Odair Braz Jr Depois do Skank, cinco bandas que já deviam ter batido as botas

Depois do Skank, cinco bandas que já deviam ter batido as botas

Essa turma aqui já tinha que ter parado há muito tempo e você sabe bem disso, então sem chororô

Alguém avisa o Roger que o Ultraje já acabou, por favor?

Alguém avisa o Roger que o Ultraje já acabou, por favor?

Estadão Conteúdo/Daniel Teixeira

Há alguns dias, o vocalista Samuel Rosa disse para a jornalista Mônica Bergamo que o Skank vai se separar a partir de 2021. Ele quer sair em carreira solo e dar uma arejada, tocar com outras pessoas. Faz bem. O Skank é um dos melhores grupos de pop/rock do Brasil mas, como bem lembrou Rosa, está na estrada há 30 anos, apesar de nem parecer. E o cantor foi além: deu a mesma sugestão para a turma do Capital Inicial e do Jota Quest, que também estão por aí há bom tempo (o Capital bem mais, claro).

E é um fato: estamos vivendo no Brasil um fenômeno que também acontece com bandas americanas e inglesas, por exemplo. É o fenômeno dos grupos que não acabam mais, que nunca chegam ao fim porque, afinal de contas, ainda conseguem ganhar uma grana com uma turnezinha aqui, um festival ali e sempre mantendo aquela constância de não mostrar nada de importante ou interessante. Sem falar nos álbuns, que rarearam muito e, quase sempre, são aquelas coisas que se salvam uma ou duas canções. O resto é só espuma.

Daí que Samuel Rosa deu um passo à frente ao colocar um ponto final (momentâneo?) no Skank. E, veja bem, é uma das únicas bandas que temos por aqui que não precisariam fazer isso. Samuel e seus comparsas têm lançado bons discos com certa frequência, preocupam-se muito com o lado artístico, não vão atrás da última tendência e não se unem a qualquer panelinha de artistas em busca de permanência. Mas dá bem para entender os motivos de Samuel. Tem uma hora em que uma parada ou decretar o fim de algo é necessário e até saudável.

Então, para ajudar um pouco esse povo do pop/rock a se mexer, vão aqui algumas boas sugestões para as bandas nacionais que já deviam ter pendurado a chuteira há tempos:

Capital Inicial
Como bem disse Samuel Rosa, seria ótimo se o Capital desse uma parada. O problema é que o que Rosa diz é que Dinho Ouro Preto devia sair em carreira solo. Vale avisar que ele já fez isso no passado e rendeu um disco chamado Vertigo. Lançado em 1994, foi um megafracasso e levou uma saraivada de críticas negativas. Enquanto isso, o Capital lançou um disco com um outro vocalista e também se deu mal. Mas o fato é que a banda está realmente fazendo hora extra no planeta Terra. O Capital, diferentemente de outros grupos, conseguiu se reciclar no final dos anos 90 e ganhou uma boa sobrevida, mas já deu. Não dá mais para ver músicos cinquentões tocando canções como se tivessem 15 anos. Adolescência tem limite.

Jota Quest
É uma das bandas mais terríveis do pop/rock brasileiro. Músicas intragáveis e busca incessante por aquele sonzinho simplificado para tentar fazer sucesso a qualquer custo. Já armaram parceria com Anitta, tiveram disco produzido por Nile Rodgers, lançaram disco em espanhol e coisa e tal. Tudo muito bom, mas o que as pessoas se importam mesmo é com “fácil, extremamente fácil”. O Jota Quest não lança um álbum desde um EP de 2016 e ninguém está muito preocupado com o que virá pela frente. Podiam continuar assim, tranquilinhos e quietinhos.

Sepultura
Vamos combinar que não tem a menor graça o Sepultura sem os irmãos Cavalera. Isso já foi discutido até cansar em todos esses anos em que a banda está em atividade sem os dois fundadores. Ok, o Sepultura já fez muitos shows com a atual formação, lançou discos, tocou no Rock in Rio etc e tal. Não precisam mais ficar usando o nome da banda, né? Até porque os Cavalera fizeram um show em junho, em São Paulo tocando só clássicos da ex-banda e foi incrível.

Ultraje a Rigor
Bom, essa banda aqui já acabou faz tempo, só esqueceram de avisar o Roger. Aliás, é um mistério como o Ultraje se mantém por aí sem lançar discos, sem músicas novas e com pouquíssimos shows. Aliás, não é mistério, não. O grupo é a banda de apoio do programa do Danilo Gentili e, diga-se, é um lugar bem triste para uma banda que se diz de rock estar. Lamentável.

Los Hermanos
Uma banda que só se reúne de cinco em cinco anos (ou algo do tipo) para seus integrantes levantarem uma grana realmente não merece existir. E também não tem ninguém ali que goste do Ramones. Não há motivo maior do que esse, certo?