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26 pérolas escondidas no streaming que podem livrar seu 2026 do mais do mesmo

Uma curadoria pessoal, afetiva e provocativa contra o consumo raso de música neste novo ano

Musikorama|Rodrigo d’SalesOpens in new window

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Dinho Ouro Preto, Facing Fear e Delilah Bon estão entre os artistas que mostram que existe música de qualidade, fora do óbvio e longe do automático, nas plataformas de streaming. Montagem/Reprodução/Instagram/@dinhoouropreto/@terrypainkiller/@delilahbonofficial

Se você passar reto por aqui, corre o risco de terminar o ano ouvindo as mesmas músicas de sempre e achando que “não sai nada novo que preste”. O pulo do gato é que o hit não está só no que “estoura”, ele pode estar nas faixas que não chegaram no algoritmo certo. E se você seguir esta lista, terminará a leitura com um caminho claro de 26 músicas para apertar o play e já sentir qual delas vira sua próxima favorita.

Perdidas no meio do mar de faixas e playlists infinitas das plataformas de streaming, existem músicas capazes de surpreender, emocionar, provocar memórias ou simplesmente expandir o seu universo musical. A abundância de um catálogo praticamente ilimitado, disponível a qualquer hora e lugar, cria oportunidade e desafio: por um lado, você tem acesso a músicas de todos os cantos do planeta, mas por outro, artistas excepcionais podem passar despercebidos justamente por causa dessa imensidão.


Descobrir essas “pérolas escondidas” exige mais do que deixar algoritmos decidirem o que você ouve, requer curadoria humana, olhar atento e, às vezes, um mergulho na história e contexto de cada canção.

Enquanto as ferramentas de recomendação tentam te mostrar o que combina com o que você já consumiu, muitas vezes elas não conseguem captar totalmente a singularidade de artistas independentes ou gêneros fora do mainstream, fazendo com que obras valiosas permaneçam na sombra.


Nesta lista, o streaming vira uma caça ao tesouro com trilha sonora variada e bem amarrada. Você vai encontrar rap com brasilidade, indie pop íntimo, MPB com atitude, rock nacional de refrão grande, grunge sujo, pop punk bem-humorado e até metal para fechar com impacto. E não é uma salada aleatória: a ordem foi pensada como uma viagem de clima, começando no arrepio silencioso, passando pela energia de estrada, entrando na catarse e terminando naquela pancada que reinicia a mente.

A seguir, uma seleção de 26 faixas que merecem ser descobertas ou revisitadas neste fim de ano, com links para ouvir e contextos que explicam por que cada música vale a sua atenção.


1) JADNA ALANA – As flores são para os mortos

Jadna Alana é uma escritora premiada que canta por hobby, mas essa definição não dá conta do tamanho do talento. As flores são para os mortos nasceu junto do livro homônimo e, até hoje, segue como a única música lançada por ela, o que só aumenta o impacto: é como encontrar um capítulo musical raro, bonito demais para ficar sozinho no catálogo.

A canção surgiu em voz e ukulele durante a pandemia, e veio carregada de força. A produção preserva essa intimidade e transforma a composição em um indie pop moderno, com clima cinematográfico, na linha de Billie Eilish e Maggie Rogers, mas com uma identidade própria que mistura delicadeza e peso emocional.


Recomendado para fãs de: Billie Eilish, Maggie Rogers, indie pop, pop alternativo minimalista, bedroom pop.

2) Isaura – Liga-Desliga

Isaura é uma cantora pop de Portugal que chegou a um público maior depois de vencer um programa musical por lá, mas a vida interrompeu o roteiro quando ela precisou pausar a carreira para enfrentar um tratamento contra o câncer. Hoje, recuperada, ela segue fazendo música na Europa, e isso dá outro peso para o que ela canta: há uma maturidade emocional que não é só técnica, é vivida.

Liga-Desliga é uma das faixas mais marcantes que você pode encontrar no indie pop. O beat é suave, mas o grave entra com pressão no momento certo, como se a produção traduzisse o tema da música, esse coração que alterna entre se proteger e se entregar. É daquelas canções que agradam fãs de Lorde, mas também fisgam quem vem do pop rock alternativo e gosta de melodia com atmosfera.

