Odair Braz Jr Tráfico de drogas, Axl Rose sem-teto e Slash no Poison: livro revela a história chocante do Guns N’ Roses

Tráfico de drogas, Axl Rose sem-teto e Slash no Poison: livro revela a história chocante do Guns N’ Roses

Banda, que se tornou uma das maiores da história do rock, tem biografia importante lançada no Brasil

  • Odair Braz Jr | Do R7

Guns N' Roses em foto do encarte do álbum Use Your Illusion, lançado em 1991
Guns N' Roses em foto do encarte do álbum Use Your Illusion, lançado em 1991 Divulgação

Poucas bandas de rock levaram tão a sério o “sexo, drogas e rock’n’roll” quanto o Guns N’ Roses e uma biografia que acaba de ser lançada no Brasil prova isso com várias histórias de arrepiar os cabelos da nuca. Há alguns momentos até um tanto constrangedores que, certamente, os fãs do grupo nem gostariam de saber delas. E, ao mesmo tempo, estas mesmas histórias às vezes estarrecedoras, são incrivelmente interessantes e merecem ser conhecidas porque são o que  fazem o grupo de Axl Rose, Slash e Duff McKagan ter uma trajetória única no universo do rock. 

O livro em questão é A Saga do Guns N’ Roses — A Trajetória de uma das Maiores Bandas de Rock do Mundo, da editora Belas Letas e escrito por Stephen Davies, que já biografou vários artistas famosos ao longo das últimas décadas. Este trabalho de Davies, entitulado Watch You Bleed em inglês, foi lançado originalmente em 2008, mas só agora saiu em português.

Davies vai buscar a trajetória da banda desde os seus primórdios e o ponto de partida é a infância de Axl Rose. Ou do menino que se chamava William Bruce Rose Jr., um bebê ruivinho e de cabelos espetados que nasceu na na interiorana cidade de Lafayette, no estado de Indiana, região centro-oeste dos Estados Unidos, em 1962.

O autor vai fazendo várias revelações sobre os primeiros anos conturbados de vida do menino. Ficamos sabendo que sua mãe engravidou sem querer ainda muito jovem e que seu pai era um sujeito meio tranqueira que abandonou sua família tempos depois, deixando William, que ganhou o apelido de Bill, sem seu pai biológico.

Acompanhando os eventos dos primeiros anos de William fica fácil de entender o comportamento instável, raivoso e errático que Axl viria a ter já na adolescência e vida adulta. Ele passou até por um abuso sexual, ainda muito pequeno, cometido por seu pai, o que causou um grande trauma no futuro vocalista do Guns N’ Roses.

Conforme foi crescendo, Bill colecionou problemas na escola, nas ruas, foi detido várias vezes pela polícia por arruaça, brigas e pequenos roubos. Com este comportamento, o jovem Axl ficou marcado pelos policiais de Lafayette, que não aliviavam para ele. Muito pelo contrário, aliás. Os tiras gostariam que o adolescente sumisse da cidade. O que de fato veio a acontecer mais tarde.

Izzy Stradlin (com o guarda-chuva) e Axl Rose (à direita) na época da banda Hollywood Rose

Izzy Stradlin (com o guarda-chuva) e Axl Rose (à direita) na época da banda Hollywood Rose

Reprodução/Facebook

O livro vai, incialmente, mostrando as histórias de todos os outros integrantes da banda. Ficamos sabendo detalhes da vida de Izzy Stradlin, amigo de infância de Axl que se tornou um dos guitarristas do Guns. Depois o leitor entra em contato com as trajetórias de Slash e Steven Adler, dois amigos de escola que se tornariam guitarrista e baterista do grupo, respectivamente. Uma curiosidade interessante é que a mãe de Slash namorou durante um tempo o cantor David Bowie, que morou em Los Angeles durante alguns anos. Por fim, o autor mostra a chegada de Duff McKagan, que foi de Seattle para L.A. para tentar entrar numa banda de rock. Ele se tornou o baixista do Guns.

FARRA EM LOS ANGELES
O mais interessante de A Saga do Guns N’ Roses é que mostra de forma detalhada o nascimento da banda. Tudo é descrito pelo autor com uma grande quantidade de detalhes e é legal ler tudo isso, porque os músicos passaram por muita coisa na Los Angeles dos anos 80 antes mesmo de se estabelecerem como uma banda.

