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Ziraldo moldou a infância de gerações com seus personagens e arte única

Artista tem obras marcantes que continuarão a mostrar toda sua genialidade para pessoas de todas as idades

Odair Braz Jr|Do R7 e Odair Braz Jr

Ziraldo e alguns de seus livros para o público infantil
Ziraldo e alguns de seus livros para o público infantil Ziraldo e alguns de seus livros para o público infantil (RENATO LUIZ FERREIRA/Estadão Conteúdo - 11.03.2006)

É até difícil de mensurar a importância de Ziraldo, artista genial que nos deixou no último sábado (6), aos 91 anos. Ziraldo foi muitas coisas e atuou em diversas frentes: fez o Pasquim, afrontou a ditadura, foi preso, escreveu livros, mas mais do que tudo, definiu e marcou a infância de gerações de crianças com personagens e publicações incríveis para este tipo de público.

Sua primeira obra para crianças foram tiras publicadas na importante revista O Cruzeiro, no fim dos anos 50. A partir de 1960, foi lançada a revista em quadrinhos própria dos personagens folclóricos brasileiros liderados pelo Pererê, um saci.

Abordando temas brasileiros em contraposição ao material norte-americano que chegava por aqui, Ziraldo criou uma grande ligação com as crianças. Ver personagens do Brasil, em situação com cenários do Brasil e com linguagem do Brasil fez toda a diferença. Com aqueles seus traços característicos, Ziraldo criou uma infância legitimamente nacional nas páginas dos gibis.

A Turma da Mônica, de Mauricio de Sousa, já existia. Foi lançada em 1959, inicialmente apenas com Bidu e Franjinha, e também tinham suas histórias publicadas em tiras de jornal. A Mônica nasceu em 1963 e ganhou protagonismo logo na sequência. Eram — e são — personagens igualmente brasileiros, mas com um conteúdo um tanto quanto universal, que poderia se passar em vários outros países do mundo — e não há demérito nenhum nisso. Com Ziraldo e a Turma do Pererê, não. Tudo ali gritava brasilidade.

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Com quadros supercoloridos e privilegiando o verde e amarelo, os heróis de Ziraldo eram o índio Tininim e o próprio Pererê, um negro. O artista, obviamente, não escolheu os dois aleatoriamente para criar suas histórias. Eram símbolos de minorias segregadas no país. A ideia era mesmo jogar luz nesta questão racial/social.

As HQs de Ziraldo não eram panfletárias no sentido político da palavra. Ele apenas criava situações divertidas e que tinham algum tipo de mensagem que fazia seus leitores refletirem sobre algum assunto. E isso irritou a ditadura militar, que proibiu a revista já em 1964, ano do golpe, acusando seu autor de espalhar o ideal comunista. O que, obviamente, não era verdade. A revista voltaria a circular anos mais tarde, nos anos 70, mas teve uma sobrevida curta.

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O pouco tempo de existência não impediu que A Turma do Pererê ficasse impressa na mente de uma geração inteira. Geração que continuou acompanhando os trabalhos para crianças que Ziraldo seguiu fazendo ao longo das décadas.

Ele se tornou um autor para crianças a partir do sucesso do Pererê, apesar de não se limitar apenas a este tipo de público. Assim, lançou dezenas de publicações para crianças. Uma obra sua extremamente marcante foi Flicts, seu primeiro livro infanto-juvenil lançado em 1969. Nele, o autor mostra toda sua habilidade gráfica e literária. Também foi um definidor de personalidades e é vendido até hoje.

Ziraldo seguiu anos e décadas afora marcando a vida de crianças e também de adultos. Se tornou uma influência, uma voz que não se calou e que não conseguiram calar. Se manterá assim também depois de sua morte. Seguirá vivo em seus personagens e desenhos.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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