Escritor Raimundo Carrero lança "Estão Matando os Meninos"

Na obra estão temas como pandemia, violência contra crianças e mulheres, miséria, racismo, além de conto inspirado nas ativistas Greta Thunberg e Malala Yousafzai

Livro de contos fala sofre realidade

Livro de contos fala sofre realidade

Divulgação

O escritor pernambucano Raimundo Carrero lança “Estão Matando os Meninos”, com 14 contos inéditos. Com uma vasta obra em que constam mais de 20 livros, diversas premiações e obras traduzidas em todo o mundo, Carrero segue inconformado com as “agressões sociais” que são vividas no Brasil, especialmente com crianças, mulheres e negros e traz um compêndio do país atual “escrito com revolta e dor”, segundo o próprio autor.
 
“Não posso silenciar diante deste revoltante genocídio que se abate sobre o Brasil, com o assassinato de meninos e meninas”, afirma o autor na orelha do livro. “Escrever estas histórias talvez tenha sido a atitude mais dolorosa que enfrentei nesses meus 70 anos de vida”, conta. “Estou cansado, mas ainda assim acredito que minha obra, de alguma maneira, contribuirá para o fim desta guerra de bandidos, que só mata crianças e dizima uma geração de brasileiros.”
 
O livro tem três temas principais, a morte de crianças, a pandemia e as injustiças sociais, que o autor chama de “agressões sociais”, com as histórias sempre baseadas em acontecimentos reais. Carrero é um ávido leitor de jornais e notícias, faz diversos recortes e vai construindo seus temas e personagens. Quando viu a história do adolescente carioca João Pedro, morto durante uma operação policial no Rio de Janeiro decidiu, por fim, escrever sobre isso. Nesta parte do livro, estão quatro contos, “O Artesão”, Meninos ao Alvo, Atirar!”, “Tortura em Dia de Fome” e “O País do Ódio”.
 
“Este livro é um grito de horror contra as barbaridades que estamos vivendo no Brasil”, afirma José Castello, escritor, jornalista e crítico literário. (...) “E nesse livro o foco do Carrero é toda essa violência que nos cerca e que não para de aumentar contra as crianças brasileiras. A literatura se coloca do lado das crianças, dos pobres, do lado dos que estão sofrendo, e com isso a literatura se agiganta e Raimundo Carrero se agiganta também como escritor.”
 
Já a pandemia é retratada nos contos “Mausoléu dos Nossos Amores” e “Vidas Repartidas”. Neles, o autor não deixa de lado a crítica social. Antenado aos recentes acontecimentos, Carrero escreve ainda “Vidas Negras Importam”, sobre uma garota de nove anos que “estava decidida a mudar o mundo”. Num dado momento, seu pai lhe diz - em uma outra referência a um recente acontecimento político - “mantenha o objetivo no sangue. Mantenha isso, viu?”. Em “As Meninas Lideram o Mundo (Bom)”, escreve inspirado pelas ativistas Greta Thunberg e Malala Yousafzai.
 
Há ainda os contos que tratam das injustiças sociais, ou, como o escritor diz, “agressões sociais”, que são “Paixão e Rejeição”; “Céu de Balas”; “Judá”, “A História” e “Índia Noturna”. Em “A Mula Torta” e “Dossiê Salatiel”, trata de questões recentes e ainda prementes no país que são as revoltas estudantis pelo passe livre, contrabando de cigarros, tráfico de drogas, milícias e guerra de traficantes. Outros temas que não passam despercebidos ao autor são a violência doméstica e o feminicídio. Nada escapa aos olhos sensíveis e atordoados de Carrero.
 
A obra é dividida em “Cartas aoMmundo” (“Quarta Carta ao Mundo”, “Quinta Carta ao Mundo” e “Sexta Carta ao Mundo”). Elas foram iniciadas no livro “As Sombrias Ruínas da Alma” (1999), ganhador do Prêmio Jabuti, onde aparecem as três primeiras, que explicitam a sua determinação de denunciar as crescentes injustiças e agressões sociais no Brasil. A inspiração para elas vêm do personagem do senhor Pakinhas, que, ao anoitecer, se trancava para escrever uma carta a um poderoso do mundo ensinando como poderia melhorá-lo, do livro “O Capitão Mihális - Liberdade ou Morte”, escrito pelo grego Nikos Kazantzakis.

"Estão Matando os Meninos"
128 páginas
R$ 44
Editora Iluminuras