Melhor Não Ler Criança pede atendimento jurídico como presente de Natal

Criança pede atendimento jurídico como presente de Natal

Percebendo que pode desenvolver traumas irreversíveis, menino de oito anos quer entrar na justiça para se separar dos pais

Menino surpreendeu os pais

Menino surpreendeu os pais

Nico J/Pexels

Um menino de oito anos viralizou nas redes sociais ao pedir um “advogado” de presente de Natal. Vários profissionais se comoveram com o pedido e se dispuseram a ajudá-lo, mas pelo ineditismo da causa, ainda não se sabe como essa história vai terminar.

A atitude da criança se deu depois de testemunhar mais um dia de desinteligência entre os pais que, desta vez, começou logo cedo. Ao saírem de casa pela manhã para fazerem compras, o pai do garoto entra no carro e grita com a mãe: “Que calor infernal! Você tinha que inventar essa de compra de Natal logo hoje?”

A mãe responde gritando ainda mais alto: “Eu posso mudar o calendário da Era Cristã se você quiser! Coloco o Natal em julho, o que você acha? Liga o ar condicionado e vê se não começa!” O marido, indignado, freia abruptamente e diz: “Você está louca, mulher? Ligar o ar com o preço da gasolina nas nuvens? Só se eu fosse maluco igual a você! Abre o vidro e fim de papo!”

“Fecha essa janela, vai estragar o meu cabelo!”, esbraveja a mãe, enquanto o filho tapa os ouvidos durante todo o trajeto para não ouvir os insultos de ambos até a porta do supermercado. Ao entrar, a mãe pega o menino pelo braço e adverte: “Melhora essa cara! Por que você anda sempre emburrado? O que você quer, afinal?”

“Ir pra casa”, responde baixinho e, em seguida, se assusta com a reação da mãe: “Agenor, fala aqui com o teu filho! Esse menino mal entrou e já tá reclamando. Criança mais mal-educada, não sei a quem puxou, viu?” O pai rebate: “Te vira! Por mim eu também ia embora!”

Durante toda a compra, pai e mãe discutem a cada item posto no carrinho:
“A gente não precisa dessa porcaria!”
“Isso aí tá caro, devolve!”
“Pra que comprar tanta comida se você nunca quer cozinhar?”
“Eu cozinharia se você não fosse um estúpido! Grosso! Cavalo!”

Mas ao chegarem no corredor dos panetones, como que por um milagre, ambos coincidem com o fato de que é preciso comprar vários:
“Vamos levar esse para a sua irmã!”
“Esse caro para a minha irmã? O que deu em você?”
“Lógico! Vamos esfregar na cara dela que a gente tem dinheiro!”
“Ah... boa! Mas a gente tem?”
“Não, né? Mas ninguém precisa saber...”
“Tá bom! Vamos fazer uma ‘selfie’ para mostrar que escolhemos juntos!”
“Biquinho, faz biquinho!”
“Encolhe a barriga!”
“Que barriga, idiota? Quem tem barriga?”

O menino, quieto até então, de repente se joga no chão, gritando:
“Chega! Parem vocês dois, chega! Já chega!”
Atônitos, os pais se calam repentinamente, enquanto o menino se recompõe e continua:
“Vocês não percebem que desse jeito podem criar um monstro? O que estão fazendo pelo meu futuro? O que acham que estão me ensinando? Cadê a harmonia, a disciplina, a educação? E parem de gastar o dinheiro que não têm para impressionar os outros!”

“Podemos levar os panetones?”, questiona a mãe.
“Sim, só esse aqui ‘chiquetoso’...”, reforça o pai.

“Não!” Grita o menino. “Larguem esse panetone! Vocês não gostam da tia e ela detesta panetone! Além do mais, não sabem que no dia 26 estarão todos pela metade do preço?”

Essa crônica é uma ficção, mas poderia não ser...

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