Melhor Não Ler 'Doméstica é termo racista, parem de falar agora! Ah,não, 'pera'...'

'Doméstica é termo racista, parem de falar agora! Ah,não, 'pera'...'

Dicionário da Desinformação de agência checadora não checa informações, desinforma os seguidores e ainda culpa terceiros

PIXABAY

Bendita hora que colocaram naquele aparelhinho maroto que todos temos em mãos a incrível função de “printar” a tela. Já não precisamos mais bater boca naqueles eternos disse-me-disse, pois agora, eterno mesmo é o “print” e ele põe fim a qualquer discussão. E foi assim que uma daquelas agência de “checagem” – que se autointitulam paladinas da verdade e dizem examinar tudo sob a lupa sobrenatural da visão além do alcance – acabou sendo lacrada pela própria lacração.

É que o “Dicionário da Desinformação”, criado para inventar, quer dizer, para sinalizar preconceitos ocultos – tão ocultos que só eles enxergam – em palavras que até ontem eram apenas palavras, acabou desinformando seus seguidores. Tsc, tsc, tsc... O alvo da vez foi a palavra “doméstica” que, segundo desinformou o dicionário, “eram mulheres negras que trabalhavam dentro da casa das famílias brancas e eram consideradas ‘domesticadas’.”

Agora, chequemos o que a agência checadora (que não checou direito) disse depois da postagem (que deveria ter sido checada, mas não foi): “No último sábado (20), Dia da #ConsciênciaNegra, publicamos, em parceria com o @NoticiaPreta, uma lista com 7 expressões comumente utilizadas e cujos significados são considerados racistas. A história por trás de cada uma delas, contudo, foi alvo de contestações. Publicamos hoje em nosso site uma revisão dos termos citados anteriormente, trazendo uma análise mais aprofundada de possíveis origens de cada uma das 7 expressões e sugestões de usos alternativos para cada uma delas. Por isso, optamos por apagar o post anterior.”

Para complementar, a agência publicou: “não há uma conotação racista na origem da palavra ‘doméstico’, documentada em seu uso como adjetivo pela primeira vez no final do século 14, de acordo com o Índice do Vocabulário Português Medieval, de Antônio Geraldo da Cunha.”

Quer dizer então que a tal agência que deveria apenas divulgar conteúdo contra a desinformação só fez “uma análise mais aprofundada” depois que a sua “verdade absoluta” (que no fundo era mentira) foi contestada? Além disso, ainda não quis levar a culpa sozinha e botou o “parceiro” na fogueira? E, como se fosse pouco, ainda disse que as tais palavras consideradas categoricamente racistas foram baseadas apenas em “possíveis origens” racistas? Sei, sei... entendi! É fake news que chama, né?

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