Recomendado para fãs de: Lorde, Taylor Swift, Aurora, indie pop europeu, pop alternativo melódico.

3) Hannah Grae – Bitch

Hannah Grae apareceu de repente na minha timeline e chamou atenção por misturar de forma bem resolvida o que costuma vir genérico: pop com espírito de rock alternativo. É uma faixa que poderia conversar com o universo de Lady Gaga e Maroon 5, mas com guitarras mais distorcidas e uma pegada mais pesada, quase como um pop que decidiu sujar as mãos.

O resultado tem peso, ritmo e personalidade. É daquelas músicas que prendem porque equilibram refrão de apelo pop com energia de banda, sem soar genérica.

Recomendado para fãs de: P!nk, Lady Gaga, Imagine Dragons, Maroon 5, pop rock alternativo.

4) Gina Kaz – This Kiss

Gina Kaz é uma cantora, compositora e multi-instrumentista radicada na Filadélfia que escreve pop emotivo como quem transforma vida em trilha sonora. Em This Kiss, ela começa com uma abertura longa a capella, sem truques e sem autoproteção, e isso é justamente o que torna a música inesquecível: a voz “despida” cria um impacto emocional imediato, com honestidade rara num cenário tão cheio de correção e modulação.

Recomendado para fãs de: Shania Twain, Brandi Carlile, Kacey Musgraves, folk pop, country pop moderno.

5) Delilah Bon – Homework

Delilah Bon é o projeto solo que Lauren Tate criou na pandemia, depois de já ter mostrado força com a Hands Off Gretel, e hoje virou sua carreira principal. Em Homework, ela faz o que pouca gente consegue sem soar forçado: mistura a cultura do hip hop com o peso do punk e do metal, tudo com personalidade e atitude de sobra, naquele espírito de Gwen Stefani, Charlie XCX e P!nk, mas com uma assinatura própria bem britânica.

Ela constrói tudo de forma autônoma e artesanal, da composição à produção audiovisual, com um nível de excelência que chama atenção até fora da bolha do rock, um detalhe que só aumenta o respeito.

Recomendado para fãs de: Charlie XCX, Gwen Stefani, Fergie, P!nk, rap rock, brat punk.

6) Marcos Hertz – Eu Vou

Marcos Hertz é um gaúcho que se mudou para São Paulo nos anos 90 e carrega essa travessia dentro da música, misturando MPB com pop e uma leve pegada de rock. Eu Vou tem aquela suavidade gostosa de canção intimista, mas com refrão aberto e melódico, como se um Jorge Vercillo encontrasse a energia do pop rock brasileiro.

O charme do Marcos está em transitar por estilos com naturalidade, trazendo referências culturais, literárias e de cinema para um som acessível, mas cheio de particularidade.

Recomendado para fãs de: Jorge Vercillo, Skank, Biquíni Cavadão, pop MPB.

7) Dhu Alves – Toque Toque Pequeno

Dhu Alves é um professor de História e rapper com estrada desde os anos 90, daqueles artistas que atravessaram fases e projetos sem perder a inquietação criativa. Já passou por um rap mais cru e político sob o pseudônimo de Ed MC - O Gladiador, e até por experiências com rapcore e nu metal gospel, e depois chegou no “Dhu Alves”, um projeto em que ele nomou como RPB (Rap Popular Brasileiro). Em Toque Toque Pequeno, dá para entender o porquê. Ele realmente mistura hip hop com uma brasilidade que soa como gênero novo, não como fórmula.

Essa música ainda carrega um selo de validação raro. Chegou a ser apresentada no SBT e recebeu elogios entusiasmados do produtor Arnaldo Saccomani, que enxergou ali algo promissor para a música brasileira. O refrão cantado por Bruno Bis, que infelizmente nos deixou cedo demais, confere leveza, alegria e melodia à faixa, como um brilho que permanece.

Recomendado para fãs de: Thaíde, Xis, rap brasileiro, MPB contemporânea.

