Odair Braz Jr Canisso e Raimundos não eram nada, mas com muita molecagem mudaram o rock dos anos 90

Canisso e Raimundos não eram nada, mas com muita molecagem mudaram o rock dos anos 90

Baixista do grupo morreu nesta segunda-feira (13) e deixa um legado importante na música pop brasileira

  • Odair Braz Jr | Do R7

Canisso e os Raimundos estouraram no meio da década de 90

Canisso e os Raimundos estouraram no meio da década de 90

Edu Moraes/Record TV

Foi o produtor Carlos Eduardo Miranda — o famoso Miranda, morto em 2018 — quem descobriu e lançou o Raimundos para o mundo. A banda já existia desde o fim dos anos 80, mas não era nada. Não fazia sucesso, não havia tido até então a chance de lançar discos, tocava em lugares minúsculos e não chegava ao grande público. Tanto que seus integrantes chegaram até a se separar em 1990.

Em 1992, Rodolfo Abrantes (vocalista), Digão (guitarra) e Canisso (baixo) se reuniram novamente para um show em Goiânia. Logo em seguida entrou para o grupo o baterista Fred e assim foi composta a formação clássica do Raimundos. Eles gravaram uma fita demo com algumas músicas que foi parar nas mãos de vários jornalistas e gente da indústria da música, incluindo Miranda. Em 1994, o produtor estava à frente da gravadora Banguela Records, criada pelos Titãs Branco Mello e Sérgio Britto para lançar novas bandas e artistas.

Ali no meio dos anos 90, as bandas brasileiras que haviam feito sucesso na década passada já estavam um tanto quanto desgastadas e havia espaço para uma nova safra de roqueiros. Foi aí que o Raimundos entrou com tudo.

Canisso, primeiro às esquerda, na capa do quarto álbum do Raimundos lançado em 1999
Canisso, primeiro às esquerda, na capa do quarto álbum do Raimundos lançado em 1999 Divulgação

Os rapazes da banda, ilustres desconhecidos em São Paulo (eles eram de Brasília), fizeram um ótimo disco produzido por Miranda. Com um rock pesado, cru e direto, o som surpreendia com suas pitadas de ritmos nordestinos. As letras, que falavam do dia a dia e das experiências pessoas do vocalista Rodolfo, eram boas demais, cheias de humor e diferentes de qualquer coisa feita por outros grupos brasileiros. Canções como Minha Cunhada, Selim, Carro Forte, entre outras, viraram hits. O disco vendeu bem, as rádios passaram a tocar as músicas e logo os integrantes da banda viraram popstars. Se tornaram figurinhas carimbadas na MTV.

Os sujeitos, em pouco tempo ficaram superfamosos, andavam por aí como rockstars mesmo. Canisso, por exemplo, usava botas de cowboy (aquelas bicudas, feitas de couro), teve motos importadas e não passava despercebido onde ia. Lembro de vê-lo, em 1999, num show do Kiss em São Paulo. Ele andava do estacionamento para o local do show, que aconteceu no autódromo de Interlagos, e pelo caminho ia distribuindo “olás”, sorrisos e autógrafos para os fãs.

Com seu rock moleque, com letras engraçadas e sem grandes preocupações, o Raimundos tomou conta do cenário nacional durante algum tempo. Se tornaram grandes mesmo, foram para a Warner, ganharam estrutura forte e tudo mais. Mas a banda sofreu um abalo forte quando o vocalista Rodolfo decidiu sair, em 2001, dois anos depois de lançarem Só no Forevis, seu álbum de maior vendagem. Canisso, Digão e Fred decidiram continuar em frente como grupo, só que a coisa nunca mais foi a mesma. Fred saiu logo depois. Canisso e Digão tiveram a missão de manter o Raimundos vivo até hoje, meio que aos trancos e barrancos.

Mas não dá para se enganar com a situação pela qual a banda passava nos últimos anos: Canisso e seus amigos ajudaram, de fato, a mudar a cara do rock brasileiro. Fizeram história e Canisso, que nos deixou ontem, é parte importante disso tudo.

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