Pop Como o projeto Avantasia conseguiu reunir uma "seleção mundial" do rock pesado em turnê mundial

Como o projeto Avantasia conseguiu reunir uma "seleção mundial" do rock pesado em turnê mundial

Tobias Sammet comenta o novo álbum Ghostlights e a turnê que chega ao Brasil em abril

  • Pop | Tiago Alcantara, do R7

O cantor e compositor Tobias Sammet apresenta seu projeto de ópera metal no Brasil em abril

O cantor e compositor Tobias Sammet apresenta seu projeto de ópera metal no Brasil em abril

Reprodução/Facebook/Avantasia

Aos 22 anos, o alemão Tobias Sammet já havia conquistado o que vários músicos e fãs de heavy metal só poderiam sonhar: gravar um álbum com vários dos seus maiores ídolos. Mais do que isso, a mente por trás da ópera metal Avantasia foi além e transformou esse "dream team de metaleiros" em um espetáculo que se prepara para sua quinta turnê mundial.

O vocalista conversou com o R7 sobre as principais faixas de Ghostlights, sétimo álbum da ópera metal, lançado no final de janeiro. Sammet comemora os resultados expressivos nas paradas musicais da Europa e Ásia - onde o metal melódico com corais e partes sinfônicas é mais apreciado - e, com bom humor, explica a razão para criar faixas mais longas e ousadas, sem se importar com a audiência de rádios comerciais.

— Não vamos tocar nas rádios comerciais de jeito algum. Então, não precisamos nos preocupar.

Em 2013, o Avantasia se apresentou em São Paulo e empolgou o público. Confira o clipe de Mistery of the Blood Red Rose, primeiro single de Ghostlights:

O principal compositor e cantor do Avantasia, que também é líder da banda Edguy, revela que nunca poderia sonhar com os resultados do projeto. Tobi, como gosta de ser chamado, tinha apenas a esperança de "vender o suficiente para pagar pelo estúdio". Em Ghostlights, Sammet divide os vocais com Dee Snider (Twisted Sister), Marco Hietala (Nightwish), Michael Kiske (ex-Helloween, Unisonic), Jorn Lande (ex-Masterplan) e Geoff Tate (ex-Queensrÿche, Operation: Mindcrime), dentre vários outros.

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Leia os principais trechos da entrevista com Tobias Sammet, criador do Avantasia, que volta aos palcos brasileiros no dia 24 de abril, em show que será realizado no Espaço das Américas, na zona oeste de São Paulo.

Divulgação/Arte R7

R7 - Como tem sido a resposta do público para o novo disco?

Tobias Sammet - Eu estava bastante confiante quando terminamos as gravações, senti que havia algo bom. Mas, é incrível que nós entramos nas paradas em vários lugares pelo mundo - até mesmo nos Estados Unidos. Nós não vendemos mais muitas cópias físicas nos EUA. Isso acabou, você vende alguns milhares. Mas, incluindo tudo, o streaming e etc, mesmo nos EUA, não estamos mal. Nós conseguimos ótimas colocações na Europa, em todos os lugares. Na Alemanha, nós ficamos em segundo lugar nas paradas. No Japão, o álbum está indo bem também. E a resposta é incrível, é uma recompensa. Na Amazon da Alemanha, o disco tinha mais de 100 reviews com 5 de 5 estrelas depois de três dias do lançamento. Isso é o que importa mais, quando seus fãs dizem "obrigado". Isso importa muito mais do que a opinião da imprensa.

R7 - Uma das músicas que se destacam em Ghostlights é Let the Storm Descend Upon You, que tem 12 minutos e é uma faixa mais longa. Foi difícil produzir essa música?

Sammet - Tenho que ser honesto. Pessoalmente, é difícil dizer algo importante em apenas algumas palavras (risos). Gosto de Let the Storm Descend Upon You porque ela tem quatro vocalistas envolvidos. Ela é uma faixa cheia de energia. É assustadora, operática e até extravagante. A música não deveria ser tão longa, a ideia era que ela fosse uma faixa normal, com seis minutos ou algo assim. Pensei que seria legal ir construindo um clima de forma lenta. Assim como o compositor Richard Wagner, que pegava todo o tempo do mundo para criar uma passagem musical. Ele [Wagner] dava a canção todo o tempo necessário e eu queria fazer algo parecido.

São três ou quatro minutos até o primeiro refrão, isso é insano para um hit de rádio. Mas, de qualquer forma, nós podemos fazer o que for, porque não vamos tocar nas rádios comerciais de jeito algum. Então, não precisamos nos preocupar com isso.

Sammet (esquerda) e Jorn Lande, um dos convidados de Avantasia...

Sammet (esquerda) e Jorn Lande, um dos convidados de Avantasia...

Reprodução/Facebook/Avantasia
E ao lado do vocalista Michael Kiske (Unisonic, ex-Helloween)

E ao lado do vocalista Michael Kiske (Unisonic, ex-Helloween)

Reprodução/Facebook/Avantasia

R7 - Outra novidade do álbum é a volta do vocalista norueguês Jorn Lande. Como é trabalhar com ele?

