Quando um animal vem, surge uma chance de sermos melhores
Já teve a sensação de que um animal entrou na sua vida para mudar tudo?

Compartilho aqui um relato pessoal, bem genérico, mas com a essência preservada para a abordagem que segue. Em 2023 eu equilibrava vários pratinhos. Entre eles: alimentação saudável, exercícios físicos, cachorros, uma casa grande com horta e quintal e uma vida familiar que tinha que dar conta de uma agenda social agitada de uma filha adolescente.
Eu me desdobrava entre plantões de final de semana, levar e buscar minha filha dos compromissos, passear com os cachorros e, quando um mínimo tempinho sobrava, ou as minhas sugestões não eram acolhidas ou eu mesma sentia dificuldade de fazer aquilo que me trazia alegria.
O que será que acontece que a gente se coloca em segundo, terceiro planos? Sorte é que sempre tive muita vontade de viver e nunca deixei de acreditar na minha “própria boa companhia”. Venho de uma geração que teve que “engolir o choro” e fazer dar certo. Eu tinha 14 anos quando meu pai foi morar em outro país e até hoje ele reside longe. Desde então assumi inúmeras responsabilidades e não reclamo por isso. Sou grata. Só esqueci de deixar um espacinho reservado na programação para o “meu essencial”. Cheguei a me questionar se essa insatisfação na época não era ingratidão. Na verdade, era muita energia e eu precisava canalizar para algum lugar.
Para quem me acompanha há bastante tempo sabe que, por um período, os resgates de animais foram absurdamente frequentes. E isso sempre me deu satisfação...Ajudar vidas, mudar destinos, comemorar histórias felizes. Mas e a minha vida? E a minha história? Foi exatamente neste momento que a dona Isabel apareceu. Diferente da Amora, minha cachorrinha resgatada das ruas também, a dona Isabel já veio idosa, doente, temperamental, grande e extremamente apegada à mim. Tive a honra de compartilhar 9 meses ao lado dela e hoje afirmo com toda a convicção do mundo que essa “veia” apareceu justamente para me sacudir, me acordar daquela vida que eu estava apenas “levando”.
Quando digo que ela foi um marco, me refiro a todos os setores. Varando madrugadas em claro no hospital veterinário durante a internação no último mês de vida dela, tive a prova de que quem realmente torcia por nós, perdia o sono junto, aliás, “quem me protege, nunca dorme”. Mas além de Deus, claro, amizades especiais fizeram questão de se manter presentes.
A dona Isabel me mostrou o quanto alguém pode se desdobrar por quem ama. E o quanto parcerias são importantes em nossas vidas. Aliás, parceria é o que deve prevalecer em qualquer tipo de relação. Até o último minutinho de vida, ela provou que acreditar no amor a fez chegar até ali. Que mesmo idosa, ela foi capaz de encontrar alguém que enxergasse seu coração, assim como eu fiz, e não as marcas que o tempo deixou no corpinho idoso.
Ela se foi e comecei a buscar minha essência e o que realmente poderia me causar um sentimento bom, parecido com o que ela despertou. Foi aí que entrei na dança. Algo que já desejava há muitos anos mas que nunca priorizei. Descobri nos passos da dança de salão que sempre tive que me responsabilizar por tudo. Não sabia confiar, não me permitia ser conduzida e não porque nunca quis, mas porque sempre tive que resolver, sempre em alerta. Hoje, sigo mais calma, “quero ser conduzida”. Essa introdução é bem genérica perto das transformações que vivenciei mas acredito que sirva para ilustrar que os animais não entram em nossas vidas em vão, e feliz é aquele que sabe enxergar e aceitar o que eles têm para nos ensinar.
Por que muitas vezes atraímos um determinado perfil de animal? Será que todos eles tem alguma missão conosco? A médica veterinária e terapeuta, doutora Ana Flávia, CRMV-SP 22.629, esclarece o tema:
Por aqui, ninguém solta a pata de ninguém!
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