AI Pin: empresa anuncia que broche inteligente de R$ 4.000 se tornará lixo eletrônico em breve
Dispositivo foi lançado com a promessa de diminuir nossa dependência de celulares, mas não fez sucesso e empresa foi comprada pela HP, que descontinuará o produto
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Ano passado, a Humane lançou o AI Pin, um computador vestível no formato de broche, que carregava um assistente pessoal que usa inteligência artificial e prometia substituir os smartphones. Foi feito na onda de deslumbramento com linguagens de IA, e foi considerado promissor em uma review do New York Times.
Também não era um dispositivo barato: foi lançado por US$ 700 (cerca de R$ 4 mil no câmbio atual) e funcionava como um broche preso na lapela, substituindo telas por uma série de lasers verdes que projetava informações nas mãos de usuários e paredes.
Mas todos os AI Pin se tornarão um peso de papel caríssimo em alguns dias. A startup foi comprada pela HP (admita que já tentou chutar uma impressora!), que só quer as patentes da empresa e descontinuará os broches avançados.
Toda a divulgação da morte iminente dos produtos também foi um descaso completo. O aviso foi dado apenas 10 dias antes do desligamento, marcado para 12h (horário do Pacífico) do dia 28 de fevereiro.
“Após essa data, ele não se conectará mais aos servidores da Humane (…), e “os recursos do Ai Pin não incluirão mais chamadas, mensagens, consultas/respostas de IA ou acesso à nuvem”, afirma o aviso publicado na página de suporte da empresa.
Para piorar: os dados armazenados dos usuários serão deletados na mesma data, e devem ser baixados, ou serão perdidos para sempre. O mais engraçado é que o recurso que mostra quantos por cento de bateria o dispositivo ainda tem continuará funcionando.
Outro detalhe tragicômico é que a empresa afirmou em junho que esperava ser vendida por US$ 1 bilhão após vender cerca de 10 mil dispositivos, e acabou sendo comprada por US$ 116 milhões.
Quem comprou um AI Pin nos últimos 90 dias pode pedir reembolso, mas quem fez a compra fora desse período terá que olhar com tristeza para o aparelho morto precocemente, e nunca mais esquecer que às vezes é melhor não adquirir produtos criados por startups.
O caso serve como aviso de que não é possível confiar totalmente em empresas de tecnologia, ainda mais as que vendem dispositivos que dependem de servidores e atualizações contínuas.