Sammet - É formidável ter o Jorn de volta, ele é um vocalista incrivelmente talentoso. Ele é uma aberração da natureza. Você o chama para o estúdio e, eu não o via por quatro ou cinco anos e ele já sabia as músicas, tinha as letras impressas e ele passa elas duas ou três vezes e grava. E acerta em cheio! Em 20 minutos ele consegue gravar uma música. E, falando como cantor, estar do lado do Jorn não é algo que faz lá muito bem para o seu ego (risos). Mas, algumas vezes, é ótimo ter esse tipo de lição de humildade.

R7 - Parece que você não liga muito para o ego, não é mesmo? Afinal, a faixa Ghostlights tem Jorn e Michael Kiske...

Sammet - É claro que se eu tivesse algum problema com estar rodeado de bons vocalistas, Avantasia não seria o projeto certo a se fazer. Eu sou muito agradecido porque cada cantor tem algo para oferecer e Michael Kiske consegue fazer uma série de coisas que eu não consigo. Eu sei que posso fazer algumas coisas que o Michael não consegue e todos têm algo único. Isso é incrível, porque não é uma corrida, não estamos nos Jogos Olímpicos. Eu tenho total consciência de que estou ao lado de cantores surpreendentes.

R7 - Um dos destaques do disco é Draconian Love, por conta do clima mais sombrio da faixa. Você a imaginou assim?

Sammet - Não imaginei, era uma balada de meio tempo "normal" do Avantasia, assim como Dying for an Angel e Lost in Space. Ela se tornou mais sombria quando eu estava gravando a demo para um possível parceiro de dueto e Sasha sugeriu que eu fizesse a música uma oitava mais baixa. Eu tentei fazer e não consegui cantar, por isso, chamamos o Herbie Langhans, que estava gravando alguns back vocals para o álbum. Tentamos o Andrew Eldritch do Sisters of Mercy, porque o Sasha havia produzido algo dele no passado. Mas, não conseguimos, então a demo virou a versão original. Nós definitivamente vamos tocá-la ao vivo, porque teremos o Herbie na turnê. Deve ser o segundo single do álbum também.

Divulgação/Arte R7

R7 - Quais são os cantores que os fãs vão poder escutar ao vivo em São Paulo?

Sammet - Jorn vai se juntar ao Avantasia durante toda a turnê. O que é engraçado, na última turnê ele foi substituído por Ronnie Atkins (Pretty Maids) e o Ronnie foi substituído no Brasil pelo Eric Martin (Mr. Big), então, dessa vez vamos ter Eric, Ronnie e Jorn. O melhor de tudo! Assim como o Michael Kiske, Amanda Somerville, Herbie Langhans, Oliver Hartmann e todo mundo. Infelizmente, Bob Catley não está na América do Sul, ele estará fazendo turnê pela Europa com o Magnum.

R7 - Quem já conferiu algum show do Avantasia sabe que algumas faixas ganham um tom mais interessante e até ficam mais poderosas ao vivo. Para essa turnê, quais são suas apostas?

Sammet - Realmente estou muito ansioso para tocar Unchain the Light e Let the Storm Descend Upon You. Acho que essas músicas vão detonar tudo ao vivo. São músicas que devem ficar incríveis ao vivo. Vamos tocar mais de três horas, será uma grande viagem pela história do Avantasia.

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R7 - Você imaginou que o projeto ia ficar tão grande quando começou o Avantasia? Vocês foram a atração principal de festivais como Wacken, Monsters of Rock e vários outros...

Sammet - Eu não tinha a mínima ideia. Eu não sonhava com nada disso. Não sabia nem mesmo que um dia faria um show com o Avantasia. Eu só gravei, eram apenas dois simples álbuns de um simples garoto alemão. Eu só queria gravar os discos para mim e, com sorte, vender cópias suficientes para pagar pelo investimento no estúdio. Era só isso. Eu nunca pensei que algo como isso aconteceria...

Divulgação/Arte R7

R7 - Você sente alguma pressão dos fãs para que você faça álbuns mais parecidos com o estilo de The Metal Opera - Parte 1 e 2?

Sammet – Eu sei que muitas pessoas glorificam os dois primeiros álbuns do Avantasia e eu entendo isso. Porque eles foram lançados em uma época na qual nem esse estilo era completamente novo. E, claro, quando eu escuto músicas, como Reach Out for the Light, é uma ótima música e tem várias memórias boas ligadas a ela. Foi a primeira vez que o Avantasia foi definido. Nada pode competir com esse feeling. É por isso que todos disseram que o Scarecrow [terceiro álbum, lançado em 2008] era um "ótimo álbum, mas não era Avantasia". E eu imediatamente disse que não era Metal Opera, porque nós já havíamos feito. É um Avantasia 2.0, uma nova edição do projeto. É uma nova versão de algo que você conhece, agora as pessoas estão lentamente entendendo isso.

