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Césio-137 em Goiânia: como foi acidente e o que aconteceu com as vítimas

Acidente radioativo é o maior já registrado na história do Brasil

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O acidente com o Césio-137 em Goiânia ocorreu em setembro de 1987, quando um aparelho de radioterapia foi manuseado indevidamente.
  • Centenas de pessoas foram contaminadas após o rompimento da cápsula que liberou o material radioativo.
  • Quatro pessoas morreram diretamente em decorrência do acidente, incluindo uma criança de 6 anos.
  • Mais de cem pessoas faleceram nos anos seguintes por complicações relacionadas ao acidente, conforme dados da Associação das Vítimas do Césio-137.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Menina de 6 anos está entre as vítimas diretas do Césio-137 Reprodução/YouTube/Record

O ano de 1987 ficou marcado na história do Brasil com o acidente do Césio-137, o maior já registrado no país. O manuseio indevido de um aparelho de radioterapia abandonado gerou um acidente que envolveu centenas de pessoas em Goiânia (GO).

A tragédia teve início no dia 13 de setembro, após os catadores Wagner Mota Pereira e Roberto Santos Alves retirarem o equipamento, utilizado no tratamento contra o câncer, de um prédio abandonado onde antes funcionava o Instituto Goiano de Radioterapia (IGR). O lacre da cápsula foi rompido, liberando o Césio-137, um pó que emitia um intenso brilho azul no escuro.


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A abertura da cápsula provocou a contaminação de diversos locais, especialmente aqueles onde o material foi manipulado e para onde foram levadas as partes do aparelho de radioterapia.

Em 18 de setembro de 1987, a peça foi vendida a um ferro-velho. Devido ao valor financeiro considerado alto, o dono do estabelecimento, Devair Alves Ferreira, repassou fragmentos a outros dois depósitos. Encantado com o brilho azul emitido pelo Césio-137, ele também distribuiu pequenas porções da substância a parentes e amigos. A manipulação do material rapidamente provocou sintomas como náuseas e vômitos.


A suspeita de que o pó radioativo estaria por trás dos sintomas partiu de sua esposa, Maria Gabriela. Em 28 de setembro, ela levou a cápsula, dentro de uma sacola plástica, até a Vigilância Sanitária de Goiânia, uma atitude que evitou uma contaminação ainda maior.

Em 29 de setembro, o físico Walter Mendes confirmou os altos níveis de radiação com um detector, o que deu início ao isolamento das áreas afetadas.


Com a confirmação, o governo de Goiás, em parceria com autoridades federais e especialistas em energia nuclear, auxiliou na descontaminação de locais afetados e o monitoramento da população exposta.

O Estádio Olímpico, que atualmente abriga o Centro de Excelência do Esporte, foi transformado em base de triagem durante a crise. Na ocasião, mais de 100 mil pessoas passaram pelo local para exames e monitoramento.


O Hospital Geral de Goiânia (HGG) também teve papel fundamental no atendimento às vítimas, com a criação de uma ala específica para radioacidentados.

Relembre as vítimas do Césio-137

De acordo com dados oficiais do governo, quatro pessoas morreram em decorrência direta do acidente.

Entre elas estava Leide das Neves Ferreira, de 6 anos, sobrinha de Devair. A menina foi a mais afetada após brincar com o pó de Césio-137 e ingerir partículas da substância. Ela morreu em 23 de outubro de 1987 e foi enterrada em um caixão de chumbo de cerca de 700 quilos, utilizado para conter a radiação.

Também faleceu Maria Gabriela Ferreira, esposa de Devair Alves Ferreira e responsável por levar a cápsula à Vigilância Sanitária. Ela adoeceu poucos dias após o contato com o material e morreu na mesma data que Leide, aos 37 anos.

Israel Batista dos Santos, de 20 anos, funcionário do ferro-velho que participou da remoção do chumbo da fonte radioativa, morreu em 27 de outubro. Já Admilson Alves de Souza, de 18 anos, que também trabalhava no local e manipulou o material, faleceu em 28 de outubro.

Outros envolvidos sobreviveram aos efeitos imediatos da radiação, mas enfrentaram consequências graves ao longo dos anos. Devair Alves Ferreira enfrentou depressão e alcoolismo no período posterior ao acidente e faleceu em 1994, vítima de cirrose hepática.

Ivo Alves Ferreira, pai de Leide, também viveu por anos com problemas de saúde após o episódio e morreu cerca de 15 anos depois, em decorrência de enfisema pulmonar agravado pelo uso excessivo de cigarro.

Odesson Alves Ferreira, irmão de Devair, sobreviveu à contaminação nas mãos e passou a atuar na defesa dos direitos das vítimas. Já Roberto Santos, um dos catadores que encontraram a cápsula com o material radioativo, conviveu com sequelas ao longo da vida.

Segundo a Associação das Vítimas do Césio-137, mais de cem pessoas morreram nos anos seguintes em decorrência de complicações relacionadas ao acidente.

O que aconteceu após o acidente?

Os rejeitos do Césio-137 foram enterrados no Centro Regional de Ciências Nucleares do Centro-Oeste (CRCN-CO), em Abadia de Goiás (GO), onde cerca de 6 mil toneladas de material radioativo estão armazenadas em contêineres de concreto.

O local também serviu de destino para todo o material recolhido durante a descontaminação, como objetos pessoais. Mesmo com a redução da radiação, os riscos só devem desaparecer completamente após cerca de 200 anos, apontam os pesquisadores.

Já o antigo Instituto Goiano de Radioterapia (IGR) foi demolido, dando lugar ao Centro de Convenções de Goiânia. A área passou por intervenções para conter a radiação, incluindo o uso de concreto e o isolamento do solo. Apesar das transformações, o local segue sendo lembrado como o principal foco da contaminação.

O acidente com o Césio-137 expôs falhas na fiscalização de materiais radioativos no Brasil, levando ao fortalecimento das normas de controle desse tipo de substância. A história inspirou a série Emergência Radioativa, lançada neste mês pela plataforma de streaming Netflix.

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