O texto mostra, por exemplo, os grupos de rock dos quais Axl fez parte — Hollywood Rose e L.A. Guns — e que foram os primeiros passos da trajetória do cantor no mundo da música. Além de também serem o ponto de partida do que viria a ser o Guns (percebeu que juntaram o "Guns" e o "Rose" destes dois grupos?). Também acompanhamos as andanças de Izzy, Slash, Duff e Steven pela cidade em busca do sucesso.

Duff e Axl em show do Guns nos anos 80

Duff e Axl em show do Guns nos anos 80

Reprodução/Instagram Guns N' Roses

Assim, o autor recria um pouco o clima roqueiro que tomava conta de Los Angeles no início e metade da década de 80. A Sunset Strip e suas casas noturnas famosas — Rainbow, Whisky a Go Go, Troubadour — recebiam vários grupos de rock iniciantes que (alguns deles) ficariam famosos nos anos seguintes. Era gente como W.A.S.P., Poison, Motley Crue, Road Crew etc. etc.

Com todos estes detalhes iniciais, o autor mostra para seu leitor a singularidade da trajetória do Guns. Após finalmente se conhecerem, os cinco rapazes — todos na faixa dos 18 a 20 anos na época — formaram de fato o Guns N’ Roses e passaram a morar juntos. Eles eram meio desajustados, não tinham emprego e nem dinheiro e faziam o que era possível para sobreviver nas ruas de Los Angeles enquanto tentavam viabilizar suas carreiras musicais.

Axl, por exemplo, chegou a morar na rua algumas vezes e vivia de subempregos. Izzy vendia — e usava — drogas em pequenas quantidades para seus amigos e outros músicos locais. Duff bebia muito e tinha porres homéricos. Slash também era viciado em heroína e aprontava bastante para levantar uns trocados, além de viver entrando e saindo de bandas. Num terecho bem curioso, o guitarrista fez até um teste para a banda Poison, que ficou bem famosa nos anos seguintes também tocando hard rock. Não deu certo, até porque não tinha nada a ver Slash tocar neste grupo, que era meio que o oposto do Guns.

Quando os cinco músicos já usavam o nome Guns N’ Roses, mas ainda sem contrato com gravadora, alugaram uma garagem pequena que passou a ser a casa deles e servia de estúdio para a banda. Também era a sede de festas que eles promoviam e que atraiam muita gente. Som alto, consumo de drogas e bebidas, arruaça, brigas com a polícia... os eventos tinham de tudo. Houve até queixas de estupro contra Axl, que mais tarde foram retiradas. Mas, de fato, houve acusações.

Conforme a história vai avançando, a gente nota o ambiente decadente, sujo e perigoso que envolvia os integrantes do Guns, mas também percebemos o extremo talento do grupo que vira uma banda de rua de Los Angeles. Sem contrato com gravadora, sem divulgação, sem aparecer na TV, o Guns N’ Roses começa a chamar aos poucos a atenção dos jovens locais e, um pouco depois, dos executivos das gravadoras. Vários profissionais da indústria da música perceberam que, de fato, havia alguma coisa diferente ali. Alguma coisa que poderia se transformar num megassucesso com o investimento necessário.

O livro segue em frente na história do Guns. Mostra sua assinatura de contrato, mais problemas com a polícia, as gravações dos álbuns clássicos Appetite for Destruction, Use Your Illusion 1 e 2 e chega até o Chinese Democracy. Aliás, esta biografia bem que poderia ganhar uma edição atualizada, uma vez que a história do Guns continua se desenvolvendo, inclusive com a volta de Slash e Duff à banda em 2016.

Capa da biografia da banda

Capa da biografia da banda

Divulgação

Do terço final para frente, o texto fica mais rápido e com um pouco menos de detalhes. É nítido que o autor quis se debruçar mais sobre os anos iniciais do Guns N’ Roses. Mas isso, esta pressa final, digamos assim, não prejudica a leitura. O livro é muito bem bom para quem se interessa por rock e hard rock e dá um panorama bem legal do que foi o estilo ali no meio dos anos 80, quando ainda se lançavam CDs, Vinis, onde a MTV tinha muita força e a internet era ainda um sonho distante.

A Saga do Guns N’ Roses — A Trajetória de uma das Maiores Bandas de Rock do Mundo, por enquanto, só pode ser comprado através do clube de assinatura Som na Caixa, da editora Belas Letras. Este programa de assinaturas chega ao fim agora no dia 30 de abril. Assim, no segundo semestre será possível comprar a biografia de Axl e sua turma no site da editora ou em livrarias.

Aliás, o livro vem com marcador de página, reprodução das capas dos discos (menos o Chinese Democracy — por que, hein?!), fotos de todos os músicos que já estiveram na banda, entre outros mimos.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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