Para algumas pessoas é difícil, quando você faz um novo álbum, é quase como se alguém quisesse tomar de você algo antigo. Mas isso não é verdade. Algo novo é uma adição, sempre que o Iron Maiden faz um novo disco, as pessoas dizem "oh, não é Powerslave ou Number of the beast". O lançamento de um novo álbum não tira os antigos de você. Tenho muito orgulho de poder tocar Reach Out for the Light ao lado de Michael Kiske no palco. Eu amo! Eu sou igualmente orgulhoso de apresentar Scarecrow ao lado do Jorn Lande. Elas funcionam muito bem uma ao lado da outra e todos que assistem ao nosso show vão ser surpreendidos pelo fato de que Let the Storm Descend Upon You e Unchain the Light e todas as outras faixas.

Projeto de metal ópera de Tobias Sammet chegou às paradas de sucesso nos EUA

Projeto de metal ópera de Tobias Sammet chegou às paradas de sucesso nos EUA

Reprodução/Facebook/Avantasia

R7 - Você sente o mesmo tipo de pressão quando estamos falando do Edguy e o álbum Hellfire Club?

Sammet - Hellfire Club é um ótimo disco, sem dúvidas. Mas ele já foi lançado. Eu não consigo fazê-lo de novo. Por que eu deveria tentar copiar o Hellfire Club? As mesmas pessoas diriam "oh, eles estão copiando só para me fazer abrir a carteira e pagar por ele de novo". Também tenho orgulho dele, mas não acho que Space Police seja pior, porque não é uma competição. Não existe bom ou ruim. Eu não vejo espaço para King of Fools no último disco do Edguy e não vejo Space Police [a música] em Hellfire Club. Fico feliz de que os dois discos existam.

E eu entendo completamente quando os fãs têm uma ligação nostálgica com um certo tipo de música. Eu compreendo que as pessoas gostem de escutar aquele disco ou sonhem com sua banda favorita lançando algo que traga o mesmo sentimento novamente. Mas, isso não é possível. Você não consegue competir com algo que é a trilha sonora de dez anos da sua vida. Não dá para competir com o Natal quando você tinha sete anos. Se você se lembra, qual foi seu presente favorito de Natal? Provavelmente, você se lembra desse Natal como algo especial. Você gostaria que seus pais ficassem reproduzindo essa data dando o mesmo presente todos os Natais? Não seria possível, funciona só na sua mente. Se fizéssemos um Hellfire Club 2 agora, as pessoas ficariam decepcionadas e provavelmente nos acusariam de tentar revender algo que eles já compraram 12 anos atrás. Mas, eu entendo.

Se você me perguntar, eu gosto mais de escutar Rocket Ride do que Hellfire Club. Não quer dizer que um é melhor do que o outro. É apenas meu gosto pessoal. Se eu tivesse que colocar um disco para tocar, colocaria Space Police ou Rocket Ride, esses são os álbuns que eu sinto mais próximos do Edguy. Mas, claro, gosto de todos os discos e álbuns.

R7 - E Hansi Kürsch, do Blind Guardian, gravou com o Edguy anos atrás... Alguma chance de tê-lo no Avantasia no futuro?

Sammet - Eu espero que sim! Eu o convidei para participar do Metal Opera, mas ele não quis. Eu perguntei para ele novamente no ano passado, em setembro. Disse que pretendia fazer um álbum nos próximos anos e se ele consideraria ser parte dele. Ele respondeu "sim, claro". Então, absolutamente sim.

R7 - O vocalista brasileiro André Matos também participou de alguns discos do Avantasia, você tem planos para ele nos próximos?

Sammet - Claro. O André é uma grande pessoa e ótimo músico. Nos esbarramos em um festival há um ano. Não posso dizer algo de forma definitiva, porque ainda não sei quando ou se vamos ter um novo álbum. Mas, eu posso dizer que eu não excluo nenhuma possibilidade, porque ele é um grande cantor.

R7 - Muita coisa era diferente desde o primeiro Avantasia. Kiske, por exemplo, havia abandonado o heavy metal. Agora o Avantasia entra nas paradas, faz turnês com Kiske e outras estrelas. Como você vê essa jornada?

Sammet - Eu sou grato por todas as chances que eu tive e por poder fazer isso. Claro, quando eu estava em tour com o Avantasia em 2010 e, de repente, estavam Michael Kiske e Kai Hansen [dois integrantes do Helloween] lado a lado no palco... Eu me senti tentado a deixar o palco e ir para a plateia para curtir o resto do show. Para mim, é um sonho que virou realidade. Tudo que tem acontecido é muito grande para que eu compreenda totalmente.

AVANTASIA GHOSTLIGHTS WORLD TOUR 2016

Quando: Domingo, 24 de Abril
Abertura: 18h; Início: 20h
Local: Espaço das Américas - Rua Tagipuru, 795 - Barra Funda - São Paulo - SP
Censura: 16 Anos
Menores de 12 a 15 anos somente acompanhados de um dos pais ou responsável legal, mediante assinatura de termo de responsabilidade no dia do show
Contato: (11) 2027-0777
Ingressos: Ticket 360
Mais informações no site oficial: tobiassammet.com/eng/

Reprodução/Facebook/Avantasia

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