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Marieta Severo brilha em filme duro sobre casal de artistas que sofre de Alzheimer

'Domingo à Noite' estreia nesta quinta-feira (4) com trama que rendeu prêmio internacional à atriz na Espanha

Cine R7|Vivian Masutti, do R7 e Vivian Masutti

Marieta Severo em cena do filme 'Domingo à Noite'
Marieta Severo em cena do filme 'Domingo à Noite' Marieta Severo em cena do filme 'Domingo à Noite' (Divulgação)

“Eu preciso fazer alguma coisa?”

A repetição de uma mesma frase, como a dita pelo personagem de Zé Carlos Machado ao longo do filme Domingo à Noite, que estreia nesta quinta-feira (4), é um dos sintomas mais conhecidos de quem tem Alzheimer, caso de seu personagem, o escritor Antônio.

Em estágio avançado da doença, ele vive descolado da realidade: não se reconhece ao acordar, não come nem se veste sozinho, faz xixi na calça, não sabe quem são a mulher, os filhos, só repete, de tempos em tempos: “Eu preciso fazer alguma coisa?”.

Ao seu lado está a protagonista da história, Margô, uma estrela do cinema de 75 anos habilmente defendida por Marieta Severo — que levou o prêmio de melhor atriz no Madrid Film Awards pelo papel.

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Zé Carlos Machado e Marieta Severo em cena do filme
Zé Carlos Machado e Marieta Severo em cena do filme Zé Carlos Machado e Marieta Severo em cena do filme (Divulgação)

Cuida do marido com paciência, dedicação e negação. Sabe que a situação é insustentável. Principalmente porque, logo no começo do longa, ela descobre que também tem Alzheimer. Comprometida com um último trabalho, não consegue filmar a cena final, pois simples falas já lhe escapam da memória.

Um dos momentos mais marcantes e tristes é quando ela tenta ensaiar com a filha, vivida por Natália Lage, mas não se recorda do texto e só consegue responder com um olhar vago e longos silêncios.

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“Não trabalhei a vida toda para terminar numa merda de um asilo”, diz, em outro trecho.

É nessa parcela de tempo na qual Margô tem consciência de que está perdendo o controle que o público é colocado.

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Durante todo o longa, há aquela expectativa de que Antônio tenha um lapso de consciência, que diga algo que afague seus familiares. Que se coloque ali de alguma forma. Em vão. Ele repete e repete a mesma frase.

É dura a realidade de quem convive com um portador da doença, sempre perdido em fragmentos de memórias, vagando por pensamentos que não se conectam, dizendo coisas que não fazem sentido.

"É como um jogador de futebol paraplégico, um pianista sem mão, um cantor sem voz", diz o filho do casal sobre o pai, agora um autor sem palavras.

Essa agonia é quase que um atestado do absurdo da vida.

E como colocar um fim nisso é um assunto espinhoso pelo qual a produção se aventura, sugerindo um processo de cura por meio desse jogo intrincado de sentimentos e responsabilidades que se chama amor.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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