R7 já viu: sem apelar, Como Não Perder Essa Mulher fala de pornografia na internet de jeito divertido
Filme é dirigido, escrito e protagonizado pelo galã Joseph Gordon-Levitt
Cinema|Felipe Gladiador, do R7

Jon Martello é um homem charmoso que, apesar dos hábitos simples, tem um carrão, um apartamento legal e consegue qualquer mulher em que coloca os olhos. Mesmo assim, apenas uma coisa o deixa satisfeito: pornografia. É assim que conhecemos o personagem principal de Como Não Perder Essa Mulher, filme de comédia escrito, dirigido e protagonizado por Joseph Gordon-Levitt, galã de filmes como A Origem, 500 Dias com Ela e Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge.
Em sua primeira empreitada como diretor e roteirista, o ator se dá bem, porque encara temas polêmicos de maneira divertida e com um tom de humor bastante irônico.
Logo no início do filme, a tela é bombardeada de imagens de garotas de vídeos pornôs, revistas masculinas e programas de TV sensuais. Percebemos então que Jon é o típico conquistador que sempre quer uma garota diferente, mas que nunca se contenta com nenhuma delas. Ele as classifica por notas e acaba comparando todas elas com as atrizes dos filmes que assiste repetidamente.
James Franco faz piada erótica com Batman e deixa fãs chocados nas redes sociais
Viciado em pornografia, ele se masturba diversas vezes ao dia, inclusive depois de fazer sexo com as garotas que conhece na balada. Em uma das noitadas, no entanto, ele conhece Barbara, única mulher que parece preencher seus ideais de perfeição. Coincidentemente ou não, essa mulher é vivida por Scarlett Johansson, considerada uma das atrizes mais belas do mundo. Só que ela parece ser a única garota que não vai ser tão fácil assim de conquistar.
No meio da história, conhecemos também Esther, colega de faculdade de Jon vivida por Julianne Moore. Madura e misteriosa, ela se aproxima dele e se torna uma espécie de conselheira.
As atuações do filme estão impecáveis. Gordon-Levitt faz o bonitão que usa camisetas regatas brancas, gel no cabelo penteado para traz e fala com muitos gestos. Os pais dele, vividos por Tony Danza e Glenne Headly, arrancam muitas risadas por incorporarem os típicos ítalo-americanos que falam alto, têm as emoções à flor da pele, mas se amam muito. Scarlett Johansson mostra mais uma vez que, além de absurdamente linda, atua muito bem.
Julianne Moore é, no entanto, o grande destaque. Sua personagem começa pequena, mas vai crescendo ao longo do filme e nos intriga por ter um passado desconhecido. A ruiva é responsável pela cena mais emocionante da comédia, que também tem suas cenas bastante dramáticas.
De religiosa fanática a sedutora misteriosa. Julianne Moore se destaca em dose dupla
É interessante a forma como Gordon-Levitt trata de assuntos como machismo, sexo e até mesmo religião. Jon poderia sim ser o típico machista que trata as mulheres como objetos, mas o personagem é bem mais denso e cheio de camadas. Percebemos isso pela ligação que ele tem com seus traumas e como usa a religião para se punir por seus “pecados”.
Com leveza e aquele tom irônico mencionado acima, ele protagoniza a cena mais engraçada do filme, fazendo uma piada com religião e as orações dadas pelo padre como forma de Jon se redimir por tudo o que faz.
Através do vício de Jon, somos levados a refletir também sobre o mundo de fantasias e falsas perfeições da indústria pornográfica e de entretenimento. Até que ponto o que vemos é real e não apenas um produto?
O que parece ser uma comédia besteirol é, na verdade, uma história divertida, cheia personagens que nos fazem lembrar de tipos reais que passaram ou estão em nossas vidas como o garanhão que pega todas, a mãe que só quer ver o filho casado com uma “boa moça”, a patricinha mimada que consegue tudo o que quer e por aí vai.
Não é só "American Pie"! Veja outros filmes em que os adolescentes passam dos limites
Por mais que o filme tenha seus erros, como algumas partes meio arrastadas, e mesmo que não seja recomendado para todos os públicos, é um ótimo entretenimento e Gordon-Levitt merece ser parabenizado por sua coragem em tratar de tantas coisas “tabu” em um único filme.
O título original do filme é Don Jon, fazendo uma clara referência ao clássico personagem sedutor da literatura, Don Juan. Só que Don Jon não é nenhum Don Juan, é apenas um cara como outro qualquer, com medos, vícios, paixões e vontade de levar a vida com prazer.















