnaval Mais Seguro, 1,5 mil pessoas foram detidas.

Vírus preocupa, mas não para folia

Entusiastas do Carnaval de rua têm hoje para se despedir da folia paulistana. Segundo a programação da Prefeitura, 74 blocos percorrem as vias da capital e não há perspectiva de queda de público, mesmo com o avanço de casos do coronavírus.

O bloco da Anitta, que desfila tradicionalmente no Rio, pediu passagem, às 9 horas, na região do Ibirapuera, zona sul de São Paulo. É a primeira vez que a cantora de funk traz seu bloco para a capital paulista - e promete participações especiais em quatro horas. Entre as demais atrações está o trio elétrico da cantora Preta Gil, também no Ibirapuera.

Para as crianças, a Orquestra Voadora, que se apresenta no Carnaval do Rio, também desembarcará nas ruas do centro à tarde. O encerramento da folia ficará por conta da cantora Daniela Mercury. Seu tradicional bloco, o Pipoca da Rainha, vai descer a Rua da Consolação, a partir das 12 horas, ao som de hits do axé baiano. No ano passado, a festa de Daniela atraiu 800 mil foliões.

Aglomeração

Nem o alerta sobre o novo coronavírus, cujo segundo caso confirmado do País foi registrado na cidade de São Paulo, deve fazer paulistanos e turistas evitarem as multidões durante o pós-carnaval. É o caso da publicitária Lucineide Fonseca, de 25 anos, que pretende conferir o show da Anitta. “Acho que as pessoas estão muito assustadas, e não precisa desse alarme todo.”

Mas não é preciso evitar aglomerações? Especialistas dizem Que a transmissão da doença vinda da China é possível, com a chegada de viajantes de áreas onde já há surto, mas a chance maior é de contrair outros vírus respiratórios mais comuns, como a influenza (gripe).

Nancy Bellei, infectologista da Universidade Federal de São Paulo, diz que a disseminação da influenza deve aumentar nas próximas semanas. Para quem vai para a rua, é preciso ter cuidados, como se afastar de quem tosse ou espirra. “Em ambiente aberto, como blocos, a questão é mais o contato próximo. Com gotícula, secreção, o contágio é mais difícil do que em ambientes fechados.” Também para o virologista Pedro Vasconcelos o risco em aglomerações é maior para outros vírus, como sarampo e influenza.