Keila Jimenez Perdemos nosso conselheiro, nosso amigo, nosso mestre!

Perdemos nosso conselheiro, nosso amigo, nosso mestre!

Domingos Fraga parte deixando redações órfãs de pessoas dispostas a ouvir e a entender o próximo

Domingos Fraga

Domingos Fraga

Reprodução

Perder um amigo querido não é fácil. Mas muitos de nós vimos partir mais do que isso. Domingos Fraga, o 'Fraguinha', era o amigo, o chefe, o companheiro, o conselheiro, o 'paizão' de uma galera imensa que teve o prazer de cruzar com ele pelas redações da vida.

Fraga estava sempre disposto a ouvir as pessoas com atenção, coisa rara em um mercado em que todos acreditam que têm muito o que dizer. 

Gentil, pontual, agregador, sabia como apaziguar, acalmar os ânimos, apagar os incêndios, restartar a motivação da redação nos momentos mais difíceis.

Com a porta da sala sempre aberta, Fraguinha estava ali para resolver os problemas do dia a dia do jornalismo, como também para tentar ajudar cada um de nós com outras celeumas da vida.

Sabia aconselhar, sabia ensinar, debater, acreditava que todo mundo podia e devia ter chance de aprender com erros e acertos de uma profissão complexa por natureza.

Gostava de festejar os aniversários, de levar doces na redação, de jogar conversa fora nos cafés ao longo do dia, mas, principalmente, queria conhecer o ponto de vista de quem trabalhava com ele. Quantas vezes não me chamou na sala para perguntar o que eu achava 'disso' ou 'daquilo'?

Pedia dicas, sugestões, queria ouvir ideias para novos formatos, novas apostas na internet, queria minha opinião sobre coisas que ele acreditava que eu entendia.

E era assim com boa parte dos colegas. Como bom jornalista, queria saber, tinha a curiosidade atenta de quem acredita que sempre pode descobrir algo ouvindo o próximo.

'Fala Madame!!!!' Era assim que o Fraguinha me perguntava sobre o meu dia.

Sei lá de onde ele tirava tanta disposição para ouvir e aconselhar, para comandar uma equipe gigante, e ainda para dar pitacos divertidos sobre política e futebol na mesa do café.

Em nossa última conversa, por mensagem, prometeu que iríamos comemorar assim que a pandemia acabasse. Que nós, que estávamos ali fortes o tempo todo, diante uma pandemia, de uma ameaça mundial, merecíamos comemorar a vida ! Sim, Fraga gostava de dar festas. Gostava de casa lotada. Gostava do barulho das redações, gostava de pessoas.

Já esvaziadas pela quarentena sem fim, as redações ficarão ainda mais silenciosas sem você, meu caro. Você foi um gigante! Um chefe inspirador, um colega de trabalho companheiro, um amigo leal.

Hoje sei que faculdades não formam jornalistas. Somos lapidados e calejados pelas acotoveladas dos 'fechamentos' da vida, e por quem passa ao nosso lado por eles.

É daí que vem tudo o que aprendemos nessa profissão de malucos. Fraguinha deixou um legado real de professor por onde passou.

Perdemos um 'querido mestre'!

Últimas