8) RICA SILVEIRA feat. LOS SANTOS – Todos Nós Somos

Rica Silveira é um agitador cultural, rapper e punk que faz música independente desde 1993, com história em bandas como DeCore, Calibre 12 e Gritando HC. "Todos Nós Somos" começou para ser só um jingle, mas cresceu e virou música de trabalho, tocou em rádio e ganhou um clipe que é praticamente um retrato da efervescência cultural de Santos-SP, com participações de vários artistas locais como Pinguim Ruas (Charlie Brown Jr, Bula), Lena Papini (Francisco El Hombre, A Banca, Cali Rock) e Wander Ruas (Alva).

Tive o privilégio de participar da produção do vídeo, num período em que integrava a Primitiva Sociedade Romântica, e isso transforma a faixa em memória de cena guardada em relicário.

Recomendado para fãs de: Marcelo D2, Projota, Gabriel O Pensador.

9) Fernanda Coelho – Nós Somos Todos

Nós Somos Todos é uma dessas músicas que seguram firme a bandeira da Nova MPB. A letra fala de respeito à diversidade e liberdade de viver, e a Fernanda canta isso com uma postura que lembra a força de Cássia Eller e Ana Cañas, sem soar panfletário. É mensagem com emoção e lugar de fala, não discurso vazio.

O arranjo também ajuda a fisgar. Começa mais acústico, criando intimidade, e depois abre espaço para a guitarra entrar com peso e um solo bem rock’n’roll, como se a música subisse de tom junto com o tema. É daquelas faixas que conversam com público de MPB e de rock nacional ao mesmo tempo.

Recomendado para fãs de: Cássia Eller, Zélia Duncan, Ana Cañas, Nando Reis.

10) Bozzo Barretti feat. Dinho Ouro Preto – Fratura (Um Pequeno Poema para 2020)

Essa canção celebra um reencontro épico: Bozzo Barretti e Dinho Ouro Preto voltando a gravar juntos quase 30 anos depois, cada um da sua casa, em plena pandemia, como se a distância virasse parte do sentido da música. Bozzo é um monstro da composição e da produção no Brasil, responsável pelos primeiros discos do Capital Inicial e autor de clássicos que atravessam o rock e a MPB, e aqui ele junta esses dois mundos com naturalidade, em um pop rock com alma brasileira.

O clipe, costurado com imagens da estrada e da história compartilhada, tem aquele poder de emocionar o fã que acompanhou o Capital desde o início. É uma pérola por som e por contexto, um pequeno poema de cicatriz e continuidade da humanidade.

Recomendado para fãs de: Capital Inicial, Skank, Oswaldo Montenegro, Nando Reis.

11) OS13 – Bélico Descendente

Andrey Milan é um compositor e cantor à frente da banda Os13, que escreve com verdade sobre país, mundo e vida, colocando no papel a própria visão social com coragem e coração. Em Bélico Descendente, ele transforma essa vivência em canção com cara de hit, daquelas que poderiam estar sem esforço no repertório de qualquer grande nome do rock nacional.

O som mistura groove, funk soul e rock’n’roll de um jeito muito agradável, com refrão forte e instrumental cheio de balanço. O clipe é criativo e bem resolvido, entrega autenticidade e passa a mensagem com responsabilidade, sem perder a pegada.

Recomendado para fãs de: O Rappa, Charlie Brown Jr., Incubus, Tihuana, Detonautas.

12) Drenna - A Praia

A Praia é a definição de refrão feito para ser gritado em coro, com aquele clima de celebração. A Drenna costura pop rock nacional, atitude punk e uma pegada indie sem perder o foco. A música sobe, abre o sorriso e dá vontade de cantar pulando. E o melhor é que a miscelânea não vira bagunça, ela vira assinatura. É rock “para todo mundo”, com cara de RJ, mas sem regionalismo, daqueles que cabem tanto no rolê quanto na estrada.

