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Estante da Vivi

‘Nunca sintam vergonha’: livro de Gisèle Pelicot, drogada pelo marido e estuprada por dezenas, já tem data no Brasil

Autobiografia da francesa de 72 anos, eleita a mulher mais influente de 2025, será lançada no ano que vem pela Companhia das Letras

Estante da Vivi|Vivian MasuttiOpens in new window

A francesa Gisèle Pelicot, 72 anos, estuprada pelo marido e oferecida a outras dezenas de homens Reprodução/Record

“Quero contar minha história com minhas próprias palavras. Por meio deste livro, espero compartilhar uma mensagem de força e coragem a todas as pessoas que são submetidas às mais penosas provações. Que elas nunca sintam vergonha. E, com o tempo, que aprendam a aproveitar a vida novamente e encontrem paz.”

É com esta declaração que a francesa Gisèle Pelicot, 72 anos, explica os motivos pelos quais escreveu Um Hino à Vida, livro autobiográfico que será lançado em 2026 em mais de 20 idiomas, incluindo a versão em português, editada no Brasil pela Companhia das Letras.

Há uma grande expectativa em torno da obra. Não só editorial, mas também por parte do público.

Gisèle ganhou notoriedade internacional no ano passado, ao exigir que o julgamento de seu ex-marido, Dominique Pelicot, 72 anos, e de mais 50 homens que a violentaram, convidados por ele após dopar sistematicamente a mulher, fosse aberto ao público.


A atitude de renunciar ao direito do anonimato comoveu o mundo e alçou Gisèle ao posto de ícone da luta feminina.

Sua mensagem é simples e não por isso menos brutal: toda e qualquer vergonha, constrangimento ou embaraço com o crime deve ser exclusivamente dos autores e nunca, jamais, da vítima.


O que poderia parecer óbvio para alguns se torna um pouco mais complexo dependendo do ponto de vista de quem esta história chocante é contada.

A missão que Gisèle tomou para si ao expôr esses homens, não só no tribunal, mas em entrevistas e nesta biografia, vai muito além de puro sentimento (absolutamente legítimo) de vingança ou de justiça (seu marido foi condenado a 20 anos de prisão, pena máxima na França).


É, na verdade, um grito de esperança, que ecoa ao redor do planeta, com o objetivo de acalentar e fortalecer todas essas mulheres normais, como ela, como as das ruas, do metrô, do mercado, que sofrem abusos cometidos por homens comuns — sim, como Dominique, camuflados na sociedade, sentados na banca de jornal, tomando o elevador, jogando bola aos domingos.

Ao escancar a banalidade do mal, Gisèle fez a vergonha mudar de lado. E agora eterniza seu gesto da melhor maneira com que poderia: registrando-o em palavras, garantindo que seu recado chegará às futuras gerações.

Obrigada, Gisèle.

Que elas nunca sintam vergonha. E, com o tempo, que aprendam a aproveitar a vida novamente e encontrem paz

(Gisèle Pelicot)

Veja vídeos sobre o caso

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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