‘Pânico 7’ decepciona e ainda mancha o legado da franquia
Novo capítulo da saga de terror slasher entrega trama fraca e previsível
Cine R7|Giovane Felix

É inegável o legado de Pânico como uma das franquias de terror mais consolidadas da história do cinema. Por anos, a saga criada por Wes Craven em 1996 entregou suspense bem construído, mortes inventivas e um humor ácido e autoconsciente que se tornou sua marca registrada.
Diferentemente de Halloween e O Massacre da Serra Elétrica, que enfrentaram altos e baixos recentes, Pânico sempre manteve um padrão de qualidade consistente. Bom, era assim até agora.
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Pânico 7 estreou nesta quinta-feira (26) nos cinemas de todo o país. O novo capítulo da história de Sidney Prescott abandona a metalinguagem, elemento central da franquia, e abre espaço para uma narrativa fraca, óbvia e que acaba manchando o legado construído ao longo de décadas.
Mais uma vez, Sidney é atormentada pela figura do Ghostface. Agora, porém, o assassino não mira apenas nela, mas também em sua filha, Tatum. Diante da nova ameaça, a protagonista se vê obrigada a encarar o próprio passado para proteger a família.

O principal problema da sequência é a falta de propósito. A franquia, que sempre soube brincar com os clichês do terror e subverter as regras do slasher, cai na própria armadilha.
As famosas “regras” apresentadas pelos personagens, que antes guiavam a trama com ironia e inteligência, aqui não levam a lugar algum. Se os filmes anteriores desconstruíram conceitos como sequência, trilogia e remake, o novo longa se limita a repetir a lógica mais básica e batida do gênero, sem oferecer nada novo.
Também incomoda a insistência na nostalgia e os fan services gratuitos espalhados ao longo da narrativa. As referências aos filmes anteriores sempre fizeram parte da saga, mas, desta vez, aparecem de forma repetitiva e pouco acrescentam à história.
A participação de personagens icônicos e queridos pelos fãs também é mal aproveitada. Com pouco tempo de tela, eles arrancam alguns sorrisos da audiência, mas pouco se envolvem na trama principal. A jornalista Gale Weathers, única personagem presente em todos os sete filmes, é exemplo disso: sua aparição é breve e sem impacto.

E, se os veteranos aparecem pouco, os novos personagens tampouco se fazem presentes. O roteiro é fraco e não dá tempo para que o público crie empatia pelo elenco novato, o que esvazia o peso das mortes.
A exceção é Isabel May, que interpreta Tatum, filha mais velha de Sidney e peça central da narrativa. A relação entre mãe e filha tinha potencial para render conflitos interessantes, mas é explorada de forma superficial. A trajetória da jovem é rasa e não convence, e a falta de carisma é só um bônus.
Depois de décadas sendo apontada como uma das raras franquias de terror sem filmes verdadeiramente ruins, Pânico desliza pela primeira vez, o que indica um desgaste da saga.
Cercado por polêmicas nos bastidores, saídas de atrizes e reestruturação de roteiro, o sétimo capítulo entrega um resultado aquém do esperado: um filme meia boca, de ideias inconsistentes, que deixa uma marca difícil de ignorar na história da saga.













