“Leite de pai” para lavar todo preconceito

Academia de Aleitamento “Materno” dos EUA aconselha usar o termo “leite de pai” para promover inclusão

"Leite de pai" para o lugar do leite materno?

"Leite de pai" para o lugar do leite materno?

Reprodução/Pixabay

O mundo deve ter capotado umas quatro vezes depois de colidir com o tal meteoro (que já deve ter nos atingido em cheio), sem que as pessoas tenham se dado conta. E, depois de tal acidente sem precedentes, onde muita gente deu com a cabeça sabe-se lá onde, nada parece estar mais em seu devido lugar.

Basta notar que há quem creia que todas as questões complexas do mundo foram resolvidas só trocando os nomes das coisas e fingindo que está tudo bem.

Vejam só: o problema das favelas foi resolvido da noite para o dia, depois que um ser iluminado teve a ideia de proibir todo mundo de se referir à favela como favela, passando obrigatoriamente a chamá-la de comunidade. Pronto: o Brasil agora tem um total de zero favelados!

Também não podemos chamar empregadas domésticas de empregadas domésticas. Agora temos de chamar as empregadas domésticas de “secretárias do lar”, embora na carteira de trabalho esteja o quê? Empregada doméstica! Mas o que interessa é que não há mais nenhuma mulher em todo o país que tenha de passar pela humilhação de dizer que ganha a vida limpado a casa dos outros. Elas respondem que são secretárias e fim de papo.

E, para chegarmos ao tema de hoje, a Academia de Medicina de Aleitamento MATERNO dos Estados Unidos soltou uma nota recomendando o uso do termo “leite de pai”. Para que eles pareçam legaizinhos e inclusivos, os médicos e cientistas da atualidade estão fingindo que as mulheres que acabaram de dar à luz não são mulheres, mas podem ser qualquer coisa que quiserem.

Com isso, ainda que sejam mães e que o líquido que emana de seus corpos femininos seja leite materno, tais pessoas querem ser chamadas de pais. Logo, o tal líquido precisa ter um nome que deixe todo mundo mais “confortável”, como por exemplo: “leite de pai”. Fantástico, não é mesmo? Sim, sem sombra de dúvida, é fantástico (no sentido real da palavra).

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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