O que aprendi em 12 horas no Lollapalooza 2014
Maratona começou no sábado e continua neste domingo no Autódromo de Interlagos
Música|Juliana Zorzato, do R7

Sempre achei festival coisa de gente corajosa. Os lugares escolhidos são sempre contra mão, o estacionamento é caro, poucos banheiros (e imundos), cerveja quente, ingressos a preços exorbitantes e, por fim, são tantas bandas que acabam misturando gente que nem sabe o que está fazendo lá. Perry Farrell, dono do Lollapalooza, disse aqui em São Paulo, em coletiva de imprensa em outubro, que o motivo do festival é fazer as pessoas felizes. Isso inclui transporte funcionando, boa comida, muito espaço e, claro, muita música nos dias 5 e 6 de abril.
Mesmo sendo uma odisseia, fui trabalhar e ver se Farrell estava certo. Saí da redação do R7, na Barra Funda, às 11h30 direto para Interlagos. Segui o roteiro como indicado no site do Lollapalooza e fui até o metrô Barra Funda. Pedi informação, peguei o trem, fiz baldeação e também amigos. Todos muito jovens, primeira vez em festival - alguns deles, primeiro show! Tudo funcionando bem. Na chegada da estação Autódromo, vários fãs apressados para curtir o festival, sem se importar muito com quem subiria ao palco. Três amigas confessaram que não conheciam nenhuma banda, mas estavam indo mesmo para ‘curtir o dia no lounge’.
Entro às 14h. Primeira banda que consigo ver está no palco Onix, Cage the Elephant. A posição do palco junto à estrutura do autódromo coloca todo mundo em posição privilegiada. A banda entra animada. Matt Shultz, o vocalista, se joga na plateia logo no começo do show. Isso foi o suficiente para esquentar os fãs colados na grade que chegaram às quatro da manhã. Mas não tinha só fã espremido, não. Tinha gente curtindo o show espalhada pra todo lado, sentados, namorando, conversando, andando. Na multidão, maioria jovens, roupas alinhadas e muitas tiaras de flores na cabeça. Penso comigo, mas tinha Lana Del Rey no line up? Uma das moças me explica que isso não é só pela Lana, mas é uma tendência do Lolla pelo mundo. Para valorizar a produção. Acredito e elogio o visual. Que aliás, a moçada caprichou.
Mais voltas, mais conversa, fotos e gente chegando.
Hora da Lorde, uma das mais aguardadas junto com Imagine Dragons e Muse. Pontualmente às 18h30 entra a moça. Eu, bem perto do palco, não vi empolgação. Só consegui prestar atenção na forma estranha que ela dançava. Saindo de lá, começa a ficar mais difícil de andar, gente chegando de todo lado. E foi andando de um palco para o outro, batendo perna, que percebi que as bandas, o show, as músicas, para a maioria dos jovens que encontrei por lá, são apenas itens do festival. A banda deixou de ser o motivo central para estarem ali. Nada daquela loucura para ver o ídolo.
A palavra é descontração. Ninguém tinha pressa. Sair de uma palco para o outro e andar muito, pagar R$ 9 por uma cerveja, pegar fila para o banheiro (que estava funcionando bem pela quantidade de gente), ou pagar caro para comer um sanduíche, nada disso pareceu importar essa nova geração que vai curtir festival. Conversei com muita gente feliz e satisfeita. Levar uma grana, usar protetor solar e um sapato bem confortável, pelo visto, são alguns poucos cuidados para aproveitar. Nem o cansaço de andar muito parece incomodar. Exceto pelas bolhas nos pés, curiosidade que uma funcionária do posto médico contou ser o maior motivo de procura de atendimento.
O único momento em que me lembrei que estava num show foi à espera do Muse. De qualquer lugar que olhasse, tinha gente. Uma cena de arrepiar. De acordo com a assessoria de imprensa do festival, os 80 mil ingressos foram vendidos, mas a impressão é que tinha muito mais. Às 21h30, a comprovação do Muse como a grande estrela da noite. Na reta final da maratona, voltando para a sala de imprensa depois de a banda botar fogo na plateia fazendo todo mundo gritar com Lithium, do Nirvana, descobri que o Lollapalooza é muito mais que um festival de música. Lollapalooza é um lugar perfeito para encontrar e fazer novos amigos. E fazer amigos sempre me deixa feliz. Perry Farrell acertou na mosca.















