Novo Som volta ao hard rock romântico e acerta em cheio no dueto com André & Felipe
A faixa “Em Silêncio” junta duas gerações do gospel com arranjo limpo, mix orgânica e um clipe de estética rústico-industrial
O Novo Som sempre soube uma coisa que muita banda esquece com o tempo: sofisticação não é sinônimo de excesso. Em Silêncio começa direto, sem rodeios, com aquele clima suave que é marca do grupo, sustentado por um minimalismo eficiente de teclado e voz, com base firme para segurar a canção sem precisar inflar o arranjo.
Esse início é um manifesto de controle. A música não tenta impressionar por volume, ela convence por equilíbrio.
A parceria com André & Felipe é assertiva. O dueto funciona porque há divisão real de protagonismo, as vozes se encaixam sem disputar espaço. Existe contraste e existe unidade.
É o tipo de encontro que faz sentido de dentro para fora, especialmente num lançamento pensado como “o encontro de gerações” dentro da música cristã nacional.
Instrumentalmente, a faixa bebe do hard rock romântico oitentista filtrado pela ótica estética do Novo Som. Guitarras de timbre aveludado, distorcidas sob medida, criando um clima de rock melódico sem agressividade. Isso amplia o alcance.
A canção abraça desde fãs de solos e timbres épicos de guitarra, até quem quer uma audição suave, de fundo, sem perder o protagonismo da mensagem. O arranjo é construído para ser um grande coringa: faz a canção servir ao cotidiano, ao culto, a um domingo à tarde em família, sem parecer oportunista ou genérica.
A mixagem é um dos pontos fortes. Frequências soam orgânicas, com bom equilíbrio de graves e agudos, e as vozes aparecem com brilho e destaque totalmente adequados, com conforto na região de frequências médias.

A mix privilegia textura e corpo, com vozes na frente e instrumentos respirando ao redor. O som aqui é polido, mas mantém corpo e identidade. E isso conversa com a proposta central da letra: dependência, entrega, confiança, aquela ideia de colocar a causa nas mãos de Deus e não insistir em resolver tudo no braço.
A execução conversa com o pop e sertanejo atual, mas dentro do universo gospel. A participação da dupla André & Felipe confere o ar dessa brasilidade contemporânea, enquanto a banda mantém o hard rock sustentado pelo piano marcante, guitarras expressivas e base sólida.
Essa percepção confirma que o Novo Som pode transitar por diversos estilos musicais e, ainda assim, puxar o centro de gravidade para a sua assinatura estética do rock como cola emocional. É aí que mora a inteligência do single: não é “mistura por mistura”. É uma reinterpretação de linguagens para construir uma canção de introspecção, sem perder a tradição musical.
No videoclipe, a direção escolhe beleza e clareza como eixo, com foco total na performance e na atmosfera. A abertura já entrega uma fotografia imponente de Alex Gonzaga cantando, com plano aberto em cenário de paredes rústicas, tijolos aparentes e vegetação.
O clipe acerta na combinação de rústico com moderno industrial e trabalha bem tons quentes, coerentes com a temática. A performance em um único ambiente funciona ao transformar o cenário em protagonista junto com os artistas. Ponto para o diretor de fotografia Vitor Rezende.
Em Silêncio é uma canção abrangente em texturas e público sem ser diluída. O Novo Som e André & Felipe entregam maturidade de composição, arranjo e mix. O resultado é um single que comunica o evangelho com suavidade, clareza e assertividade.
Lançamentos que tentam dialogar com públicos distintos muitas vezes viram um meio-termo fraco. Aqui acontece o contrário: as distinções viraram ponte.
Se a proposta era unir gerações sem descaracterizar nenhum dos artistas, a faixa cumpre. E cumpre com personalidade e naturalidade.
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