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Cientistas descobrem espécie rara de formiga formada só de rainhas

Após 40 anos, pesquisadores conseguiram a prova de que a rara formiga parasita não possui operárias fêmeas ou machos

Bichos|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Cientistas descobrem uma nova espécia de formiga parasita chamada Temnothorax kinomurai, que é formada exclusivamente por rainhas.
  • Essa formiga elimina as operárias fêmeas e machos, reproduzindo-se assexuadamente através de partenogênese.
  • As rainhas da T. kinomurai invadem colônias da Temnothorax makora, matando a rainha hospedeira e manipulando as operárias para cuidar de sua prole.
  • Estudo revela que a combinação de parasitismo sem operárias e reprodução assexuada é única nesta espécie.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Uma Temnothorax kinomurai (à esquerda) tenta picar uma operária de outra espécie Divulgação/Kyoichi Kinomura

Um tipo raro de formiga foi descoberto como sendo o único que só possui rainhas, tendo eliminado as operárias fêmeas e todos os machos. Nessa espécie parasita do Japão, cada indivíduo é uma rainha que tenta tomar os ninhos de outras espécies.

Normalmente, uma colônia de formigas é formada por fêmeas reprodutoras, conhecidas como rainhas, fêmeas operárias não reprodutoras e machos que morrem logo após o acasalamento. Em alguns casos, há exceções.


Durante quase quatro décadas, pesquisadores suspeitavam que a rara formiga parasita Temnothorax kinomurai produzia apenas rainhas, mas as evidências só foram descobertas agora.

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Como essa espécie sobrevive

Rainhas jovens desta espécie parasita tomam os ninhos de uma espécie relacionada, Temnothorax makora, matando a rainha hospedeira e algumas operárias ao ferroá-las. Elas então se reproduzem assexuadamente, produzindo descendentes clonados em um processo chamado partenogênese, o que é raro em formigas, mas comum entre alguns outros insetos. As operárias de T. makora são enganadas para ajudar a criar as jovens rainhas de T. kinomurai.


Para se comprovar esse comportamento, a equipe liderada por Jürgen Heinze, da Universidade de Regensburg, Alemanha, coletou seis colônias com rainhas de T. kinomurai e as criaram em caixas-ninho artificiais no laboratório. Dessas colônias, eles conseguiram criar e aumentar 43 descendentes de rainhas no laboratório. A inspeção de seus genitais confirmou que não havia machos.

Estas 43 rainhas receberam então a oportunidade de tomar colônias de T. makora. Sete rainhas sobreviveram e tiveram sucesso em suas tentativas de golpe. Elas produziram outros 57 descendentes, que novamente foram confirmados como sendo todas rainhas fêmeas.


Qual a importância da descoberta

Já foi documentado que a formiga parasita Temnothorax kinomurai engana as operárias de uma espécie intimamente relacionada, Temnothorax makora, levando-as a matar a própria rainha.

Essa foi uma descoberta surpreendente, já que, nas colônias de formigas, as operárias passam a vida inteira cuidando da rainha, buscando alimento, defendendo o ninho e alimentando as formigas jovens.


E formigas matando sua própria rainha é um ato raro na natureza, já que ela é fundamental para a sobrevivência da colônia.

Agora, o estudo mais recente mostra que, além de matar a rainha hospedeira, a T. kinomurai também se reproduz assexuadamente, produzindo clones de si mesma, e engana as operárias hospedeiras sobreviventes para que criem a prole.

“Nossos dados, portanto, sugerem que o ciclo de vida de T. kinomurai é caracterizado pela combinação única de parasitismo sem operárias e partenogênese, ou seja, a capacidade de produzir descendentes fêmeas a partir de óvulos não fertilizados”, escreveram os cientistas no estudo publicado na revista Current Biology.

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