‘A Única Saída’ mostra como a busca por trabalho pode levar ao limite
Filme que estreia nesta quinta (22) lança olhar crítico sobre a fragilidade do trabalhador e as pressões da competitividade no mundo corporativo
Cine R7|Giovana Sobral

Após servir a indústria de papel onde trabalhou durante 25 anos e ser demitido, Yoo Man-soo (Lee Byung-hun) se vê desesperado ao precisar arranjar um novo emprego e encontrar a solução eliminando a concorrência, mas não da maneira convencional.
É disso que se trata ‘A Única Saída’, longa sul-coreano do diretor Park Chan-wook que mostra as tentativas desesperadas do protagonista na busca por um trabalho. O filme estreia nos cinemas nesta quinta-feira (22).
A situação afeta não só a reputação de Man-soo, mas também a relação familiar com a esposa Yoo Mi-ri (Son Ye-jin), a filha pequena e o enteado adolescente, que se veem obrigados a sofrer as consequências em conjunto e deixar de lado algumas atividades e luxos aos quais a família tinha acesso.
Apesar de parecer experiente, Man-soo se sai mal nas entrevistas de emprego. Com apenas um incentivo despretensioso e irônico da mulher, o personagem atrela a eliminação dos concorrentes a atos de assassinato e elabora, de maneira até considerada “tola”, estratégias para se livrar deles.
Enquanto se ocupa com os planos, Man-soo, cuja personalidade ciumenta se revela aos poucos, se vê obrigado a buscar o equilíbrio entre apagar os rastros de seus atos e, ao mesmo tempo, sustentar uma aparência de normalidade para que ninguém perceba o que está acontecendo. Uma dor de dente persistente do personagem surge como um elemento simbólico que ressalta os conflitos e os rumos opostos da história.
O homem também se vê preso no dilema de apenas “saber fazer papel” e sequer considera as características positivas que possivelmente o mantiveram na mesma empresa durante décadas.
A maneira como Man-soo lida com a situação mantém uma constante sensação de que ele pode ser pego a qualquer momento - um pressentimento que mistura leveza, humor e alerta, e que convida o espectador a refletir sobre a ingenuidade e caráter do protagonista. Se o chefe da família Yoo consegue ou não eliminar a concorrência e devolver à família as regalias, é um trabalho para se descobrir assistindo.
O longa revela a angústia do trabalhador diante da possibilidade de ter de competir não apenas com outros profissionais, mas também com tecnologias em constante avanço, capazes de substituir a mão de obra humana. Essa reflexão dialoga com clássicos como Tempos Modernos, de Charlie Chaplin, e também com Parasita, de Bong Joon-ho.
Em evidência desde sua atuação como o Front Man na série da Netflix Round 6, Lee Byung-hun ganha força na temporada de premiações. Na corrida pelo Oscar, o ator foi indicado ao Globo de Ouro na categoria Melhor Ator em Comédia ou Musical, enquanto A Única Saída também conquistou espaço em importantes premiações, com indicações ao Critics Choice Awards, Astra Film Awards e ao próprio Globo de Ouro.
Diante do cenário atual do cinema coreano, Lee Byung-hun afirmou em entrevista que ‘acredita ter conseguido expressar emoções complexas em situações extremas’. Ele também comentou que, apesar das preocupações com o impacto da tecnologia em seu próprio trabalho, é grato pela oportunidade de evidenciar a responsabilidade que carrega nesse contexto.
O espectador pode esperar um filme que leva ao extremo as pressões do mercado de trabalho, misturando humor ácido, crítica social e tensão, enquanto escancara uma lógica que trata a sobrevivência profissional como um verdadeiro “mata-mata”.