A banda é um power trio carioca, e “A Praia” veio com espírito de válvula de escape, inspirada naquela ideia simples e universal de que ver o mar reorganiza o caos da rotina. A faixa ganhou atenção ao ser lançada após a passagem do grupo pelo Rock in Rio em 2022, reforçando esse momento de crescimento e conexão com público novo.

Recomendado para fãs de: Capital Inicial, CPM 22, Skank, Charlie Brown Jr., NX Zero, Green Day.

13) Stereo 8 – Me Encontrei

A Stereo 8 surgiu em Ermelino Matarazzo, extremo leste de São Paulo-SP, como um power trio que misturava hardcore, punk rock e rock alternativo com uma inteligência rara. Em Me Encontrei, dá para ouvir a soma dessas referências, do pop punk de Blink-182 ao rock de arena oitentista tipo Journey. Tudo filtrado pela ótica do hardcore melódico que marcou a cena paulistana.

O clipe, gravado no próprio bairro, é parte da graça. Criativo, cheio de bom humor, com referências aos videoclipes oitentistas e aquela comédia pastelão que lembra Foo Fighters e Blink. Musicalmente, a faixa é muito bem executada, com arranjo equilibrado e um refrão melódico gigantesco, coroado por um dueto de vozes afinado e certeiro, no estilo que faz o gênero grudar na cabeça.

Recomendado para fãs de: Blink-182, NOFX, Foo Fighters, Green Day, The Offspring.

14) The Sun Makers – En la Ciudad de la Furia

Se eu te dissesse que a The Sun Makers é uma das maiores bandas de rock da Argentina, você provavelmente acreditaria ao ver o nível ultra profissional desse trio. Mesmo sendo totalmente independente e produzido no quarto do casal Matias e Maru, o som tem competitividade de banda grande, com instrumentistas acima da média, composição forte e aquele clima de “canção de estádio”.

Essa versão é um cartão de visitas perfeito, mas o catálogo inteiro deles é imperdível. É rock latino com ambição, assinatura e acabamento, do tipo que poderia ser referência do rock do continente sem esforço.

Recomendado para fãs de: Soda Stereo, U2, Foo Fighters, rock argentino, rock latino.

15) The Hellflowers – Running Through The Fog

Há 10 anos atrás, quando conversei com a vocalista da banda via Facebook, constatei que a The Hellflowers era uma banda de Hollywood com organizada, com força de vontade e muita atitude. Running Through The Fog confirma isso. É rock alternativo com impacto musical e visual, misturando punk rock, rockabilly e grunge com muita eficácia, sem soar derivativo.

Em alguns momentos lembra Hole, em outros puxa a energia de Rancid, sempre com uma identidade própria e um clipe que entrega as influências no figurino, no arranjo e na postura. Para quem gosta de rock alternativo norte-americano, é prato cheio.

Recomendado para fãs de: Hole, Rancid, Nirvana, punk rock, rockabilly punk.

16) Skating Polly – Hail Mary

Skating Polly é uma das bandas mais interessantes que descobri na última década. Formada por três irmãos, ela mistura introspecção e explosões de energia com uma personalidade ímpar, como se juntasse a melancolia juvenil com as dores e complexidades da vida adulta. A vocalista brinca com esses contrastes. Às vezes soa suave e quase “fofa”, e de repente solta gritos rasgados, ferozes, que mudam o clima da música em segundos.

Em Hail Mary, essa assinatura aparece com força. É densa, intensa, estranha no melhor sentido, lembrando um encontro de Smashing Pumpkins com Melvins, temperado por ecos de The Cranberries, mas com o espírito inquieto do grunge no sangue. É o tipo de banda que não tem faixa “ok”, tudo parece ter verdade e risco.

Recomendado para fãs de: Hole, Smashing Pumpkins, Melvins, The Cranberries, Alanis Morissette, Nirvana.

17) Piratas Siderais – Réquiem

Réquiem vem de uma fase seminal de uma das bandas mais criativas do Rio Grande do Sul. Direto de Imbé, a última praia do último Estado do país, a Piratas Siderais carrega aquela essência típica do rock sulista misturado ao grunge, hard rock, heavy metal e punk, com um olhar próprio. A música tem um flow de rap nos versos e uma sombra de Alice in Chains na sonoridade, como se a banda estivesse se descobrindo em linguagem e assinatura.

