Edições Sesc lançam tradução inédita de Georges Balandier

Livro do sociólogo e criador do termo “terceiro mundo” é um convite à iniciação ao pensamento social da nova era

Sociologia embasa textos da obra

Sociologia embasa textos da obra

Divulgação

"A sociologia do sensível ressuscita e faz ressuscitar o que a sobremodernidade abole com a sua aceleração. Ela aponta os erros e inventaria respostas oponíveis, faz reaparecer objetos de pesquisa desaparecidos de seu campo e cujo retorno figura outro modo de 'tradição do novo'. Assim, a sociologia do corpo libertado do 'higienismo', a sociologia do gosto, da cozinha, liberada de sua dependência gastronômica revelam a redescoberta do essencial ou, em outras palavras, do 'primevo', evitando todo primitivismo." ("O Social em Tempos de Incerteza", pág. 125)

Fruto da modernidade, a sociologia é uma ciência que acompanha os movimentos de transformação das sociedades com o intuito de entendê-las e problematizá-las. A “Grande Transformação” advinda com o século 21 trouxe inquietudes como a aceleração da vida cotidiana, a retração política em prol do economicismo financeiro, as fragilidades da democracia e da razão, a tecnicização do mundo, entre outros desafios globais contemporâneos expostos por Georges Balandier (1920-2016)  em “O Social em Tempos de Incerteza", livro publicado pela primeira vez no Brasil.
 
Lançada originalmente em 2013 na França, a antologia de textos e crônicas constitui-se como uma ferramenta de embasamento para as discussões vigentes. De grande contribuição para a bibliografia das ciências sociais, a obra faz parte do legado de mais de 20 livros do professor emérito da Sorbonne e coautor do conceito de “terceiro mundo” com o demógrafo Alfred Sauvy – utilizado no período da Guerra Fria para denominar os países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento, sendo a maioria deles da América Latina, África e Ásia. O termo caiu em desuso, mas ainda hoje pode identificar nações com baixo IDH e passado colonial.
 
“O Social em Tempos de Incerteza” está dividido em duas partes, sendo a primeira homônima, com 11 ensaios, e a seguinte com 52 crônicas publicadas no jornal “Le Monde” entre 1989 e 2002, organizadas em nove macrotemas.

Entre os assuntos abordados por Balandier, dialogando sempre com as teorias de outros estudiosos, estão a tríade fundadora da sociologia moderna – Émile Durkheim, Max Weber e Karl Marx – e suas bases de pensamento, bem como seus herdeiros e dissidentes, a origem sociológica da antropologia, o tempo e o imaginário, o sagrado, as figurações do político, entre outras reflexões de seu tempo, como o advento da Aids. Mas também diz muito sobre o nosso, como quando discute sobre nossa relação com o tempo; segundo ele, “bastaram dois séculos para que a velocidade almejada subvertesse um modo milenar de existência”. Uma constatação que, se pode chocar, ao mesmo tempo, alerta para o fim das esperanças e também para a necessidade de ressuscitar, por meio do sensível e dos afetos, o que a “sobremodernidade globalizante” abole com sua aceleração.

“O Social em Tempos de Incerteza”
Tradução de André Telles
352 páginas
R$ 37,50
Edições Sesc São Paulo