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Testemunha da História
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A chegada dos primeiros funcionários da TV Record

Não foi nada tranquilo colocar no ar a TV Record. Na época poucos profissionais estavam preparados para o novo veículo de comunicação. 

Testemunha da História|por Gilson Silveira

Assim que a TV Record começou a fazer parte dos interesses de Paulo Machado de Carvalho, ele mandou um funcionário chamado Antonio Menezes para aprender os fundamentos do novo veículo em Cuba. A ilha caribenha, ainda na época do ditador Fulgêncio Batista e sob grande influência dos americanos, foi usada como uma espécie de campo de provas pelos fundadores da televisão.

Switcher da TV Record em 1953.
Switcher da TV Record em 1953. Switcher da TV Record em 1953.

Foi um erro grave! Menezes não entendia de televisão e não aprendeu grande coisa com os cubanos. Os primeiros grandes erros cometidos na TV Record aconteceram por causa dos ensinamentos atravesados e confusos vindos do Caribe. Ele chegou com a teoria de que o switcher não tinha de ter ligação com o estúdio. Então, o diretor de TV não via o que se passava no estúdio onde as câmeras captavam as imagens, nem como comandar o som. Evidentemente, erros brutais.

Até hoje não sei por que o velho o mandou%2C e não outro funcionário. Talvez porque falasse bem inglês e espanhol%2C sei lá.

(Antonio Augusto Amaral de Carvalho, o Seu Tuta, no livro Ninguém Faz Sucesso Sozinho, de José Nêumanne Pinto, ed. Escrituras)

O primeiro mês de transmissão da TV Record foi terrível. Para colocar letreiros e anúncios durante os programas, os produtores espalhavam cartazes no chão. Quando algum desses letreiros deveria ir ao ar, alguém tinha de levantar colocar na frente da câmera. Somente um mês depois da inauguração é que a emissora passou a ter cinema e projetor de slides para permitir uma exibição menos primitiva desses letreiros, hoje conhecido como GC (gerador de caracteres).

O cameraman Salvador Tredicce, o Dodô, na década de 50.
O cameraman Salvador Tredicce, o Dodô, na década de 50. O cameraman Salvador Tredicce, o Dodô, na década de 50.

Para montar a equipe de técnicos e produtores foram realizados concursos e palestras para a escolha de jovens profissionais. Paulo Machado de Carvalho não queria tirar funcionários da TVTupi ou da TV Paulista, mas criar uma nova geração capaz de atuar na televisão sem os vícios de quem já estava nesse meio de comunicação ou no rádio e no teatro.

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Era quase uma faculdade preparando o profissional para o dia de amanhã mas num espaço pequeno de tempo.

(Nilton Travesso, no livro Biografia da Televisão Brasileira, de Flavio Ricco e José Armando Vanucci, ed. Matrix)

Nilton Travesso.
Nilton Travesso. Nilton Travesso.

O treinamento com os 48 inscritos foi realizado com parte a equipamento, visto que houve atraso na chegada do material importado adiando os planos da inauguração. As aulas com especcialistas americanos duravam pelo menos 12 horas diárias e eram de interpretação apresentação, operação técnica, direção de TV, luz, som, alinhamento a câmeras e manutenção. Muitos talentos que mais tarde ocuparam os cargos mais importantes da televisão brasileira surgiram desse processo seletivo.

No próximo post:Os primeiros programas

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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