O clipe faz parte de uma história que começou lá atrás, na época em que a banda teve contrato com a Universal Music, e conta a trajetória trágica de um ex-presidiário que morre numa briga na cadeia. Essa história idealizada por Igor Casa Nova, foi roteirizada e dirigida por mim, fazendo dessa faixa não é só uma pérola escondida no streaming, mas um retrato de um momento decisivo da banda e da minha própria trajetória profissional.

Recomendado para fãs de: Pearl Jam, Alice in Chains, Nirvana, Mudhoney.

18) bleach – CANDY BOX

O nome Bleach já entrega a referência sem constrangimento, mas a graça é que a banda não fica presa ao Nirvana. Candy Box puxa para um rock alternativo mais melódico, com aquela vibe de Bush e Silverchair, e mostra uma maturidade de produção que surpreende logo na primeira audição. É o tipo de single que vai construindo nuances para te prender do começo ao fim, sem depender só de riff.

O clipe também chama atenção pelo nível de acabamento. Dá uma sensação de banda mainstream, com linguagem de artista global, mesmo sendo um achado de cena independente. É uma pérola escondida justamente porque tem qualidade demais para passar batida.

Recomendado para fãs de: Bush, Silverchair, Collective Soul. Stone Temple Pilots, Nirvana.

19) Sludge Mother – Antidote

Sludge Mother é dessas descobertas recentes que já chegam com assinatura. A banda tem muita personalidade e mergulha numa vibe bem lado B do Nirvana, guitarras bem distorcidas, atitude grunge e um espírito que conversa mais com o fã do álbum Bleach do que com quem só conhece os mega hits da banda.

A vocalista é um show à parte e dá a sensação de um “Kurt Cobain de saias”, com mais sal e pimenta, carregando a faixa nas costas com presença e ferocidade.

Recomendado para fãs de: Nirvana, Stone Temple Pilots, Soundgarden, The Smashing Pumpkins.

20) Facing Fear – Music Hero

Nos primeiros vídeos curtos que assisti do Terry Painkiller, já percebi um artista cheio de personalidade e com muito a dizer, e ao descobrir a sua banda, Facing Fear, encontrou um universo metaleiro nostálgico. Music Hero é heavy metal e hard rock com alma oitentista, com aquela vibração que remete a Kiss, mas sem soar cópia.

O charme é que a música funciona tanto para quem já é do metal quanto para quem ainda não entrou no gênero. Ela tem refrão, energia e cara de “porta de entrada”, perfeita para playlist de rock e hard rock.

Recomendado para fãs de: Kiss, Judas Priest, Ozzy Osbourne.

21) Fora Da Pista – Sem Entender

Sem Entender soa como uma evolução do rock nacional, como se a escola brasiliense dos anos 80 encontrasse a geração do hardcore e do skate rock dos anos 2000. A banda consegue trazer algo novo sem perder a familiaridade, com aquela nostalgia boa de quem cresceu ouvindo Capital Inicial, e viveu a era Charlie Brown Jr..

O clipe também é parte da pérola. Fotografia cinematográfica, gravado dentro de uma adega, com takes impactantes e bem resolvidos. É aquele tipo de faixa que dá a sensação de que poderia ter tido alcance muito maior.

Recomendado para fãs de: Capital Inicial, Legião Urbana, Charlie Brown Jr., CPM 22.

22) Fábrica Civil – O Sentido

A Fábrica Civil foi tratada como clássico do underground no começo dos anos 2000, daqueles cujo CD circulavam de mão em mão nas escolas. O Sentido era a faixa que melhor traduzia a proposta da banda: pop punk com um coração de rock nacional, bebendo em Legião Urbana e Nenhum de Nós sem perder a energia da cena que revelou CPM 22 e NX Zero.

Depois do fim da banda, a história dos integrantes também virou capítulo de cena. Mark virou baixista da Fake Number, Mavinho trocou as baquetas pela câmera e se tornou um fotógrafo de destaque e o vocalista seguiu como produtor e técnico, trabalhando importantes nomes da música, além de integram a gótica Das Projekt.

