‘Recomeçar’, de Luiza Girardello: crítica do novo single da ‘Voz Azul’ da nova MPB
Entre saudade e decisão, Luiza Girardello escreve sobre o que sobra depois dos erros
Recomeçar de Luiza Girardello, fala de voltar para si com mais cuidado. Luiza escreve sobre o que fica depois dos erros e sobre a tentativa de não repetir o que já machucou. Não tem pose de superação. Tem memória, responsabilidade e uma decisão prática de fazer diferente.
Luiza Girardello, a Voz Azul da nova MPB, lança aqui um single carregado de sensibilidade e poesia. O tema central não é “seguir em frente” como mero jargão. É retorno. É encarar o que foi perdido, o que foi ferido e, principalmente, o que foi provocado pelas próprias escolhas. Luiza não posa de vítima perfeita. Ela admite as cicatrizes de erros e acertos.
A letra opera nesse lugar incômodo e honesto. Quando ela pede que o próprio fogo a guie, a imagem delimita um risco: o mesmo fogo que a ilumina também a consome. Em “Que muito queimei e devastei com os ventos que trazia”, o texto não tenta suavizar o passado. Ele o reconhece. E quando afirma “Dessa vez hei de cultivar sem ventanias e somente com o fogo necessário pra me guiar”, a promessa soa como quem aprendeu a viver com menos impulso e mais critério.
Na sonoridade, essa maturidade também aparece como arranjo. A faixa começa com piano e voz, numa abertura que instala intimidade imediata. Aos poucos, a música cresce, sem pressa, como se cada entrada de instrumento tivesse a função de ampliar um estado emocional, não de preencher espaço.
A bateria chega com suavidade, sustentando sem chamar atenção para si. O contrabaixo dá chão. A guitarra aparece com timbre limpo e frases contidas, com precisão de quem sabe sentir a música antes de expressar em notas.
Há um detalhe que muda a percepção da canção no decorrer da audição: os cantos de pássaros entram ao fundo e deslocam o cenário. Não vira efeito decorativo. Vira poesia. A música sai do espaço fechado e vai para um lugar aberto, quase como se o retorno que a letra descreve também ganhasse paisagem.
No trecho final, o vocal quase a capela, apoiado por esses sons, fecha a narrativa com uma espécie de catarse discreta, sem apelar para grito, sem aumentar o tom, sem artifício de impacto rápido. É clímax poético.
Recomeçar, de Luiza Girardello, também acerta ao não tratar a própria sofisticação como medalha. Ela é sofisticada porque é bem resolvida no que quer ser. A composição não tenta se explicar para caber em uma lógica comercial de músicas curtas. Isso tem custo, claro. Mas também tem ganho: ela cria um espaço onde a palavra respira, onde o silêncio tem função e onde o sentimento não precisa ser empurrado.
Nascida em Porto Alegre-RS, Luiza Girardello construiu a carreira entre o Brasil e os Estados Unidos. Viveu em Boston e, hoje, se estabeleceu em Nova York. Nessa rota, ela vem aproximando jazz e música brasileira em seu repertório e passou a trabalhar sob a estrutura da ZA Music, liderada pela cantora e empresária Zabelê Gomes, que assina a direção executiva do projeto.
Ao ouvir e interpretar Recomeçar, sinto que saio da experiência com uma pergunta leve, mas incomoda: quando a gente diz que vai recomeçar, está mesmo disposto a mudar o jeito de caminhar, ou só quer rebatizar os mesmos hábitos com um novo nome?
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FICHA TÉCNICA:
Autor: João Vitor Costa Dias
Intérprete: Luiza Girardello
Bateria: João Vitor Costa Dias
Guitarra: Shai Rodriguez
Teclado: JT Ho-Mueller
Baixo: Adam Tomcho
Direção Executiva: Zabelê Cidade Gomes
Agenciamento: Za Music
Liberação autoral: BMG Rights Management
Distribuição: New Music sob licença exclusiva de Musikorama Music Entertainment
Recorded at: Wellspring Sound
Mixagem: Edoardo Santini
Masterização: Ismaele Tara
Produtor Musical: Luiza Girardello, João Vitor Costa Dias
Arranjador: João Vitor Costa Dias
Additional Production: Edoardo Santini
Recording Engineers: David “Speve” Kayne, Edoardo Santini
Assistant Engineers: Syd Rose, Josh Lu
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