Odair Braz Jr Como o 11 de Setembro resgatou a carreira de Bruce Springsteen

Como o 11 de Setembro resgatou a carreira de Bruce Springsteen

Roqueiro lançou The Rising inspirado pelos ataques terroristas; Álbum é um de seus melhores trabalhos

  • Odair Braz Jr | Do R7

Bruce Springsteen, neste sábado, em evento do 11 de Setembro, em Nova York

Bruce Springsteen, neste sábado, em evento do 11 de Setembro, em Nova York

Chip Somodevilla/Pool via REUTERS - 11.09.2021

Bruce Springsteen se apresentou neste sábado, em Nova York, durante os eventos que marcam os vinte anos dos atentados do dia 11 de Setembro. E ele tem motivos de sobra para dar o seu recado e levar sua mensagem a quem foi atingido naquele dia.

Springsteen é um artista que é praticamente um símbolo dos Estados Unidos, muita gente até brinca que ele é “o maior americano vivo”. Suas músicas sempre falaram muito sobre seu país, sobre o “sonho americano”, mas sempre fazendo isso de uma forma crítica, buscando o outro lado da moeda.

E em 2001, quando aconteceram os ataques, Bruce não lançava um disco havia seis anos. Seu último trabalho tinha sido o álbum acústico Ghost of Town Joad e, depois disso, mais nada. Os anos 90 haviam sido estranhos para o roqueiro. No fim dos anos 80 ele se separou da E. Street Band, sua banda de longa data, e os trabalhos que lançou sem seus companheiros não foram bem recebidos pela crítica e os fãs também deram uma reclamada. Foram os discos Human Touch e Lucy Town, que saíram juntos no mesmo dia em 1992. Depois destes dois, saiu apenas o já citado Ghost of Tom Joad, em 1995.

Ali no começo dos anos 2000, Springsteen estava meio perdido, sem saber muito bem que rumo tomar na carreira. Daí que estava esperando por algo, talvez um chamado, enfim, uma inspiração. E ela veio através dos ataques terroristas que destruíram as torres gêmeas.

Bruce vive em Nova Jersey, Estado vizinho de Nova York. O músico viu, na TV, logo pela manhã, as cenas dos aviões se chocando contra os prédios. Mais tarde, foi até uma das praias que costumava frequentar, de onde é possível ver a ilha de Manhattan. Era possível visualizar a coluna de fumaça que se erguia. Após a parada na praia, o músico entrou em seu carro e foi buscar seus filhos na escola. Na saída para a estrada, um outro veículo passou e seu motorista reconheceu o roqueiro. De sua janela, o homem disse: “Bruce, precisamos de você”. Após os eventos do 11 de Setembro e anos sem lançar material novo, Springsteen sabia exatamente o que a pessoa estava querendo dizer.

A CURA

Capa do álbum The Rising

Capa do álbum The Rising

Divulgação


O álbum que resultou de toda esta situação se chama The Rising, que marcou o lançamento de músicas inéditas e, de quebra, uma reunião com a E. Street Band. O disco, lançado em julho de 2002, tem quinze canções, várias delas compostas a partir do impacto dos ataques terroristas. Há outras ainda que Springsteen já havia escrito anteriormente e o interessante é que mesmo estas acabam combinando com o clima geral do álbum.

No disco, Bruce não aparece com uma sensação revanchista e nem pede vingança. As novas canções são reflexões sobre o que aconteceu, sobre como se levantar, como seguir adiante, sobre o que é ser americano sob estas circunstâncias e com mensagens para se lembrar de quem se foi durante a catástrofe.

Assim, com o mais puro rock produzido por Bruce junto com sua E. Street Band, os fãs deram as boas-vindas a músicas como The Rising, Into the Fire, Empty Sky, The Fuse, You’re Missing, My City of Ruins, entre outras. São canções bem emocionantes, cheias de punch, algumas épicas ao estilo Springsteen, outras mais sombrias, melancólicas, enfim, tudo muito cheio de energia e recheadas com tudo o que os fãs — e os americanos — precisavam naquele momento difícil.

The Rising é, sem dúvida, um dos melhores discos de Bruce. Talvez um dos cinco melhores de sua longa carreira. Veja, em 2002, o roqueiro tinha 52 anos e não há muitos músicos por aí que lançam um de seus maiores trabalhos nesta idade. E Springsteen fez isso. A tragédia fez com que ele reencontrasse seu caminho perdido lá nos anos 90 e voltasse a ser o artista que sempre foi, aquele trovador da vida americana. A partir daí, Bruce seguiu lançando grandes álbuns, um atrás do outro, e isso segue até os dias de hoje. É impressionante notar que ele não fez um único disco ruim desde então.

Neste 11 de setembro, se você quiser sentir um pouco do clima de vinte anos atrás, toda a angústia, os dilemas, as dúvidas e a esperança, ouça The Rising, o 12º álbum de estúdio de Springsteen. E o moço que disse que todos estavam precisando do roqueiro, estava certo. Bruce entregou o remédio para seus fãs.

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