Recomendado para fãs de: CPM 22, Dance of Days, NX Zero, Legião Urbana, Capital Inicial, Biquíni Cavadão.

23) Zero2 – Um Dia Daqueles

Aqui a grande pérola é o videoclipe. Para uma banda independente, vinda do interior, é impressionante ver como a Zero2 conseguiu realizar um audiovisual tão cinematográfico, com fotografia de bem referenciada, metáforas e um surrealismo cheio de intenção, daqueles que pedem atenção do começo ao fim.

O protagonista entrega uma interpretação gigante e carrega a emoção da história com profundidade. Você sente referências de cinema grande, até um clima à la Stanley Kubrick, mas aplicado de um jeito autoral e poético. É vídeo para assistir com calma, porque ele resignifica a música em expande a experiência.

Recomendado para fãs de: Legião Urbana, Biquíni Cavadão, CPM 22.

24) Júnior Cordeiro – A Última Visão

Júnior Cordeiro é um poeta de Campina Grande-PB, de alma artística rara, detentor de um som peculiar e riquíssimo, onde psicodelia, música nordestina, folk e rock progressivo se encontram sem parecer experimento. Ele é professor e estudioso da cultura nordestina, da linguística e das artes, e isso aparece em cada detalhe, como se cada música sua fosse uma aula sensível sobre história, língua e identidade.

Ouvir A Última Visão é mergulhar num universo filosófico e literário, cheio de referências e camadas, mas ainda assim muito claro e direto em seu sentimento.

Recomendado para fãs de: Zé Ramalho, Ave Sangria, Zé Geraldo, Bob Dylan, Neil Young, Genesis.

25) Nine Red Moons – Sumerian Songs for the Dead

Nine Red Moons é um projeto especial idealizado por Eduardo Simões, que reuniu músicos do Brasil, Estados Unidos, Inglaterra, Polônia, Itália e Grécia para gravar material autoral composto durante a pandemia. O resultado tem nível comercial global, com competitividade mercadológica e um cuidado de produção que salta aos ouvidos.

O vocal do grego Tassos Lazares é um show à parte, com personalidade e um timbre que lembra Bruce Dickinson e Geoff Tate, mas mantendo assinatura própria. E o time de participações só reforça a força do projeto, com nomes ligados a Sepultura, Viper e outras referências do metal brasileiro. É uma pérola obrigatória para qualquer fã de heavy metal.

Recomendado para fãs de: Iron Maiden, Queensrÿche, Viper, Dio.

26) Disruption – Kvarnsten

O Disruption vem desde 1999 devastando a cena de Blekinge, no sul da Suécia, com um som que não tenta ser polido. Eles misturam death metal melódico com thrash, nu metal e hardcore, e ainda carregam letras políticas que miram nas injustiças e no lado sombrio das estruturas da sociedade. É uma banda de identidade, elogiada como ótima ao vivo e com peso real na cena local.

Kvarnsten é porrada do primeiro segundo ao último, cantada em sueco com uma intensidade que dispensa tradução. Riffs esmagadores, ritmo pulsante e vocais cortantes constroem uma faixa agressiva, mas bonita na sua brutalidade, equilibrando metal e hardcore com ousadia. É música pesada moderna e honesta.

Recomendado para fãs de: Testament, Slayer, Anthrax.

Mesmo fora do circuito comercial, essas canções carregam atmosfera capaz de soar grandes e provar que ainda há muito a ser descoberto no streaming. Montagem/Reprodução Spotify

Esta seleção atravessa gêneros, décadas e geografias, mas o fio condutor é o mesmo: música que merece ser ouvida, sentida e compartilhada, não apenas porque é boa, mas porque expande a maneira como você percebe o que ainda pode existir “escondido” no infindável catálogo das plataformas.

Em uma era em que a descoberta musical muitas vezes fica à mercê de algoritmos, recuperar a curadoria humana, contextualizada e crítica, é um ato de resistência cultural.

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