Música Made in Brazil relembra 50 anos: "Fomos perseguidos pela ditadura"

Made in Brazil relembra 50 anos: "Fomos perseguidos pela ditadura"

Grupo dos irmãos Vecchione ganhou exposição no Centro Cultural SP

  • Música | Daniel Vaughan, do R7

Made in Brazil: 50 anos fazendo rock´n´roll

Made in Brazil: 50 anos fazendo rock´n´roll

Divulgação

O Made in Brazil está comemorando 50 anos ininterruptos de rock.

Para festejar a data, o grupo preparou vários presentes para os fãs. Entre as surpresas, estão uma exposição, um documentário e registros ao vivo.

Esta semana, a banda abriu a mostra sobre a carreira no Centro Cultural São Paulo, na capital paulista. Além dos objetos e raridades que estão sendo exibidos, o Made in Brazil ainda fará shows no mesmo local neste sábado (4) e domingo (5), com diversos convidados especiais (veja serviço abaixo). Durante os dois dias, estão agendadas a exibição do primeiro corte do filme e debates com o vocalista e baixista Oswaldo Vecchione. 

"A gente era contra o sistema só pelo fato de ser cabeludo"

Oswaldo Vecchione

Oswaldo encontrou o R7 na exposição Viva Made in Brazil. Ele está celebrando o importante momento.

— É emocionante chegarmos ao 50 anos vivos e muito bem. A gente poderia estar se "arrastando" por aí, mas muito pelo contrário, a banda está mais produtiva do que nunca. E estamos recebendo diversas homenagens.

Capa do clássico Jack, o Estripador, de 1976

Capa do clássico Jack, o Estripador, de 1976

Reprodução/CD

Oswaldo e o irmão e guitarrista Celso Vecchione são os únicos integrantes originais. E entre as curiosidades que o grupo acumula desde 1967, estão mais de 200 variações de formações ao longo dessas cinco décadas consecutivas de estrada. O líder relembra que figuras importantes também passaram pelos shows.

— Na turnê do disco Jack Estripador (1976), no Rio, o Ney Matogrosso fez vocais de apoio para gente, enquanto o Roberto de Carvalho tocou guitarra, antes dele se casar com a Rita Lee.

Oswaldo e o irmão Celso na exposição do grupo

Oswaldo e o irmão Celso na exposição do grupo

Divulgação/Marcos Kiyo

Mas nem tudo foi divertido na vida dos rockers paulistanos. Na época da ditadura militar no Brasil (1964 - 1985), o Made sofreu pressão apenas pelo fato de fazer rock'n'roll.

— Fomos perseguidos! Os quatro primeiros discos tiveram músicas censuradas e eu fui chamado diversas vezes à polícia federal para prestar declarações sobre minhas composições. Era horrível, pois ninguém falava nada e nem havia justificativa para tais proibições. 

Apesar do clima tenebroso no País, a banda ainda provocou os censores quando tentou lançar o disco Massacre, em 1977. Além do título desafiador, Oswaldo inventou de montar um tanque de guerra fictício no palco. Claro que a ideia foi parar na polícia.

— Nosso álbum foi gravado, mas não saiu na época... só conseguimos mostrá-lo para os fãs muitos anos depois (em 2006). E turnê também foi proibida. Na inauguração, o DOPS (Departamento de Ordem Política e Social, 1924 - 1983) interditou a rua do espetáculo, pois eles haviam visto nossos cartazes do show com o tanque. Daí, eles confiscaram nosso equipamento por um tempo, lacraram o teatro e ainda tivemos que tocar só para os censores verem o que tínhamos programado. Corremos um risco enorme com isso, mas pelo menos saímos vivos dessa.

A banda com o produtor Ezequiel Neves (de óculos)

A banda com o produtor Ezequiel Neves (de óculos)

Arquivo pessoal/Oswaldo Vecchione

A incrível jornada do grupo paulistano também é marcada pelo descobrimento do estilo no País. Oswaldo relembra que ser roqueiro não era fácil nos anos 60 e 70.

— Sabe como é, na época, você já era contra o sistema só pelo fato de tocar rock, ser cabeludo e usar roupas chamativas. E era difícil até arrumar equipamentos para se apresentar. Teve muita banda que não fez carreira por falta de infraestrutura.

"Nos apresentamos em lugares onde um grupo de rock nunca havia passado"

Oswaldo Vecchione

Mesmo com a chegada dos 50 anos, Oswaldo garante que o Made in Brazil ainda tem muita lenha para queimar.  

— Nesses anos todos, a gente já se apresentou em lugares onde um grupo de rock nunca havia passado. E até hoje é assim. Nós iremos aonde os fãs quiserem... é só chamar! 

Comemorações do Made in Brazil no CCSP:

Exposição Viva Made in Brazil
Onde:
CCSP - Rua Vergueiro 1000, Paraíso - SP (espaço Flávio Império)
Quando: Até o dia 5 de novembro
Horários: Sábado, das 9h às 21h; e domingo, das 9h às 20h
Quanto: Grátis (sem necessidade de retirada de ingressos)
Contato: (0xx11) 3397-4002

Shows da banda Made in Brazil
Quando:
Sábado (04), às 19h. Show acústico com os convidados João Gordo (Ratos de Porão), Serguei, Netinho (Incríveis), Theo Werneck e ex-integrantes históricos
Quando: Domingo (05), às 18h. Show elétrico com os convidados Eduardo Araujo, João Gordo (Ratos de Porão), Pompeu (Korzus), Clemente (Inocentes), Serguei, Netinho (Incríveis) e ex-integrantes históricos
Onde: CCSP - Rua Vergueiro 1000, Paraíso - SP (sala Adoniran Barbosa)
Quanto: Grátis. A bilheteria será aberta duas horas antes do início da apresentação para a retirada de ingressos, que não estarão disponíveis pela internet (cada pessoa poderá retirar um par)
Contato: (0xx11) 3397-4002

Bate-papo com a banda
Quando:
Sábado (04) e domingo (05), às 16h
Onde: CCSP - Rua Vergueiro 1000, Paraíso - SP (sala Adoniran Barbosa)
Quanto: Grátis. A bilheteria será aberta duas horas antes do início do bate-papo para a retirada de ingressos, que não estarão disponíveis pela internet (cada pessoa poderá retirar um par)
Contato: (0xx11) 3397-4002

Exibição do documentário Made in Brazil – O Filme
Quando:
Domingo (05), às 16h
Onde: CCSP - Rua Vergueiro 1000, Paraíso - SP (sala Adoniran Barbosa)
Quanto: Grátis. A bilheteria será aberta duas horas antes do início da exibição para a retirada de ingressos, que não estarão disponíveis pela internet (cada pessoa poderá retirar um par)
Contato: (0xx11) 3397-4002

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