Melhor Não Ler “Marketeiro” revela estratégia dos maus políticos brasileiros

“Marketeiro” revela estratégia dos maus políticos brasileiros

Saiba como os piores políticos conseguem se reeleger mesmo fazendo tudo para jamais serem sequer eleitos

Marketeiros e suas estratégias

Marketeiros e suas estratégias

Cottonbro/Pexels

Segundo um marketeiro político – com vasta experiência em campanhas para candidatos que só ganham eleições com muita publicidade para esconder quem realmente são – a mente dos piores políticos passa por quatro fases diferentes.

Essas fases se iniciam durante a campanha e vão mudando assim que o péssimo político se elege e inicia seus desmandos, quer dizer, seu mandato. A primeira delas é a da Humildade, que só acontece durante o período de propaganda política. O marketeiro explica:

“Nesse momento a gente convence o cara de que ele é um sujeito do povo. Pode parecer difícil, porque ele acredita piamente que é um ser superior e predestinado a ser servido pela ralé, mas isso fica fácil quando se usa a estratégia correta. Eu não vou pelo caminho de fazer o cara entender que terá uma responsabilidade enorme, que vai ter que trabalhar dia e noite pelo povo, que a imprensa vai cair matando em cima e blá-blá-blá. Isso aí desanima qualquer um!”

Realmente, falar em trabalhar muito, ser massacrado pela imprensa e ainda por cima em benefício dos outros não é nada animador. E não é que a estratégia já começa a fazer sentido? O marketeiro continua:

“Eu digo que ele vai voltar a ser criança e vai poder fazer de conta que é o menino mais legal do bairro, aquele que vive sorrindo, que ajuda a mãe em casa, que empresta os brinquedos e que as vizinhas gostariam que fosse filho delas. Às vezes o cara fala ‘não, peraí... eu nunca fui assim, eu era uma peste!’, mas a gente lembra que é só um faz-de-conta, pra ele não se preocupar e tal. É assim que a gente consegue por o cara na rua disposto a abraçar gente suada, pegar bebê melequento no colo, entrar em ônibus, comer pastel, coxinha e pão com mortadela na periferia.”

Mas não se engane achando que tudo é tão fácil assim. Segundo o marqueteiro, é preciso criar uma estrutura enorme para garantir a integridade física do mau candidato. “É óbvio que ele nunca foi para a rua de verdade. Então, ele não tem anticorpos para resistir ao contato físico com o povão. Daí, a gente tem que selecionar as pessoas com quem ele vai interagir”, confidencia o publicitário e completa:

“Os ônibus nos quais ele vai entrar fingindo intimidade com o transporte público têm de ser devidamente esterilizados. Os figurantes que vão fazer o papel de passageiros também são previamente escolhidos e meticulosamente higienizados. Agora imagina o trabalhão que dá quando a gente leva o cara pra Cracolândia? É complicado produzir cenas tipo “Walking Dead” sem a estrutura de Hollywood.”

De fato, deve ser um desafio e tanto, ainda mais porque essa é apenas a primeira fase. Aliás, é justamente por conta do desgaste da fase 1 que a fase 2 é mais tranquila de ser administrada, como o publicitário conta:

“A fase 2 é levar o cara – já eleito – a outro extremo, da Humildade para o Orgulho. Essa é super simples: basta elogiá-lo dia e noite falando: ‘meooo, você é o cara! Você tem o mundo aos seus pés!’ Também pagamos milhões para a imprensa publicar as mesmas bobagens que dizemos para ele. Colocamos o cara nas capas das revistas numa pose do tipo “sou o salvador da humanidade” e aí o povo pira, tem que ver! As pessoas acreditam mesmo, é surreal!” comemora o publicitário e acrescenta:

“Mas o que interessa é fazer o meu cliente esquecer as humilhações que passou durante a campanha e acreditar que pode fazer tudo o que quiser, afinal de contas, não precisa mais do povo para nada. Ele só não pode esquecer que deve tudo a mim.”

É aí que o markteiro deixa a fase 3 acontecer: a Tirania. Ele explica que a transição é orgânica, pois nada mais é do que uma consequência do Orgulho. “Uma vez que o cara se acha o top das galáxias, começa a fazer tudo quanto é idiotice, assim como qualquer tirano ao longo da história. A essa altura eu já lucrei uma fortuna com o paspalho e não estou nem aí pra nada, então eu o deixo fazer papel de trouxa. Faz parte da minha estratégia para ser contratado para a próxima campanha e lucrar ainda mais”.

O marqueteiro conta que, depois de tomar inúmeras decisões estúpidas que só prejudicaram a população, o tirano acaba caindo sozinho na fase 4, a Depressão. “Lá pelo terceiro ano de mandato, o tirano sai às ruas e percebe que não é um deus. Ao contrário, ele é odiado, xingado e precisa correr de volta para o seu palácio com o rabinho entre as pernas. Deprimido, ele lembra que a mamata está acabando e que vai precisar de mim para voltar a ser o deus de antes. Só na fase 4 é que a gente consegue fazer o cara voltar à fase 1, a da Humildade. Daí para frente é só recomeçar o ciclo, porque enquanto o tirano está viciado no poder, o brasileiro não tem memória e vai votar no babaca de novo!”

Esta crônica é uma ficção, mas poderia não ser.

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