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Melhor Não Ler
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Vem cá, Brasileirinho... Papai Estado vai proteger você para sempre, meu amor!

Confira a história de Brasileirinho, mais um cidadão defendido pelo Estado desde o seu nascimento

Melhor Não Ler|Do R7

Dona Brasileira da Silva acorda de madrugada com dores excruciantes. Mesmo marinheira de primeira viagem, ao ver a bolsa estourar, percebe que chegou a hora de seu rebento nascer. Entre uma contração e outra, consegue ligar para o Samu.

Ao saber que se trata de trabalho de parto, a atendente pergunta se a mãe ou o feto correm risco de morte. Quando a gestante diz que não, a atendente informa que, nesse caso, ela terá de ir para a maternidade por conta própria: “Samu 192 é só para emergências, senhora. Tenha um bom parto!”.

Abandonada pelo pai da criança há meses, a mulher se vê obrigada a acordar os vizinhos. Depois de muitos nãos, um deles se oferece, desde que ela pague a gasolina. Sem dinheiro e desesperada de dor, dona Brasileira percebe que está sangrando e perdendo as forças.

Liga de novo para o Samu, e, como agora ela está desfalecendo, uma ambulância é enviada. A mulher dá à luz sem grandes problemas e logo vai para casa. Ela está muito feliz, porque o parto foi “de graça” e os medicamentos que precisa tomar nos próximos dias também.

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Brasileirinho cresce rápido e logo vai para a escola, que também é “de graça”. Lá, ele nunca foi submetido ao trauma de repetir de ano, pois Papai Estado jamais permitiria. O menino passou direto todos os anos (mesmo não sabendo lá grandes coisas).

Como dona Brasileira precisa muito de ajuda financeira, coloca Brasileirinho para trabalhar logo cedo, mas Papai Estado o protege e ameaça levá-lo embora (sabe-se lá para onde) caso a mãe continue fazendo o pobrezinho pegar no batente. Não é só porque a família não tem o que comer que o menino vai trabalhar, né? Uma coisa não tem nada a ver com a outra!

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Brasileirinho completa 16 anos, e Seu Jorge do Esquinão do Dogão — a lanchonete do bairro — lhe oferece um emprego. Porém, Papai Estado protege o rapaz de novo e diz que só permite se tiver contrato de aprendizagem, inscrição da empresa no programa Jovem Aprendiz e formação técnico-profissional. Além do mais, o “menino” não pode chegar perto de chapas quentes, fritadeiras nem fazer serviços de limpeza ou coleta de lixo. Seu Jorge acha melhor mandar Brasileirinho para casa e continuar fazendo tudo sozinho mesmo.

Dona Brasileira sugere, então, que o filho venda suas cocadas na rua, e o rapaz vai. Porém, novamente Papai Estado intervém e diz que Brasileirinho não pode vender nada na rua sem um alvará.

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Já adulto, Brasileirinho percebe que não tem estudo, nem experiência e que não há a menor chance de arrumar um emprego. Sem problemas! Papai Estado lhe concede um benefício, desde que ele se comprometa a não trabalhar de jeito nenhum. “Se arranjar emprego, já era! Obedeça ao papai, tá, meu amor?”

Mais tarde, Brasileirinho engravida a filha do Seu Jorge, aquele do Dogão, mas resolve seguir o exemplo do pai — que nem sequer conhece — e some no mundo para curtir todo seu tempo livre. Dona Brasileira não sabe onde o filho está, mas ajuda a cuidar do netinho e paga a pensão para que seu “menino” não vá para a cadeia.

Ah... Que história mais linda! O que seria de Brasileirinho se não fosse o Papai Estado?

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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