Melhor Não Ler Feminista vai em busca dos direitos das mulheres, mas volta atrás

Feminista vai em busca dos direitos das mulheres, mas volta atrás

Militante vai à luta contra um conglomerado capitalista, machista, sexista e misógino, mas não finaliza o processo

Um desconto sempre cai bem, né?!

Um desconto sempre cai bem, né?!

Karolina Grabowska/Pexels

No último fim de semana, Mirian Milene Milagres, de 25 anos, esteve no Centro Comercial Menino Deus, na região centro-sul de Porto Alegre (RS), disposta a acusar o gigante da moda gaúcha de machismo, sexismo e misoginia. Para ela, é inconcebível que, em pleno 2021, o espaço privilegie um menino, considerando-o até mesmo uma divindade, enquanto nenhuma menina é sequer citada.

Chegando ao local, nenhum manobrista apareceu para estacionar seu carro. Depois de buzinar insistentemente, Milagres estacionou sozinha e foi fazer sua primeira reclamação. “Um absurdo! Simplesmente um absurdo! Você sabia, queridinha, que eu mesma tive de estacionar? Que tipo de lugar é esse?” questionou aos berros a primeira funcionária que viu pela frente que, por sua vez, respondeu: “Nós não temos esse serviço. Seria humilhante entrar em carrões o dia todo e depois pegar ônibus lotados para voltar para casa. Demitimos todos faz tempo!”

Mesmo um pouco sem graça, Milagres não se deixou abater e, ainda gritando, mandou que a garota chamasse o administrador imediatamente para tratar sobre o assunto que a levou ali. “Sou eu”, informou a garota. “Você pode falar comigo mesma.” Milagres rebateu: “Você? Mas qual é a sua idade, menina?”

“Tenho 22, mas cuido de tudo por aqui desde os 18”, respondeu.

“Teu pai conhece os donos, é isso?”, questionou Milagres.

“Dona, na verdade. É uma mulher. Ela me contratou porque disse que o futuro é feminino, então, fiquei com a vaga!”, disse a jovem administradora.

“Então porque você não trocou esse nome machista, sexista e misógino? Desde quando meninos são deuses? Isso é totalmente inaceitável! Eu jamais vou gastar um centavo aqui!”, esbravejou Milagres.

“Ah, isso...? Amiga, é que esse nome tem a ver com a religião aí do pessoal, então a gente diz que respeita, mas na verdade ninguém liga! Vem cá que eu vou te dar um cupom de desconto!”

Indignada, Milagres respondeu: “Você não vai me comprar com um cupom, garota! E tem mais... Espera aí... 70% de desconto?”

“Sim! Mas isso se você comprar nas lojas onde só trabalham mulheres. Elas ganham menos, então os produtos são mais baratos. Além disso, elas trabalham mais para provar que são melhores do que os homens. Quais são as suas iniciais para eu validar aqui, querida?”

“MiMiMi, de Mirian Milene Milagres. Você pode me dar dois?”

Esta crônica é uma ficção. mas poderia não ser...

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