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‘Isso é montagem’: livro de Gisèle Pelicot detalha sua reação ao se descobrir vítima de estupro sistemático

Obra com lançamento mundial marcado para o próximo dia 17 traz o caso da francesa que chocou o mundo

Estante da Vivi|Vivian MasuttiOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O livro 'Et la Joie de Vivre', de Gisèle Pelicot, será lançado mundialmente no dia 17.
  • Gisèle ganhou notoriedade após exigir um julgamento público para seu ex-marido e mais de 50 homens que a violentaram.
  • Na obra, Gisèle reflete sobre a pressão social enfrentada por mulheres e sua coragem em renunciar ao anonimato.
  • A atitude dela a tornou um ícone na luta feminista.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Capa do livro 'Um Hino à Vida' (R$ 69,90) Divulgação/Cia. das Letras

Às vésperas de seu lançamento mundial, que ocorre no próximo dia 17, inclusive aqui no Brasil, o livro Et la Joie de Vivre (Um Hino à Vida, na versão em português) teve seus primeiros trechos divulgados na última semana pelo jornal francês Le Monde.

A autora, Gisèle Pelicot, ganhou notoriedade internacional em 2024, ao optar que fosse aberto ao público o julgamento de seu ex-marido, Dominique Pelicot, 72 anos, e de mais de 50 homens que a violentaram — convidados por ele após dopar sistematicamente a mulher.


“Quando penso no momento em que tomei minha decisão, digo a mim mesma que, se tivesse 20 anos a menos, talvez não tivesse ousado recusar o julgamento fechado. Eu temeria os olhares, esses olhares malditos com os quais uma mulher da minha geração sempre teve de lidar”, afirma Gisèle, em um dos trechos.

Talvez a vergonha vá embora mais facilmente quando se tem 70 anos e já não chamamos a atenção de ninguém. Não sei. Eu não tinha medo das minhas rugas, nem do meu corpo”, completa ela na obra, escrita em parceria com a jornalista Judith Perrignon.


Há uma grande expectativa em torno do livro. Não só editorial, mas do público e das mulheres que viveram traumas semelhantes.

A atitude de renunciar ao direito do anonimato comoveu o mundo e alçou Gisèle ao posto de ícone da luta feminina.


Tornou-se uma das mulheres mais influentes do ano, segundo ranking da prestigiosa revista Times, que a descreveu como “líder extraordinária”.

Isso porque sua mensagem, ao narrar suas memórias, é simples e não por isso menos brutal: toda e qualquer vergonha, constrangimento ou embaraço deve ser exclusivamente dos autores e nunca, jamais, da vítima.


Parece ser óvio. Mas não é assim que funciona quando se é mulher.

‘Isso é montagem’

No livro, Gisèle fala do momento em que o delegado lhe mostrou os vídeos dos estupros sofridos por ela, quando estava inconsciente em sua própria cama.

Foi um choque.

“Eu não reconhecia aqueles indivíduos. Nem aquela mulher. A bochecha tão flácida. A boca tão mole. Era uma boneca de pano. [...] Não sou eu, inerte nesse leito. Isso é uma montagem. Obra de alguém que quer prejudicar Dominique”, disse, incrédula.

O delegado, então, a ajudou a reconhecer a mobília, a roupa de cama, os detalhes de sua casa. Sim, o horror era real.

E ocorreu por dez anos.

Ao todo, 53 homens foram convidados pelo marido para violentá-la.

Às futuras gerações

Na obra, Gisèle também compartilha sua trajetória desde a infância, passando pelo casamento, pela descoberta do crime, pelo processo judicial e chegando à luta para reconstruir a própria vida.

Com coragem e lucidez, ela mostra como transformou o trauma em um manifesto de vida, dignidade e superação.

Ao escancar a banalidade do mal, Gisèle fez a vergonha mudar de lado. E agora eterniza seu gesto da melhor maneira com que poderia: registrando-o em palavras, garantindo que seu recado chegará às futuras gerações.

Homens comuns estupram.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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