Odair Braz Jr Renato Russo: filho queria canções inéditas; ótimo que elas não existam

Renato Russo: filho queria canções inéditas; ótimo que elas não existam

Músico já teve vários álbuns póstumos lançados e não há mais nada "novo" para aproveitar; Operação da polícia foi um exagero vindo do filho do cantor

  • Odair Braz Jr | Do R7

Dado Villa-Lobos, Renato Russo e Marcelo Bonfá em foto de 1993

Dado Villa-Lobos, Renato Russo e Marcelo Bonfá em foto de 1993

Tasso Marcelo/Estadão Conteúdo - 23.11.1993

Talvez valha a pena pensar sobre a necessidade de se usar dinheiro público – da força policial, no caso - numa operação para averiguar a suposta existência de músicas inéditas de Renato Russo que estariam com um produtor musical. A investigação se chamou Operação Será, em referência a uma música composta pelo cantor, mas o nome mesmo deveria ser Operação Tempo Perdido. E dinheiro público também.

A ação foi pedida por Giuliano Manfredini, filho de Renato e responsável por administrar boa parte da obra do músico morto em 1996. Giuliano cuida da marca “Legião Urbana” com mãos de ferro, controlando todos os detalhes de maneira obsessiva, determinando quem pode ou não usar o nome da banda e por aí vai. Ele impede até mesmo Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá, ambos integrantes do Legião, de usar o nome da banda. Veja só: Dado e Bonfá foram peças integrantes e determinantes do Legião e simplesmente não podem fazer nada com o grupo que eles ajudaram a construir e a transformar num sucesso estrondoso.

Esse controle de Giuliano acontece porque Renato Russo era o dono da marca “Legião Urbana”, tendo inclusive comprado a parte que cabia aos outros dois companheiros de banda. O filho de Russo está sim exercendo seu direito, afinal é o herdeiro, mas vamos combinar que falta a ele um pouco de tato. Sem falar nas questões ética e morais, principalmente em relação a Dado e Marcelo.

CONTROLE ABSURDO
De qualquer forma, deu para sentir um certo alívio generalizado por não terem sido encontradas músicas inéditas do Renato Russo. O que a polícia achou na gravadora do produtor e pesquisador Marcelo Fróes – e que não é material roubado nem nada – foram letras inacabadas e versões um pouco diferentes de canções já conhecidas. Ou seja, o que há são sobras de estúdio, gravações rejeitadas e coisas assim. Nada de uma ou várias músicas inéditas e finalizadas por Renato. Nesse sentido, a operação da polícia foi mesmo perda de tempo. Até porque, se houvesse material inédito e em condições de lançamento, já teria sido saído há muito tempo para o público comprar.

Renato morreu há 24 anos e, após sua morte, saíram alguns discos com material que não havia sido lançado. O próprio Fróes garimpou e produziu parte desses álbuns e já espremeu o que foi possível. Nem tudo o que está nesses CDs se salva.

E é nesse sentido que há um alívio com o fato de a polícia não ter encontrado músicas inéditas. Álbuns póstumos quase sempre são uma má ideia. Normalmente são ruins, justamente por terem canções inacabadas ou mesmo que foram rejeitadas pelo artista ainda em vida. Esse tipo de material, em geral, não passa de um caça-níquel para tirar mais um dinheirinho dos fãs. E você acredita que 24 anos depois haveria alguma coisa boa de verdade nas sobras deixadas por Renato? Muito improvável, certo?

Então, essa ação da polícia foi um completo exagero e fruto total da necessidade de controle de Giuliano Manfredini. Não dá para saber, mas se a intenção do herdeiro é afastar os fãs de seu pai e do Legião Urbana, o trabalho está sendo muito bem feito.

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